TikTok banido dos EUA? Entenda a polêmica em torno do aplicativo
Trump prometeu tirar o aplicativo chinês do país neste domingo, mas medida não deve ser colocada em prática; entenda as razões por trás da ofensiva americana

O aplicativo chinês TikTok virou alvo do presidente dos Estados Unidos Unidos, Donald Trump. Ao longo da semana que passou, o mandatário prometeu até banir o app do país - mas isso não vai acontecer, ao menos por ora.
A data final para o app sair das lojas de aplicativo dos EUA seria este domingo (20) - mas a ferramenta ganhou um prazo extra. Trump disse neste sábado que estava satisfeito com um acordo entre Oracle, o Walmart e o TikTok.
Como a decisão do presidente dos EUA não está oficializada, o Departamento do Comércio optou por adiar por uma semana a ordem de retirada do TikTok do país.
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Adeus TikTok?
O acordo entre Oracle, o Walmart e o TikTok diz respeito a venda das operações do aplicativo nos EUA. A dona do aplicativo, ByteDance, e as duas empresas criarão uma nova companhia, com sede nos EUA.
A empresa terá 20% de participação da Oracle e Walmart. A ByteDance terá 80%. Como a dona do TikTok tem entre seus investidores fundos americanos, a conta é de que, no final, a nova companhia criada nos EUA tenha cerca de 50% do capital social controlado por empresas norte-americanas.
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A Oracle prevê ser responsável por armazenar os dados dos 100 milhões de usuários do TikTok nos EUA - medida que satisfaria o governo Trump.

Uma conhecida disputa
A investida americana para banir a operação do aplicativo TikTok é o novo capítulo de uma já conhecida disputa do país com a China - especialmente com as empresas de tecnologia.
Durante o governo Trump, a relação de Washington com Pequim piorou quando o assunto é comércio, segurança nacional ou tecnologia. Nos últimos meses o ambiente para empresas que tentam furar a linha de separação entre as duas potências se tornou especialmente hostil.
Os americanos argumentam que a China está engajada em uma campanha de espionagem internacional para adquirir tecnologia que dê vantagem às empresas chinesas, e que aplicativos e redes de tecnologia ameaçam a segurança nacional.
A ofensiva sobre o TikTok (e também sobre o WeChat) seriam parte de uma tendência mais ampla que começou com a Huawei e a ZTE.
Washington adotou a campanha de força total contra a gigante de telecomunicações Huawei, principal nome na corrida pelo oferecimento de tecnologia 5G.
A empresa está banida nos EUA, assim como a ZTE, e os americanos fazem pressão para que países aliados, como o Brasil, não admitam a entrada da chinesa na rede de operação 5G.
Frustração americana
Em parte, especialistas apontam que a motivação das restrições dos EUA decorre da frustração americana com práticas comerciais chinesas, especialmente com a barreira para entrada de empresas de redes sociais e tecnologia.
Desde 2009, o Facebook, por exemplo, está bloqueado na China, um país em que quase 1 bilhão de pessoas têm acesso a internet. Empresas como Google e Twitter também estão impedidas de operar no ambiente controlado pelo país.
Trump explora a rivalidade de Washington com Pequim como plataforma eleitoral. Em 2016, ele prometeu em campanha repactuar a relação comercial com os chineses para dar vantagens e empregos aos americanos. Xi Jingping também usa a briga com os americanos para inflar o nacionalismo chinês.
*Com informações de Estadão Conteúdo
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