Via Varejo quer vender de forma remota durante a pandemia e postergar parcela de carnê
Diante da restrição da circulação de pessoas e lojas fechadas, empresa diz que mantém boa posição de caixa e que planeja intensificar atuação online

Dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, a Via Varejo prepara a venda remota de produtos nas próximas semanas, para mitigar os efeitos das lojas fechadas em consequência da crise do novo coronavírus, segundo o CEO da companhia, Roberto Fulcherberguer.
De acordo com o executivo, o plano é que o vendedor inicie a venda por WhatsApp e mande o link para o cliente. "Vendedor feliz com a comissão, cliente feliz pela relação com o vendedor - e ainda temos logística operante", disse o executivo.
Analistas já haviam destacado que a crise do novo coronavírus seria um grande desafio para a empresa, que passa por um processo de reestruturação. A Via Varejo tinha R$ 1,4 bilhão em caixa no final de 2019 e dívida de R$ 1,6 bilhão - o índice liquidez era de 0,8%.
Segundo a companhia, a operação online - que ganhou terreno nos últimos meses, com crescimento de 34,9% do e-commerce no quarto trimestre - deve seguir como grande parte da estratégia de vendas no período de restrição de abertura de lojas.
Para enfrentar a crise, a empresa informou ainda que postergou a parcela do carnê das lojas de abril para depois da última parcela. "O crediário segue operando", afirmou o CEO da companhia. O executivo disse ainda que o estoque está da companhia está "muito saudável". "Terminamos o saneamento do nosso estoque, custeado com dólar a R$ 3,80".
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Fulcherberguer assumiu o comando da Via Varejo no ano passado, após a retomada do controle acionário da empresa por parte da família Michel Klein. O empresário comprou toda a participação do GPA no capital social da companhia e promoveu diversas mudanças no alto escalão da empresa, em busca de uma transformação digital, entre outras coisas.
Desde então, Fulcherberguer avalia como ponto positivo a recuperação das lojas físicas, a estabilização das plataformas online e o aumento do uso de apps das Casas Bahia e Ponto Frio - o número de usuários mensais ativos aumentou em 400% entre junho de 2019 e janeiro deste ano, para 7,4 milhões, segundo a empresa.
Para os próximos meses, o executivo contou que a empresa quer dobrar o número de pontos de entrega, os mini-hubs. A Via Varejo também promete novos apps até junho e uma melhoria na plataforma de market place- a companhia, no entanto, não deu detalhes.
Olho no caixa
Fulcherberguer disse que os créditos fiscais mencionados no fato relevante de dezembro continuam disponíveis. Segundo ele, são pouco mais de R$ 600 milhões. De acordo com o executivo, a posição de caixa continua "robusta como em 31 de dezembro". "A gente entrou o primeiro trimestre com o estoque saneado", disse.
"O que vai dar a cauda longa para gente vai ser o marketplace, que virá a partir da melhoria do relacionamento com os sellers", disse ainda o executivo, que acrescentou que a empresa busca uma experiência "no limite", em que as vendas físicas e online vão se confundir. "A gente entende que a combinação é uma vantagem nossa".
Também está no radar da empresa a questão do aluguel dos estabelecimentos. "Tem vários shoppings sinalizando como vai acontecer daqui para frente. Estaremos ativos na discussão", afirmou.
Hoje, 35% das despesas da companhia são com a operação física. Todas as outras são relacionadas ao volume de vendas. A empresa mantém expectativas sobre medidas do governo que podem ser anunciadas em relação a tributos, entre outras coisas.
Nesta quinta-feira (26), as ações da varejista subiam 9%, a R$ 6,24, mas desde o início do ano derreteram 45%. A alta de hoje das ações acontece no primeiro pregão após a empresa divulgar que teve um lucro de R$ 78 milhões no quarto trimestre.
Para a XP Investimentos e Credit Suisse, o momento é de compra da ação da Via Varejo. BTG Pactual se mantém neutro e diz que é importante monitorar o endividamento da empresa, em especial por conta da crise do coronavírus.
Analistas da Credit Suisse estimam que os papéis da Via Varejo (VVAR3) podem chegar a R$ 21 em 12 meses - o que representaria uma valorização de 267,78% em relação a cotação de ontem, de R$ 5,71. Os especialistas do BTG veem potencial de 52,54%, a R$ 8,71
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