“Youtubers” de finanças vão além da tela com empresas e até gestora
Influencers financeiros reúnem milhares de pessoas em suas redes sociais com dicas e conteúdos sobre investimentos. Agora, começam a expandir a atuação para outros negócios

Não faz muito tempo, mas a internet ainda era discada, todos estavam no MSN e nem sabíamos o que era um "Youtuber" (quiçá, influencer digital). Contudo, o tempo passou e esse negócio se mostrou extremamente lucrativo e prático (com certeza você tem no mínimo um sobrinho que já quis ligar a câmera e ser famoso na web).
Influencers financeiros como Thiago Nigro (o "Primo Rico") e Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe, reúnem milhares de pessoas em suas redes sociais com dicas e conteúdos sobre investimentos. Agora, começam a expandir a atuação para outros negócios.
Nathalia, por exemplo, é CEO e diretora de conteúdo da startup "Me Poupe!", que abrange o canal de mesmo nome, um curso de finanças, livro, podcast e um programa de rádio. Por mês, impacta diretamente mais de 15 milhões de pessoas e atingiu R$ 22 milhões de faturamento em 2019.
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O maior influencer financeiro do País com quase 15 milhões de seguidores juntando todas as redes sociais, Thiago Nigro resolveu criar uma holding para reunir todas as iniciativas.
“O 'Primo Rico' por si só não tem muito valor para um investidor, apesar de tanta imagem que agrega. Então, entendi que o Primo precisava virar uma holding, para que não dependesse apenas de mim”, me disse o youtuber e empresário, em uma conversa por videoconferência.
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Holding "Primo Rico"
A holding "Primo Rico" conta hoje com 20 funcionários contratados em times como: produção, edição, suporte, marketing, tecnologia, conteúdo e executivos. "Adquirimos 20% do Jovens de Negócios e trouxemos outras marcas grandes da internet para se tornarem sócias do Primo Rico. Então, queremos ficar mais "parrudos", afirmou Nigro.
Breno Perrucho, de apenas 23 anos e que largou a faculdade de medicina para correr atrás de seus objetivos, é o criador do canal Jovens de Negócios — que começou há dois anos e hoje conta com 1 milhão de inscritos. Ele me contou como o colega "youtuber" o abordou para comprar parte de seu negócio.
“Num belo de um dia ele [Thiago Nigro] me manda uma mensagem falando 'quero ser sócio do seu canal' e que gostaria de me ajudar com o que fosse necessário, tanto financeiramente quanto na parte de mentoria.” Da conversa, saiu o negócio, que avaliou o canal em R$ 5 milhões, segundo Perrucho.

Após Nigro ter se tornado acionista da Jovens de Negócios, Perrucho lançou um podcast, lançará novos cursos e projetos visando a educação financeira no país e mira alto: "Quero ter 'bala' para criar uma rede de escolas que seja munida de inteligência artificial para conseguir levar o ensino de forma personalizada para as pessoas."
Hoje, a holding Primo Rico tem diversas linhas de atuação, como em educação, tecnologia e investimentos. "Além disso, planejamos entrar em MBAs, em um outro business estratégico em educação e em um modelo de subscription", disse Nigro.
Na linha de mercado financeiro, a holding é uma das sócias da Kinvo, aplicativo de acompanhamento de carteira de investimentos, tem parceria com a XP Investimentos para orientar as pessoas a investirem através de sua corretora e planejam entrar na área de gestão, com o lançamento de um fundo de investimentos.
"Queremos entrar na área de gestão também, criando um fundo de investimento, um 'fundos do Primo', para que os 'Primos' possam investir seguindo a nossa filosofia se eles não quiserem tomar a própria decisão", disse.
E conflito de interesses?
Os jovens que ganharam uma legião de seguidores falando sobre finanças pessoais no YouTube surgiram criticando os produtos financeiros ruins dos grandes bancos. Mas vários deles hoje são ligados a instituições financeiras e corretoras.
Para os críticos, essa relação cria um potencial conflito de interesses para os influenciadores. Nigro, que é ligado à XP, vê essa desconfiança como natural, mas aponta que parte dessa insatisfação vem dos grandes bancos. "No fim das contas, nós tiramos os clientes deles para que invistam nas corretoras."
Para Nigro, as críticas também vêm de pessoas que têm uma visão distinta de sua filosofia de investimentos, como aqueles que são adeptos do day trade. "Respeito o day trade, dá para ganhar dinheiro com isso, mas é muito improvável. Logo, isso gera uma reação das pessoas que fazem não gostarem muito de mim."
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