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2020-03-12T12:10:19-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Níveis inéditos

Dólar à vista dispara na abertura e rompe os R$ 5,00, mas deixa as máximas

Em meio à tensão global com o coronavírus e a escalada nos atritos entre governo e Congresso, o dólar abriu em forte alta de mais de 6%

12 de março de 2020
9:23 - atualizado às 12:10
Urgente

Sim, você não leu errado. O dólar à vista ultrapassou a barreira dos R$ 5,00.

Logo depois da abertura da sessão desta quinta-feira (12), a moeda americana chegou a disparar 6,47%, indo ao nível de R$ 5,0280 — a divisa nunca sequer tinha rompido o patamar de R$ 4,80.

Por volta do meio dia, a pressão sobre o câmbio havia diminuído um pouco e a moeda era negociada a R$ 4,8775 – ainda assim em forte alta de 3,36%.

O Banco Central (BC) procurou agir rapidamente diante da disparada. A autoridade monetária já havia convocado um leilão de dólares no mercado à vista, no montante de até US$ 1,5 bilhão, e resolveu aumentar o poder de fogo, acrescentando mais US$ 1 bilhão ao certame. Além disso, já convocou uma segunda operação, de US$ 1,25 bilhão.

A disparada do dólar tem dois gatilhos: lá fora, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a suspensão das viagens entre o país e a Europa, de modo a tentar conter o avanço do coronavírus — uma medida que gerou ainda mais preocupação e de força à leitura de que o surto da doença causará fortes impactos à economia mundial.

Por aqui, o mercado mostra-se bastante tenso com os atritos entre governo e Congresso: ontem, foi derrubado o veto imposto pelo presidente Jair Bolsonaro à elevação do BPC, criando um gasto adicional da ordem de R$ 20 bilhões por ano ao orçamento do país — e, consequentemente, criando fortes dúvidas quanto ao ajuste fiscal do país.

Com a nova disparada de hoje, o dólar à vista já acumula uma valorização de 21,62% desde o começo do ano.

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