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O Seu Dinheiro ouviu especialistas do mercado e trouxe dicas do que você pode fazer para diversificar a sua carteira de acordo com o seu perfil como investidor
Dezembro sempre foi o meu mês favorito do ano. Sinônimo de aniversário, cheiro de verão, muito protetor solar e o fabuloso arroz de vinho da minha mãe — que ela insiste em fazer apenas uma vez por ano, na ceia de Natal.
Se você é um trabalhador com carteira assinada, dezembro também deve ser sinônimo de bolso cheio. Isso porque a segunda parcela do 13º salário já deve ter caído na sua conta na última sexta-feira (18).
Dinheiro extra é sempre bem-vindo. É a chance de quitar aquela dívida, se mimar, comprar um presente de natal bacana ou finalmente dar o próximo passo nos seus investimentos.
Se você faz parte do grupo que vai aproveitar o momento para investir, você está no lugar certo. Para te ajudar, fomos atrás de especialistas do mercado que deram instruções para cada perfil de investidor — e até abriram o nome de alguns produtos que você pode ter na sua carteira.
Para essa matéria, colaboraram Erick Scott Hood, head de produtos da Guide Investimentos; Fábio Macedo, gerente de produtos na Easynvest; Gabriel Machado, analista da Necton, George "Jojo" Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo, Enrico Cozzolino, analista do Banco Daycoval, além da área de investimentos do Bradesco.
Espere mais um pouco. Existem algumas considerações iniciais que precisam ser feitas. A recomendação unânime é de uma ‘preparação prévia’ de cenário.
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O primeiro ponto que deve ser observado é a sua reserva de emergência: ela existe e está confortável? Se a resposta for não, você deve começar por aí. A indicação é que você poupe um valor que dê para cobrir de 6 a 12 meses das suas despesas básicas mensais. O décimo terceiro pode ser uma oportunidade de turbinar o seu colchão ou até mesmo o pontapé inicial.
Nesta etapa, não importa quanto risco você está disposto a correr, as regras devem ser as mesmas para qualquer que seja o seu perfil. Como esse é um dinheiro que você pode precisar a qualquer momento, as apostas são em opções mais conservadoras, de baixa volatilidade e risco e alta liquidez.
Aqui vão três opções para a sua reserva de emergência:
A segunda etapa é entender o seu perfil como investidor. Uma boa forma de saber é delimitando de forma precisa o seu objetivo e um horizonte de tempo. Com isso em mente, você está pronto para dar o próximo passo.
Os investidores costumam ser divididos em três perfis. Um investimento alinhado ao seu perfil mitiga o risco de você acabar pulando fora ou precisar do dinheiro no pior momento possível. Para esse texto, utilizaremos a seguinte classificação:
Se você já concluiu os dois primeiros passos, está pronto para dar a largada. Antes de partirmos diretamente para a recomendação, deixo um último aviso, que foi reiterado por todos com com quem conversei.
A construção de uma carteira diversificada, como é o recomendado, pode levar um tempo. Encare o dinheiro extra do décimo terceiro como uma oportunidade de aumentar o seu aporte ou dar o primeiro passo na construção do seu patrimônio. O importante é manter uma consistência nos seus investimentos, sempre respeitando, claro, a sua realidade orçamentária.
Com ativos de menor volatilidade e maior rentabilidade do que a poupança, os investidores conservadores costumam começar com um portfólio focado na renda fixa. A recomendação clássica é para investimento no Tesouro Selic, mas existem outras opções.
Erick Hood, da Guide Investimentos, indica produtos de crédito privado ou aqueles títulos que sejam atrelados à inflação medida pelo IPCA.
Fábio Macedo, da Easynvest, lembra que caso o seu horizonte de investimento seja maior, você pode apostar em CDBs com prazo mais longo, como dois ou três anos, que costumam trazer taxas mais expressivas.
“Em nossa plataforma, temos ativos de até 10 anos, que chegam a pagar 12,5% ao ano”, afirmou. Vale lembrar que o investimento em CDB conta com a cobertura do fundo garantidor de créditos (FGC) até R$ 250 mil.
Fundos que investem em renda fixa também podem são uma opção, segundo Gabriel Machado, analista da Necton Investimentos. Neste caso, é importante analisar quais os ativos escolhidos pelos gestores dos fundos, já que esses podem ser de crédito soberano, com foco em mais títulos do tesouro, ou fundos que investem em crédito privado, que carregam um pouco mais de risco.
George "Jojo" Wachsmann, sócio e chefe de gestão da Vitreo, destacou entre as opções da plataforma da companhia o FoF Melhores Fundos Multimercado, um fundo de fundos com estratégia de multimercados, ou o Bonds BRL Light, que é um fundo de renda fixa com títulos internacionais em reais.
Os especialistas são unânimes mais uma vez em outro aviso: não se deixe levar apenas pela taxa de retorno oferecido. Quanto maior a taxa, maior o risco atrelado ao produto. Lembre-se: rentabilidade passada não é garantia de retorno futuro.
