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Victor Aguiar

Victor Aguiar

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.

Caos nos mercados

Após dois circuit breakers, Ibovespa desaba 14%; aéreas lideram as perdas

Em meio ao pânico que toma conta do Ibovespa, o circuit breaker precisou ser acionado duas vezes nesta quinta-feira, algo que não acontecia desde 2008

Victor Aguiar
Victor Aguiar
12 de março de 2020
10:22 - atualizado às 10:47
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Aconteceu de novo: em meio à onda de pânico que toma conta dos investidores, o Ibovespa abriu em forte queda e, em questão de minutos, bateu os 10% de baixa, acionando novamente o circuit breaker. O pessimismo de hoje, contudo, foi além: após a primeira pausa, o índice chegou aos 15% de queda — e, com isso, disparou o botão do pânico pela segunda vez no dia.

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Às 11h14, o Ibovespa chegou aos 72.026,68 pontos, em baixa de 15,43%. Foi a primeira vez desde 6 de outubro de 2008 que o circuit breaker precisou ser acionado duas vezes no mesmo dia.

A segunda paralisação foi mais longa: desta vez, os negócios ficaram suspensos por uma hora. Mas, mesmo depois de tanto tempo no chuveiro, os investidores seguem de cabeça quente — às 15h50, o Ibovespa desabava 14,09%, aos 13.234,91 pontos.

E olha que a situação já esteve pior: no momento de maior tensão, o índice chegou a derreter 19,59%, aos 68.488,29 pontos, cravando a menor cotação intradiária desde 18 de agosto de 2017 (67.979,00 pontos)

Mas, apesar dessa "suavização" nas perdas, o Ibovespa ainda acumula perdas muito expressivas: o índice já cai mais de 25% na semana; no ano, a baixa já chega a 37%.

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Há dois focos de enorme pressão para os mercados brasileiros nesta quinta-feira: lá fora, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão das viagens entre o país e a Europa, de modo a tentar conter o avanço do coronavírus — uma medida que gerou ainda mais preocupação e deu força à leitura de que o surto da doença causará fortes impactos à economia mundial.

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Essa situação, obviamente, impacta diretamente as companhias aéreas do mundo — e gera reações imediatas por parte do mercado financeiro. Em Wall Street, as ações da Delta (DAL) despencam 16,8%, as da American Airlines (AAL) caem 10,58% e as da United Airlines (UAL) desabam 20,75%.

Na Alemanha, os papéis da Lufthansa (LHA.DE) fecharam em baixa de 14,04%; na França, os ativos da Air France-KLM (AF.PA) recuaram 12,69%.

E, no Brasil, a tendência é a mesma: por aqui, as ações PN da Gol (GOLL4) despencam 31,57%, enquanto os ativos PN da Azul (AZUL4) derretem 28,86%. Por mais que as companhias brasileiras não operem rotas entre os EUA e a Europa, o setor aéreo é altamente interligado — há alianças e acordos de compartilhamentos de voos em escala global.

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Além disso, as ações das aéreas brasileiras também são diretamente impactadas pelo salto no dólar à vista, uma vez que uma fatia relevante de suas linhas de custos é denominada na moeda americana. Tanto o combustível de aviação quanto os gastos com manutenção em aeronaves são dolarizados.

A postura de Trump, somada ao número cada vez mais elevado de mortes e infectados no mundo, provocou uma enorme onda de aversão ao risco nos mercados globais: as bolsas da Europa fecharam em baixa de mais de 10% e, nos EUA, os principais índices acionários chegaram a cair mais de 9%.

No entanto, uma atuação do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) trouxe algum alívio aos mercados: a autoridade monetária vai injetar mais de US$ 1,5 trilhão em liquidez, através de operações de recompras de títulos.

Logo após o anúncio, os índices americanos reduziram as perdas pela metade. No entanto, o ritmo de perdas já voltou a se acentuar novamente: no momento, o Dow Jones cai 8,57%, o S&P 500 recua 8,27% e o Nasdaq tem baixa de 7,92%.

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Turbulência doméstica

Por aqui, o mercado mostra-se bastante tenso com os atritos entre governo e Congresso: ontem, foi derrubado o veto imposto pelo presidente Jair Bolsonaro à elevação do BPC, criando um gasto adicional da ordem de R$ 20 bilhões por ano ao orçamento do país.

Esse revés no Congresso ameaça diretamente o cumprimento do teto de gastos do governo, além de representar um grande passo para trás na questão do ajuste fiscal. Além disso, a deterioração na relação entre os poderes cria ainda mais incertezas no front das reformas e outras pautas econômicas.

Dia caótico

No câmbio, a situação é igualmente tensa: o dólar à vista abriu em forte alta e chegou a bater os R$ 5,0280 no pico do estresse (+6,47%). O Banco Central, contudo, atuou de maneira rápida, promovendo leilões no segmento à vista, o que diminui parte da pressão.

Essa ação do BC brasileiro, somada à injeção de liquidez por parte do Fed, afastou a moeda americana das máximas: no momento, sobe "apenas" 2,05%, a R$ 4,8195.

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Entre as curvas de juros, o tom também é de forte aversão ao risco, com um movimento amplo de abertura das curvas mais curtas. Os DIs com vencimento em janeiro de 2021 saltam de 4,21% para 5,14%.

Perdas massivas

Nenhuma ação do Ibovespa opera em alta nesta quinta-feira — o ativo de melhor desempenho é Equatorial ON (EQTL3), recuando 4,67%.

Veja abaixo as cinco maiores quedas do índice:

CÓDIGONOME PREÇO (R$)VARIAÇÃO
GOLL4Gol PN10,71 -31,57%
AZUL4Azul PN21,52 -28,86%
BPAC11BTG Pactual units31,84 -28,30%
CVCB3CVC ON13,92 -27,65%
IRBR3IRB ON9,20 -27,56%

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