Com novo modelo, ações da Track&Field estreiam no pregão da B3 após IPO
Oferta da empresa de vestuário e calçados esportivos inaugura modelo em que as ações preferenciais terão direito econômico — incluindo os dividendos — 10 vezes maior que o das ordinárias

A oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da empresa de vestuário e calçados esportivos Track&Field não foi a maior oferta nem a de maior de demanda do mercado. Mas certamente foi uma das mais acompanhadas pelos investidores.
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Isso porque a companhia foi responsável por inaugurar um novo modelo de composição acionária no mercado brasileiro. Cada ação ordinária e preferencial da Track&Field possui direito a um voto, mas o direito econômico das preferenciais — incluindo os dividendos — é 10 vezes maior.
O modelo foi adaptado daquele usado pelas empresas brasileiras que decidiram abrir o capital nas bolsas norte-americanas e permitiu aos três fundadores da rede emitirem uma quantidade menor de papéis para assegurar o controle da companhia após o IPO.
O formato tem seus prós e contras. Do lado positivo, pode ajudar a evitar a "exportação" de IPOs de empresas brasileiras para o exterior. O ruim é que os direitos econômicos distintos criam um potencial conflito entre os interesses dos controladores e dos minoritários na bolsa.
[captacao]
Como as ações dos fundadores têm direito a receber menos dividendos, eles podem vir a tomar decisões que reduzam o pagamento aos detentores das ações preferenciais, segundo um gestor de fundos com quem eu conversei e decidiu não participar do IPO.
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A Track&Field movimentou pouco mais de R$ 520 milhões com uma oferta de ações preferenciais. O preço por cada papel (TFCO4) foi definido em R$ 9,25, abaixo da faixa indicativa, que variava entre R$ 10,65 e R$ 14,95. Os papéis serão listados no Nível 2 da bolsa, o segundo com práticas mais rigorosas de governança corporativa.
A empresa estreou nesta segunda-feira no pregão da B3. Os papéis terminaram o primeiro dia de negócios em estabilidade, com um volume negociado de R$ 78,6 milhões.
A Track&Field possui uma rede de 230 lojas em shoppings, lojas de rua, outlets e academias, além de presença no e-commerce. Assim como outros nomes, a empresa enfrentou bastante dificuldade por conta da pandemia de covid-19.
A receita recuou 30,2% nos primeiros seis meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2019, para R$ 79,5 milhões, resultando em um prejuízo líquido de R$ 1,9 milhão no primeiro semestre.
O IPO da Track&Field é o 21º do ano e o décimo de varejo ligado a moda na B3. No ano, as aberturas de capital na B3 já somam R$ 28 bilhões e, contando as ofertas de empresas que já eram listadas, os chamados follow ons, o volume já a chega R$ 96 bilhões.
A CONTA CHEGOU
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