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2020-05-28T20:04:48-03:00
Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA. Trabalhou por 18 anos nas principais redações do país, como Agência Estado/Broadcast, Gazeta Mercantil e Valor Econômico. É coautor do ensaio “Plínio Marcos, a crônica dos que não têm voz" (Boitempo) e escreveu os romances “O Roteirista” (Rocco), “Abandonado” (Geração) e "Os Jogadores" (Planeta).
Politica monetária

BC só considera “imprimir dinheiro” se esgotar ferramentas contra a crise

Roberto Campos Neto disse só pretende abrir “caixa de ferramentas” do Banco Central quando não puder atuar mais via corte da taxa básica de juros (Selic)

28 de maio de 2020
20:04
Roberto Campos Neto
André Esteves e Roberto Campos Neto - Imagem: Reprodução YouTube

O Banco Central pode tomar medidas menos ortodoxas para conter os efeitos da crise do coronavírus como “imprimir dinheiro”? A resposta é não, pelo menos enquanto não se esgotar a possibilidade de atuação via cortes na taxa básica de juros (Selic).

A afirmação é do presidente do BC, Roberto Campos Neto. “A política monetária não está esgotada. Essa é a ferramenta mais importante”, ele disse hoje à noite, ao participar de uma transmissão na internet ao lado do banqueiro André Esteves, do BTG Pactual.

O BC cortou a Selic em 0,75 ponto percentual na última reunião do Copom, para 3% ao ano. Além disso, sinalizou uma nova redução de até 0,75 ponto no próximo encontro.

Mas a Selic pode cair ainda mais depois disso? Campos Neto deu poucas pistas, mas repetiu que os diretores do BC veem a existência de um limite efetivo mínimo (lower bound) para os juros no país.

Ou seja, abaixo de um determinado patamar um corte na taxa pode ter um efeito contrário para a economia. Qual é esse patamar? Campos Neto disse que a resposta depende de uma série de variáveis, como a situação fiscal e política.

Campos Neto disse que o Banco Central só pretende abrir a “caixa de ferramentas” e adotar outros instrumentos contra a crise em uma situação limite em que não puder mais atuar via política monetária.

Nesse eventual cenário de uma piora muito acentuada da crise, Campos Neto afirmou que o BC avaliou a relação custo-benefício de uma série de medidas. Ele deu a entender, contudo, que dificilmente vai "monetizar" a economia.

Alcoólatra em degustação de vinho

Esteves perguntou então ao presidente do BC se adorar uma medida de emitir dinheiro para estimular a economia não seria o equivalente a levar um ex-alcoólatra a uma “degustação de vinho” – em uma referência ao histórico inflacionário do Brasil.

“Nós entendemos que essa é uma variável perigosa porque você vai voltar para o 'wine tasting' [degustação] e vai ficar bêbado de novo”, respondeu Campos Neto.

Para o presidente do BC, esse tipo de instrumento é confortável porque tem gasto a custo presente zero, mas impõe um ônus de credibilidade para as futuras gerações. “Nem é justo para nós decidirmos ou ter direito de usar sem ter certeza de que todo o resto foi exaurido.”

Novas medidas

Campos Neto afirmou ainda que o BC vai anunciar novas medidas de estímulo ao crédito, mas não antecipou quais. Do total de R$ 1,2 trilhão do "arsenal" liberado, até o momento foram usados R$ 260 bilhões

O presidente do BC disse que é um "mito" a percepção de que os bancos estão empoçando a liquidez e não estão liberando o crédito. De todo modo, a autoridade monetária pretende "aperfeiçoar" as ações adotadas de modo a direcionar melhor os recursos, segundo Campos Neto.

Assista à íntegra da transmissão abaixo:

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