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O resultado recorrente do banco nos primeiros três meses do ano foi de R$ 3,753 bilhões, o que representa uma rentabilidade sobre o patrimônio de apenas 11,7%
Uma provisão de R$ 2,7 bilhões feita para absorver perdas com o aumento da inadimplência esperado com a crise do coronavírus levou o Bradesco a registrar uma rara queda no lucro no primeiro trimestre deste ano.
O resultado recorrente do banco nos primeiros três meses de 2020 foi de R$ 3,753 bilhões, o que representa uma queda de 39,8% em relação ao mesmo período do ano passado.
O resultado ficou bem abaixo das projeções dos analistas, cuja média apontava para um lucro de R$ 6,069 bilhões, de acordo com dados da Bloomberg. Esses números, claro, não consideravam eventuais provisões que o banco poderia fazer.
O lucro menor derrubou a rentabilidade do Bradesco para 11,7% no primeiro trimestre. O índice ficou bem abaixo dos 20,5% do mesmo período do ano passado e também do apresentado pelo Santander, que optou por não fazer provisões adicionais e registrou uma rentabilidade de 22,3%.
O Bradesco informou que decidiu reforçar as provisões em consequência do cenário econômico adverso que poderá resultar no aumento do nível de inadimplência, como reflexo da falência de empresas, aumento no índice de desemprego, bem como a degradação do valor das garantias.
No total, o banco possui uma provisão complementar para cenário econômico adverso de R$ 5,1 bilhões.
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Vale dizer, porém, que o resultado mais fraco do Bradesco não é fruto apenas das provisões extras feitas no trimestre.
A margem financeira do banco teve alta de apenas 2,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e somou R$ 14,5 bilhões.
O desempenho mais fraco da margem foi provocado pela queda de 27,8% nas receitas da tesouraria do banco. A margem com clientes, que inclui as receitas com os financiamentos menos os custos de captação, aumentou 8,4%.
Assim como o Santander, o Bradesco registrou um forte aumento na demanda por crédito logo no início da crise do coronavírus.
Como resultado, a carteira do banco registrou um crescimento de 17% em relação a março do ano passado e de 5,1% no trimestre, para R$ 655,1 bilhões.
O aumento ocorreu tanto nas linhas para pessoas físicas como jurídicas, mas foi mais forte entre as empresas nos primeiros três meses deste ano, com alta de 6,6%.
O índice de inadimplência acima de 90 dias na carteira do Bradesco já mostrou uma piora e fechou o primeiro trimestre em 3,7%, alta de 0,4 ponto percentual no trimestre e em 12 meses.
Essa piora do indicador de calotes chama a atenção porque, em tese, ainda não reflete a recessão da economia esperada pelo efeito coronavírus.
No total, as despesas do banco com provisões foram de R$ 6,7 bilhões, alta de 86,1% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. No período, houve uma queda de 52,8% nas receitas com recuperações de crédito do banco.
As receitas do Bradesco com prestação de serviços e tarifas registraram aumento de 2,6% em relação ao primeiro trimestre do ano passado e somaram R$ 8,3 bilhões.
A boa notícia para os acionistas do banco veio do lado das despesas operacionais, que ficaram em R$ 11,8 bilhões – 0,4% abaixo do registrado nos primeiros três meses de 2019.
*Conteúdo em atualização
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