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2020-02-13T14:42:57-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Incorporadora

Ações da Moura Debeux quebram escrita dos IPOs e estreiam em forte queda na B3

Incorporadora vai usar dinheiro do IPO para pagar dívidas com Banco do Brasil, Bradesco BBI e Caixa Econômica, que também foram coordenadores da oferta

13 de fevereiro de 2020
14:11 - atualizado às 14:42
Representantes da Moura Dubeux, durante o toque de campainha que marca o início da oferta pública de ações
Representantes da Moura Dubeux, durante o toque de campainha que marca o início da oferta pública de ações - Imagem: Cauê Diniz

As ações da incorporadora Moura Debeux quebraram a escrita das duas primeiras estreantes da bolsa neste ano – Mitre e Locaweb – e são negociadas em queda no primeiro de negócios no pregão da B3.

No início da tarde de hoje, os papéis (MDNE3) recuavam 4,74%, cotados a R$ 18,10. Confira também a nossa cobertura de mercados hoje.

Os principais executivos e acionistas da Moura Debeux celebraram na manhã de hoje a estreia das ações da companhia no pregão da B3 após a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês).

Mas quem tem mais a comemorar, pelo menos em um primeiro momento, são os bancos coordenadores da oferta, que pode movimentar até R$ 1,25 bilhão.

O preço por ação da companhia foi definido em R$ 19, no centro da faixa indicativa, que ia de R$ 17 a R$ 21 por papel.

Os recursos captados no IPO vão integralmente para o caixa da Moura Debeux. Mas a maior parte desse dinheiro não ficará lá por muito tempo.

A empresa pretende usar 90% do valor para abater dívidas com três dos bancos que coordenaram a oferta: Banco do Brasil, Bradesco BBI e Caixa Econômica Federal. Além deles, Itaú BBA e Credit Suisse participaram da operação.

A situação da empresa parece longe de inspirar confiança. Nos nove primeiros meses de 2019, a companhia teve prejuízo líquido de R$ 68 milhões.

Para viabilizar a oferta, a família fundadora precisou aceitar uma forte diluição na participação, que passou de 99% para aproximadamente 30%.

Embora tudo pareça remar contra, a boa notícia é que o dinheiro do IPO deixa praticamente limpo o balanço da Moura Debeux, uma incorporadora tradicional e que tem uma posição forte na Região Nordeste.

O preço das ações definido na oferta também refletiu a situação mais delicada da companhia em relação a outras incorporadoras listadas. Ou seja, trata-se de uma aposta de alto risco, mas quem investiu nos papéis no IPO pagou relativamente barato e pode ganhar bastante dinheiro em um cenário de recuperação mais vigorosa da economia.

Com a queda de hoje, as ações ficam ainda mais atrativas do ponto de vista de preço, embora – vale repetir – se trate de uma aposta bem arriscada.

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