Menu
2020-01-28T15:58:33-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
entrevista

Por que o coronavírus é mais um elemento de risco à economia, segundo este especialista

Segundo o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, a doença aumenta as incertezas nos mercados; entenda

28 de janeiro de 2020
7:44 - atualizado às 15:58
china risco baixa
Imagem: Shutterstock

Por que o avanço do coronavírus é mais um elemento de risco à economia, segundo este especialista? Segundo o economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, a doença aumenta as incertezas nos mercados.

Em entrevista ao Estadão, ele afirma que o avanço do coronavírus ainda pode prejudicar a retomada do crescimento econômico em um ano iniciado de modo turbulento, com queimadas na Austrália e tensão entre Irã e Estados Unidos.

"O receio agora é que a economia mundial já está frágil e o coronavírus é mais um elemento de risco", afirma.

O tamanho do impacto na economia, porém, ainda depende da evolução do caso, acrescenta Vale. Ele lembra que, em 2003, a Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) retirou entre 0,1 e 0,5 ponto porcentual do PIB mundial.

Em relação ao Brasil, ele acredita que haverá um impacto de curto prazo, na Bolsa e no câmbio, mas que os efeitos em prazos mais longos vão depender da evolução da doença, que já matou mais de 80 pessoas na China.

Confira os principais trechos da entrevista.

Qual o possível impacto nos mercados e na economia global?

Uma doença como essa pode travar viagens internacionais, negociações e expectativas de crescimento. A China é um país muito importante e está sendo muito afetada durante o ano novo chinês, o que tem um efeito importante na economia do país. Ainda não sabemos qual a gravidade da epidemia, se vai ser parecida com a da Sars de 2003. Como está tudo muito incipiente, o clima é de incerteza.

No caso da Sars, que matou quase 800 pessoas, houve um efeito importante na economia global?

Estimativas colocam que houve diminuição do PIB global entre 0,1 e 0,5 ponto porcentual. O receio agora é que a economia mundial já está frágil, e o coronavírus é mais um elemento de risco.

Havia expectativa de que o crescimento da economia global se recuperasse em 2020, após um 2019 de desaceleração. O coronavírus é uma ameaça concreta a essa recuperação?

A gente ainda está em janeiro e já teve crise entre Irã e Estados Unidos, criando a possibilidade de um conflito mais grave e aumentando a pressão no Oriente Médio. Agora o coronavírus. Isso aumenta a incerteza em nível mundial e afeta os preços dos ativos. Dados os riscos que já temos, os efeitos do Brexit, a eleição americana no segundo semestre, a situação da economia da América Latina depois de tantas convulsões no ano passado, a Austrália com queimadas muito intensas, o início de ano não está tranquilo. Para os ativos em geral, para as Bolsas, é bastante ruim, traz mais volatilidade e a taxa de crescimento da economia tende a ser menor. Quão menor vai depender de como o coronavírus evolui.

Quais devem ser os impactos no Brasil?

O câmbio e a Bolsa acabam sendo afetados mais no curto prazo. No médio prazo, vai depender da severidade da doença. Como estamos falando principalmente de China, é natural que empresas de commodities sejam afetadas. O tamanho do impacto depende de se conter a doença, o que é imprevisível. Os mercados não gostam de coisas imprevisíveis.

Bancos internacionais já consideram que a China deverá aumentar o estímulo monetário para tentar compensar os efeitos do vírus na economia. Pode-se imaginar que o Brasil tenha de adotar uma postura semelhante, dado o cenário internacional de incerteza e possíveis ameaças ao crescimento econômico?

No Brasil ainda não. Na China sim, é mais fácil acontecer. O país ainda é afetado pela guerra comercial com os Estados Unidos. Ainda há muito para ver se o acordo entre os dois países realmente vai sair do papel. Tenho a impressão de que deve haver dificuldades para o acordo acontecer. A China terá um ano difícil, e o coronavírus só joga contra a perspectiva de crescimento por lá.

Aqui, não tanto: a atividade está indo relativamente bem, não me parece que vai ser muito afetada por isso. A inflação está controlada, e o Banco Central está tranquilo para baixar juros. A princípio a taxa de juros vai para 4,25% e eventualmente teria espaço para queda adicional. Mas isso (um corte para 4%) ocorreria mais pelo cenário interno.

*Com informações do jornal O Estado de S. Paulo e Estadão Conteúdo

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

números da pandemia

Brasil chega a 72,1 mil mortes por covid-19, diz Ministério da Saúde

Foram registrados 24.831 novos casos da doença; total chegou a 1.864.681

entrevista

‘Brasil virou pária do investimento internacional’, diz Persio Arida

Um dos signatários da carta de ex-ministros da Fazenda e do BC em defesa de uma retomada econômica “verde”, ele observa que o presidente tem feito uma “política ambiental horrenda” e na contramão do mundo

ao menos sete parlamentares

Verba de gabinete é usada para lucrar na internet

Deputados da base governista recorreram a empresas contratadas com dinheiro da cota parlamentar e assessores pagos pela Casa para gerir canais monetizados no YouTube

entrevista

‘Caminhamos para o precipício ambiental’, diz CEO da Suzano

Walter Schalka diz que a sustentabilidade tem de unir empresas e governo para que o Brasil possa virar uma potência ambiental no mundo

decisão da justiça

Ex-secretário, vereador e empresário de Marília tornam-se réus por fraudes

De acordo com o Ministério Público Federal, o grupo é acusado de corrupção ativa e passiva, peculato, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements