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Ivan Ryngelblum

Ivan Ryngelblum

Jornalista formado pela PUC-SP, com pós-graduação em Economia Brasileira e Globalização pela Fipe. Trabalhou como repórter no Valor Econômico, IstoÉ Dinheiro e Agência CMA.

BAD TRIP

CVC praticamente não tem receita no 2º trimestre por conta da covid-19

Pandemia paralisa turismo no País e faz empresa registrar prejuízo de R$ 252,1 milhões

Ivan Ryngelblum
Ivan Ryngelblum
20 de outubro de 2020
7:49 - atualizado às 10:36
CVC
Imagem: Divulgação

A pandemia pegou duro na CVC (CVCB3). A companhia, que está passando por um processo de reconstrução após a descoberta de fraudes contábeis, viu a covid-19 paralisar as atividades de turismo no País, fazendo com que ela praticamente não registrasse receitas no segundo trimestre.

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Divulgado com atraso por conta da necessidade de revisão das demonstrações financeiras anteriores, em função do coronavírus e da necessidade de sanar os problemas contábeis identificados, o balanço do segundo trimestre, apresentado na madrugada desta terça-feira (20), mostra um tombo de 99,3% da receita líquida, em relação ao mesmo período de 2019, para R$ 3 milhões.

Combinado com efeitos extraordinários de R$ 31 milhões provocados pela covid-19, decorrentes de comissões de lojas não recuperadas por reembolso, multa de fornecedores, baixa de receitas não realizadas e outros itens não relacionados a reservas, a CVC fechou o segundo trimestre com prejuízo líquido de R$ 252,1 milhões, revertendo o lucro de R$ 30,5 milhões apurado no ano passado.

“Vivenciamos o pior momento da pandemia de covid-19 durante o segundo trimestre. Com fechamento de fronteira entre países, medidas restritivas de distanciamento social e redução da malha aérea no Brasil em 91,6% a partir de 28 de março, o turismo praticamente parou durante os meses de abril, maio e junho”, diz trecho do balanço da companhia.

A situação fez com que a CVC registrasse queda de 95,5% das reservas confirmadas no período e de 89,4% na quantidade de passageiros embarcados.

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Para tentar amenizar a situação, a operadora de turismo buscou reduzir suas despesas operacionais. Ela manteve a redução da jornada de trabalho dos funcionários em 50%, medida iniciada em 1º de abril, postergou investimentos e projetos prioritários e suspendeu investimentos em marketing. A linha de despesas operacionais do balanço, que considera os efeitos de itens não recorrentes, acabou encerrando o trimestre em R$ 259 milhões, recuo de 29%.

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Ainda assim, o resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ficou negativo em R$ 174,1 milhões, revertendo o lucro do ano passado.

Situação financeira

A CVC afirmou que está conseguindo preservar sua posição financeira, destacando que a geração de caixa operacional alcançou R$ 916 milhões no primeiro semestre, acima dos R$ 119 milhões em igual período de 2019. “Destacamos também nossa sólida posição de caixa, que ficou R$1,1 bilhão em 30 de junho e R$1,6 bilhão em 15 de outubro de 2020 (não auditado)”, diz trecho do relatório.

A CVC informou ainda que a dívida líquida, incluindo as dívidas de aquisições, somou R$ 1,1 bilhão no segundo trimestre, abaixo dos R$ 1,4 bilhão do segundo trimestre de 2019. O endividamento total, que considera outros itens, somou R$ 2 bilhões, sendo que apenas R$ 600 milhões vencem no curto prazo, em novembro. A companhia divulgou que está avaliando alternativas de captação ou rolagem dessa dívida, sem especificar as medidas.

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O que vem por aí

Passado o pior momento da pandemia de covid-19, a CVC vê sinais “significativos e consistentes” de retomada das atividades do segmento de turismo.

A empresa informou que as viagens domésticas, especialmente para o Nordeste, estão crescendo. Após as vendas novas ficarem próximas a zero entre abril e junho, elas vêm aumentando desde o início de julho, atingindo ao final de setembro 37% do volume apurado no mesmo período de 2019. O segmento de lazer representou 41% das vendas.

“Orçamentos solicitados pelos clientes do segmento lazer atingiram nas últimas semanas 83% do volume comparado ao mesmo período do ano anterior”, diz a companhia.

Já as operações na Argentina têm tido uma recuperação mais lenta, com volume e vendas novas por volta de 10% no mês de setembro, comparado com o mesmo período do ano anterior.

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