O analista Enrico Cozzolino, do Banco Daycoval, apresenta uma opção de LCI (Letra de Crédito Imobiliário) do banco que rende cerca de 106% do CDI, uma taxa atrativa para o risco que oferece, ainda mais porque a LCI é isenta de imposto de renda.
No cenário ideal, o Bradesco sugere uma carteira de R$ 12.500, com 77% em investimentos atrelados ao CDI, 19% em crédito privado e 4% em fundos multimercados para um investidor conservador.
Com o cenário de juros baixos que deve permanecer ainda que a Selic suba no ano que vem, arriscar é uma palavra que precisa fazer parte do seu vocabulário se você busca retornos mais significativos.
Neste estágio, o seu leque de opções acaba ficando maior. Além de parte considerável de alocação na renda fixa, você pode incluir fundos multimercados, fundos imobiliários e até mesmo dar os primeiros passos na bolsa. A recomendação genérica é que você abra espaço para ativos de volatilidade média, de até 5%.
A Necton recomenda que o investidor moderado tenha 18% em ações, 17% em fundos imobiliários, 24% em fundos multimercados, 33% em produtos de renda fixa e 8% em fundos cambiais.
Muitas vezes, não é possível criar uma carteira tão diversificada com um único aporte como o décimo terceiro, por isso, o analista da corretora recomenda o fundo multimercado Porto Seguro Macro para o pontapé inicial. “É um fundo de volatilidade média, que segue uma estratégia diversificada entre ações, títulos do tesouro e juros.” Na visão de Machado, com R$ 5 mil é possível começar uma carteira diversificada.
Macedo, da Easynvest, também recomenda a entrada em fundos multimercado e incentiva que o investidor moderado comece sua exposição em bolsa, o que pode ser feito via ETFs, um fundo que replica o desempenho de um índice escolhido como referencial.
Jojo Wachsmann, da Vitreo, também indica o FoF Melhores Fundos para esse perfil. Segundo ele, o produto abarca diversas classes de ativos, com renda fixa, crédito, multimercados, renda variável e até mesmo um pouco de criptomoedas. O fundo, que está disponível a partir de R$ 1 mil, também pode ser utilizado em uma estratégia mais arrojada ou conservadora, tudo depende da forma como ele pode ser diluído ou 'apimentado' na carteira.
Ainda falando em fundos, só que dessa vez imobiliários, uma das escolhas do Banco Daycoval é o DRIT11 (Multigestão Renda Comercial), um fundo imobiliário que atua no segmento de lajes corporativas.
Com um perfil mais arrojado, as opções de investimentos se tornam quase ilimitadas. Mas, em sua grande maioria, os especialistas com quem conversei se mostraram muito otimistas com a bolsa brasileira.
Segundo eles, o ideal é começar a construir a sua carteira de ações com cerca de 3 a 5 papéis, nunca de uma única empresa. O consenso é que é possível começar a montar uma carteira de ações com pouco dinheiro e ir aumentando a sua exposição aos poucos.
O Seu Dinheiro publica todos os meses as principais indicações das corretoras na bolsa na Ação do Mês. Veja como você pode ter acesso às dicas mais quentes do mercado.
O head de produtos da Guide, Erick Hood, aposta nas companhias ligadas a commodities, varejo e ao setor imobiliário para 2021. A Necton também confia que o setor de construção, que vem crescendo muito na bolsa, está bem posicionado para os próximos anos, após ter se mostrado resiliente durante a crise. Além disso, a corretora também aposta nos tradicionais bancos, que vêm se recuperando, e no setor de saúde.
Fábio Macedo, da Easynvest, lembra que não é só de ações que uma boa carteira arrojada é feita. O recomendado é cerca de 20% a 25% em renda variável, e de 20% a 30% em produtos de volatilidade média, depois, completar o portfólio com renda fixa.
Macedo também lembra que uma opção nova e interessante no mercado é a possibilidade de investidores brasileiros investirem em BDRs, recibos de ações negociadas em bolsas estrangeiras que funcionam como representantes dessas ações na bolsa brasileira.
Na hora de escolher um fundo, o analista do Banco Daycoval recomenda que o investidor olhe para o índice de Sharpe, que mede o retorno excedente de uma aplicação e é muito utilizado na comparação de fundos. "Acho mais significativo ver esse índice do que apenas o retorno. um fundo do Daycoval que gosto bastante é o Daycoval Multiestratégia, que está estre os melhores fundos desse indicador".
Para um investidor mais arrojado, a Vitreo também traz recomendações em setores que acredita estar em expansão em 2021. "Para o ano que vem, não consigo não falar o quão positivo está o cenário para uma carteira de criptomoedas, para fundos de canabidiol e para a recuperação das small caps", afirma Wachsmann. A companhia fornece opção para investidores comuns nas três categorias.
O Bradesco sugere uma carteira diversificada para o investidor com maior apetite a risco, com uma aplicação de R$ 25 mil dividida em fundos de renda fixa, crédito, multimercados, ações e no exterior.
*Colaboração Kaype Abreu
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