Menu
2020-10-23T20:08:32-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Prévia do terceiro trimestre

Grandes bancos começam a olhar crise pelo retrovisor, mas com lucro ainda em queda

Lucro combinado de Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander deve aumentar em relação ao trimestre anterior, mas ainda ficará bem abaixo dos patamares de 2019

24 de outubro de 2020
7:16 - atualizado às 20:08
Logo dos bancos Bancos Bradesco, Itau, Santander, Banco do Brasil em cima de passagens de pedágio.
Imagem: Marcos Santos/Jornal da USP - Montagem Andrei Morais

Os grandes bancos devem começar a ver os efeitos da crise do coronavírus pelo retrovisor nos resultados que começam a ser publicados na próxima terça-feira. A grande dúvida do mercado agora é quando (e se) Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander Brasil voltarão a viver os dias de glória.

Leia também:

O lucro combinado das quatro grandes instituições financeiras com capital aberto deve atingir R$ 15,8 bilhões no terceiro trimestre deste ano, de acordo com a estimativa média dos analistas. O resultado projetado representa um aumento de 17% em relação ao trimestre anterior, mas ainda é 27% menor que o obtido pelos bancões no mesmo período de 2019.

As despesas bilionárias com provisões para perdas no crédito com a pandemia do coronavírus derrubou o lucro dos grandes bancos no primeiro semestre deste ano. Mas os analistas esperam que a maior parte do estrago já foi feita.

A expectativa positiva para os números do trimestre inclusive levou um pequeno rali nas ações de Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander neste mês de outubro, com altas de até 20%. No acumulado do ano, porém, o setor segue com um dos piores desempenhos da bolsa.

O problema é que a estrada à frente está longe de ser tranquila. Os bancões certamente terão de lidar com uma maior inadimplência, que foi contida em um primeiro momento diante dos processos de renegociação e prorrogação dos vencimentos de parcelas no auge da crise.

Isso sem falar no grande ponto de interrogação com o avanço da concorrência das fintechs, as novas empresas de tecnologia financeira. O grande indutor da competição é o Banco Central, que lança em novembro o Pix, o sistema de transferências e pagamentos instantâneos — e gratuitos.

Nos cálculos da agência Moody's, os bancos podem perder até 8% das receitas com tarifas após a entrada em operação do Pix. Leia a seguir o que esperar para os resultados de cada banco.

Santander acelera

Dos quatro bancos, o Santander é o que deve mostrar a maior evolução nos resultados, segundo os analistas. A média das estimativas aponta para um lucro de R$ 2,764 bilhões, um avanço de 29,4% na comparação com o trimestre anterior, mas ainda assim uma queda de 25% frente ao mesmo período de 2019.

A expectativa positiva para o balanço provocou um pequeno rali nas ações da unidade brasileira do banco espanhol (SANB11), que acumulam valorização de quase 15% em outubro.

“A retomada da economia brasileira, especialmente a concessão de crédito imobiliário, automóveis e cartão de crédito, deve ter um impacto positivo no crescimento da carteira de crédito do banco”, escreveram os analistas do UBS BB, em relatório a clientes. O Santander divulga o balanço na terça-feira (27), antes da abertura da bolsa.

Bradesco noturno

O Bradesco vai romper uma antiga tradição no balanço que sai na próxima quarta-feira (28). Em vez de publicar os resultados bem cedo pela manhã, o banco com sede na Cidade de Deus programou a divulgação para depois do fechamento dos mercados.

A projeção média dos analistas aponta para um lucro líquido de R$ 4,513 bilhões para o Bradesco, alta de 16,5% no trimestre e queda anual de 31%.

A melhora nos resultados do terceiro trimestre virá principalmente das despesas com provisões, que devem recuar 24% em relação ao trimestre anterior, para R$ 6,8 bilhões, de acordo com o Credit Suisse.

Pelas estimativas do banco suíço, a rentabilidade do Bradesco deve subir de 11,9% para 14,1%. Apesar da melhora, o retorno ainda está bem abaixo do desejo do presidente do banco, Octavio de Lazari, de retomar o nível histórico de 20%.

Itaú conservador

No auge da crise, o Itaú Unibanco adotou uma postura mais conservadora e reduziu a concessão e refinanciou as linhas de crédito de maior risco, como o cheque especial. O problema é que esses também são os produtos mais rentáveis.

Com isso, a expectativa para o lucro do maior banco privado brasileiro é de R$ 4,745 bilhões, uma alta de 12,8% na comparação com o segundo trimestre — a menor entre os bancões. O Itaú divulga o balanço no dia 3 de novembro, após o fechamento da bolsa.

Para os analistas do UBS BB, o banco deve sofrer a maior pressão na margem financeira, a linha do balanço que contabiliza as receitas dos bancos com a concessão de crédito menos os custos de captação.

Ainda assim, as ações do Itaú (ITUB4) são as favoritas do setor para os analistas. No ano, os papéis acumulam queda da ordem de 30%.

Além dos resultados, os investidores vão acompanhar de perto as movimentações em torno da sucessão no banco. Candido Bracher, o atual presidente, completa em dezembro 62 anos, idade-limite do estatuto para que um executivo permaneça no comando da instituição.

Banco do Brasil em transição

Por falar em mudança no comando, o Banco do Brasil tem novo presidente com a confirmação de André Brandão, ex-HSBC, no mês passado.

Ele deve ser questionado sobre os rumos do banco no atual cenário de pressão competitiva que vive o setor. O BB adotou a estratégia de separar e buscar sócios para algumas áreas de negócio.

Depois do IPO da unidade de seguros, com a criação da BB Seguridade, a instituição fechou uma parceria com o UBS em banco de investimento. O mercado aguarda que um movimento semelhante ocorra com a área de gestão de fundos, a BB DTVM.

O Banco do Brasil divulga os resultados do terceiro trimestre no dia 5 de novembro, antes da abertura da bolsa. Pela estimativa média dos analistas, o banco deve ter lucro de R$ 3,735 bilhões, o que representa uma alta de 16,4% no trimestre e uma redução de 12,2% na comparação anual.

“Esperamos uma inadimplência menor e possível recuperação mais rápida que o mercado”, escreveram os analistas da XP Investimentos, em relatório.

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Que bolsa é essa?

Vacina ou vírus? Ganhe nos dois cenários com este IPO na bolsa

Uma das maiores gestoras do setor imobiliário está lançando um fundo a um preço bem interessante e com potencial para pagar proventos na casa de 7% ao ano

seu dinheiro na sua noite

E essa Black Friday em ano de crise, vai dar bom?

Estamos prestes a viver uma Black Friday num ano de forte crise, em que as pessoas ficaram confinadas em casa. Definitivamente não é o melhor dos cenários para uma data tão voltada para o consumo. Por outro lado, foi na internet que a Black Friday ganhou força no Brasil, e o e-commerce deu um enorme […]

alta de 32% no ano

Parte da desvalorização maior do real se deve à dívida, diz presidente do BC

Roberto Campos Neto lembrou que o encerramento do ano é, tradicionalmente, um período de mais remessas de recursos ao exterior

fim do dia

O rali continua: Ibovespa deixa Wall Street de lado e sobe quase 20% em novembro

Ações de CVC e siderúrgicas lideram alta do índice. Dólar cai com fluxo e divulgação do dado das contas externas e juros recuam de olho em fiscal

Em pleno calendário eleitoral

Senado aprova mudanças na Lei de Falências

O projeto amplia o financiamento a empresas em recuperação judicial, permite o parcelamento e o desconto para pagamento de dívidas tributárias e possibilita aos credores apresentar plano de recuperação da empresa

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies