Menu
2020-12-08T21:42:56-03:00
Kaype Abreu
Kaype Abreu
Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.
decisão sai hoje

BC deve manter Selic a 2% em última decisão do ano, com sangue frio para 2021

Em anúncio desta quarta, autoridade monetária deve seguir com “forward guidance”; inflação impõe postura firme da instituição, que ainda tem risco fiscal no radar

9 de dezembro de 2020
5:30 - atualizado às 21:42
bc2
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, concede entrevista coletiva para apresentar os resultados de implementação da Agenda BC#. - Imagem: Agência Brasil

O Banco Central deve manter a Selic em 2% ao ano, em decisão que será anunciada nesta quarta-feira (9) — a última de 2020. A expectativa pela manutenção da taxa básica de juros é majoritária entre agentes do mercado, que falam que o próximo ano exigirá "sangue frio" da autoridade monetária.

A Selic está no atual patamar desde agosto, depois de sucessivas reduções impulsionadas pela pandemia. De lá para cá, houve duas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária), em que o BC indicou a manutenção da taxa baixa por um longo período, com o chamado "forward guidance".

A condição para a medida é a manutenção do teto de gastos, frisou a autoridade monetária em comunicados. Para o economista-chefe do Itaú, Mario Mesquita, como não houve uma mudança clara de regime fiscal, o BC deve manter a postura de reuniões anteriores.

"Esperamos a manutenção do forward guidance na sua forma atual, mas com uma indicação mais enfática de que as condicionalidades serão constantemente reavaliadas", disse em relatório. A projeção do Itaú é de Selic a 2% ao final deste ano, mas de taxa a 2,5% ao final de 2021.

Para o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a decisão do BC não deve ser muito diferente da edição passada do Copom. "Mais propício seria fazer uma mudança na linguagem na semana que vem na ata da reunião e no relatório trimestral de inflação", comenta.

O Itaú diz que será importante ver o quanto as expectativas e o cenário prospectivo de inflação serão afetados pelas pressões correntes. Para o banco, as previsões do cenário base do BC para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2020 devem aumentar de 3,10% para 4,30%.

A mudança nas estimativas para a alta de preços é um movimento que agentes do mercado já têm feito, diante da inflação de itens da cesta básica — e mais recentemente das perspectivas sobre a conta de luz, após o anúncio da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) de retomada do sistema de bandeiras tarifárias.

A edição mais recente do Boletim Focus, do BC, por exemplo, mostrou que pela primeira vez o mercado espera a inflação acima do centro da meta em 2020, a 4,21% — por outro lado, a estimativa para 2021 caiu. O próprio IPCA no acumulado de 12 meses já chega a 4,31%, segundo o IBGE em novembro.

Para o sócio economista-chefe da JF Trust Investimentos, Eduardo Velho, é óbvio que vai ter alta da inflação em dezembro pela bandeira, mas a bandeira tarifária da energia era esperada para início de 2021 — ou seja, a alta aconteceria mais cedo ou mais tarde.

"O BC pode falar que a expectativa futura de inflação vai ter desaceleração", diz Velho. Segundo o especialista, o pico da alta de preços é justificada pelo auxílio emergencial, choque do câmbio e aumento de importações chinesas — que pressionaram os preços internos.

O BC mexe na taxa de juros para alcançar a meta de inflação — definida neste ano em 4%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O efeito da mudança da taxa de juros sobre economia real leva de seis a nove meses para ocorrer.

Próximo ano em foco

O economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale, diz que a inflação vai aumentar até meados do ano que vem, quando baterá 6%, encerrando 2021 a 3,5%. O pico da alta de preços vai exigir do BC mais "sangue frio" para não fazer grandes alterações na Selic, avalia o especialista.

Velho, da JF Trust, diz que a volta do investimento estrangeiro deve ajudar a descomprimir o dólar, amenizando a inflação — "apesar da alta das commodities". A baixa da moeda americana com a entrada de dinheiro de fora já tem acontecido nas últimas semanas.

Segundo Megale, é um clima que governo e Congresso devem aproveitar — do contrário, haverá maior pressão fiscal, o que impacta diretamente o BC. “O Brasil deve aproveitar a janela de oportunidade do primeiro semestre para blindar a economia brasileira, especialmente as contas públicas”, disse em entrevista coletiva nesta segunda-feira (7).

O governo federal prevê R$ 844 bilhões de rombo nas contas públicas ao final deste ano, diante da pandemia — que deve impor uma retração econômica de 4,40% do PIB, segundo a última edição do Boletim Focus.

A mesma publicação aponta que a Selic deve terminar mesmo este ano a 2%, mas encerrar 2021 a 3%. Consulta feita pelo Projeções Broadcast, do Grupo Estado, mostra que, entre 47 instituições, todas esperam a Selic a 2,00% ao ano. Para 2021, as casas falam em desde uma taxa estável em 2,0% até um aumento dos juros a 4,75% ao ano. A mediana é de 3,0%.

Para Cruz, da RB, no final de 2021 o BC deve avaliar normalizar a taxa de juros de uma "forma benéfica". "É o caminho natural, que a maioria dos países segue", diz. "Mas se surgir alguma bobagem, como furar o teto de gastos, pode ser que o BC precise subir juros antes disso".

*Colaborou: Felipe Saturnino

Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Aceno a Biden

Na Cúpula do Clima, Bolsonaro promete zerar emissões de gases de efeito estufa até 2050

No encontro, organizado por Joe Biden, o presidente do Brasil também se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030

Nem o agro se salva

Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) engrossa a lista de IPOs adiados em 2021

A empresa, que já havia interrompido a oferta por alguns dias em janeiro, citou a “deterioração” do mercado em seu segundo adiamento

perspectivas

Temporada de balanços 1º tri: quem deve ir bem e quem ainda está mal, segundo o BofA

Empresas começam a divulgar resultados de um período marcado por lockdowns e alta dos preços das commodities; veja o que esperar

vale o que pesa?

Oi perdeu atratividade após vender fibra ótica? BTG Pactual diz que não

Para analistas, que trabalham dentro do grupo que fez a oferta pelos ativos, as ações possuem bom potencial de alta em qualquer cenário

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies