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Empresas, cujas ações acumulam queda desde janeiro, devem apresentar resultados impactados pela pandemia, mas também apontar caminhos para retomada
A temporada de balanços do segundo trimestre das empresas de capital aberto segue agitada nesta semana. Pouco mais de uma dezena de companhias do Ibovespa revelam os resultados do período nos próximos dias, com destaque para Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Gerdau e Multiplan.
É uma temporada atípica: a maioria das empresas tem revelado números muito ruins. O segundo trimestre deste ano foi quando a crise da covid-19 impactou de maneira brutal a economia, restando poucos alternativas para as companhias.
Com a reabertura gradual da economia, as empresas nas últimas semanas dão sinais de retomada. Então, os balanços devem indicar, além dos resultados passados, os rumos para os próximos meses.
Ainda que o destaque na mídia para o Itaú tenha sido uma briga com a XP Investimentos, o que deve chamar a atenção no balanço é o impacto da pandemia. A disputa com a corretora faz parte de um cenário monitorado pelo banco a longo prazo, mas a crise sanitária-econômica dá o tom do balanço dos resultados do segundo trimestre.
O banco apresentou queda no lucro nos três primeiros meses deste ano, adiantando-se com provisões — mecanismo que reserva dinheiro para perdas futuras, que no caso de bancos se refere ao aumento esperado da inadimplência no crédito.
A decisão do Itaú pode ter passado a impressão de que a a baixa não seria tão grande no trimestre seguinte, mas analistas ouvidos pela Bloomberg apontam que o lucro deve cair 37,5% frente ao mesmo período do ano passado, chegando a R$ 4,255 bilhões.
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A queda no lucro não é condição exclusiva do Itaú. Bradesco e Santander, que já divulgaram os resultados do segundo trimestre, tiveram uma queda de mais de 40% do lucro. Justas, as duas instituições reservaram R$ 7 bilhões para provisões, adotando uma posição conservadora.
A pandemia impôs uma série de desafios aos grandes bancos, que já elaboravam estratégias para lidar com o aumento da concorrência em áreas como cartões e investimento - a exemplo da propaganda do Itaú contra a XP.
Para o Banco do Brasil, o resultado do segundo trimestre acabou ficando em segundo plano com o anúncio da saída de Rubem Novaes da presidência da instituição. Quem deve assumir a vaga é André Brandão, executivo do HSBC.
De volta ao balanço, o BB deve apresentar uma queda de 16,6% no lucro do segundo trimestre, para a R$ 3,574 bilhões, conforme projeções de analistas compiladas pela Bloomberg.
Os shopping centers estão entre os setores mais afetados pela pandemia. Sem poder fazer uma migração total de fonte de receitas para o online, as redes seguiram apenas com serviços essenciais operando — como supermercados e farmácias — e restaurantes oferecendo delivery.
A receita, hoje de aluguéis, eventos, anúncios em mídias e estacionamentos, caiu drasticamente. Apenas parte dos valores pagos pelos inquilinos seguiu entrando no caixa.
É um cenário que se aprofundou em abril, mas com a gradual reabertura nas cidades a tendência é que haja uma recuperação da receita, ainda que de forma lenta. Também deve permanecer no radar a queda de renda das famílias e o receita.
Nos três primeiros meses do ano, a Multiplan apresentou uma alta de 93,3% no lucro, R$ 177,7 milhões. Mas o balanço já mostra uma queda de receita concentrada nas últimas semanas. No segundo trimestre, a crise deve refletir em, entre outros números, uma queda de cerca de 41,9% no lucro em relação ao mesmo período do ano passado, a R$ 79,5 milhões.
Entre as ações das empresas mencionadas até aqui, a Gerdau é a que apresenta melhor desempenho no acumulado do ano, mas ainda assim com uma desvalorização de aproximadamente 13%.
O mercado tem uma perspectiva um pouco mais otimista para a siderúrgica por causa do setor que ela atua e a quantidade de países que as operações da companhia contempla.
Analistas da XP Investimentos lembram que a companhia tem uma maior exposição ao setor de construção civil e é exportadora, fatores que compensam parcialmente as vendas mais baixas para os setores automotivo e industrial no mercado doméstico.
"Esperamos margens em linha com o trimestre anterior baseado em volumes estáveis e os custos mais altos compensados por um dólar mais forte", escreveram em relatório recente.
No entanto, a projeção para linha final do balanço do segundo trimestre dos analistas é de uma queda de 84% em relação ao mesmo período do ano passado, a R$ 59,6 milhões, ainda de acordo com os dados da Bloomberg.
Confira o calendário das empresas do Ibovespa que divulgam resultados até o fim desta semana:
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