Menu
2020-02-01T14:17:56-03:00
entrevista

‘Acordo EUA-China pode reduzir exportações’, diz diretor do Itamaraty

Em entrevista, Alexandre Peña Ghisleni afirma que acordo deve obrigar o agronegócio brasileiro a redirecionar suas exportações

1 de fevereiro de 2020
14:17
img20191029115135072MED
Alexandre Peña Ghisleni em audiência pública da Câmara - Imagem: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados

O diretor do Departamento de Promoção do Agronegócio do Ministério das Relações Exteriores, Alexandre Peña Ghisleni, afirmou, em entrevista ao Estadão/Broadcast, plataforma de notícias em tempo real do Grupo Estado, que o acordo comercial entre Estados Unidos e China deve obrigar o agronegócio brasileiro a redirecionar suas exportações. Ele lembrou que a negociação entre os dois países prevê um comércio anual adicional de US$ 32 bilhões dos EUA para os chineses, o que pode prejudicar as vendas brasileiras aos orientais. A seguir, os principais trechos da entrevista.

A China é o maior cliente do agro brasileiro e sofre com um surto de coronavírus. Dá para ter uma ideia dos impactos para o comércio?

Para o comércio, ainda não. A gente vai ter de ver um pouco como evolui essa epidemia, porque já começou a afetar a circulação de pessoas. Na nossa relação com a China, a preocupação principal é saber como vai ser a administração do acordo entre os Estados Unidos e aquele país. Não está claro o que vai ser feito, como vai ser implantado o acordo. Só na área do agro, a China se comprometeu a importar US$ 32 bilhões a mais (por ano) dos Estados Unidos. Essa é uma questão que a gente está acompanhando com interesse, porque vai repercutir no comércio agrícola internacional de uma maneira geral. Se os Estados Unidos forem efetivamente vender US$ 32 bilhões a mais, eles têm capacidade de produzir tudo isso? Ou vão redirecionar as vendas? Se eles redirecionarem, quais são os mercados em que nós vamos poder entrar no lugar dos Estados Unidos? Você pode ter um rearranjo de relações comerciais muito grande.

Esse rearranjo pode ser bom para o Brasil, porque o País pode ampliar o destino dos produtos de agronegócio e ficar menos dependente da China.

É difícil, mas talvez até seja um efeito colateral positivo desse acordo. Veja, 86% da soja brasileira estava sendo exportada para a China. Uma área em que pode haver expansão das exportações americanas para a China para poder chegar a US$ 32 bilhões é a soja. Essa é tipicamente uma área em que teríamos interesse em recuperar o mercado que os americanos vão abrir. Diversificação, nesse caso, é uma questão muito importante. Isso também tem a ver com a abertura de mercados, que é uma preocupação nossa. Não só a diversidade da pauta, mas dos exportadores.
A preocupação do ministro Ernesto Araújo é o fato de que a nossa relação comercial esteja concentrada em alguns poucos parceiros. A China, apesar da redução de crescimento, ainda está crescendo mais de 5% ao ano. Digamos que houvesse uma recessão, o que na história econômica dos países é algo normal. Então, o que aconteceria com o quadro brasileiro?

O Sudeste Asiático, com uma população gigantesca, seria um caminho?

Quando se fala em novos parceiros, você vê o Oriente Médio, que se tornou muito importante na parte de proteína animal. O Sudeste Asiático é uma área em que temos potencial de expansão muito grande para a Indonésia, as Filipinas. Até no Vietnã estamos abrindo mercado. Uma coisa que joga em nosso favor, uma das principais vantagens de se ter assinado o acordo entre Mercosul e União Europeia, é ter o selo de qualidade. Ou seja, quando você diz a determinado parceiro que o seu produto é aceito pela União Europeia, isso aumenta o grau de dificuldade para o outro lado dizer que não vai aceitar. Isso abre portas para a gente.

Não dá para criar barreira técnica, não tarifária, certo?

Vai precisar de mais imaginação para criar barreiras, vai precisar de um esforço maior para fazer isso. A China vai continuar sendo um grande parceiro e é provável que continue o nosso maior parceiro. Mas, se você olhar o crescimento quase exponencial nos últimos anos, nosso cenário provável para este ano, dependendo de como for a admnistração desse acordo entre os EUA e a China, vai ser, com sorte, a estagnação. Mas mais provavelmente haverá uma redução.

O presidente Bolsonaro anunciou o Conselho da Amazônia, com intuito de mostrar ao mundo que o Brasil está agindo pelo meio ambiente. Na visão do senhor, qual é a importância de passar essa mensagem para o agronegócio?

Essa é uma das questões mais sensíveis que existem. Lendo a imprensa internacional, o agro está destruindo a Amazônia. A gente tem tentando levar para a Europa, por meio das embaixadas e consulados, esclarecimentos de que não são os exportadores brasileiros que estão destruindo a Amazônia.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Números atualizados

País tem 201 mortes por coronavírus e 5.717 casos

Casos confirmados chegam a 5.717, segundo boletim

Novo pronunciamento

Em novo pronunciamento, Bolsonaro diz que ‘todo indivíduo importa’, mas desemprego tem de ser evitado

Presidente voltou nesta terça-feira (31) à rede nacional para se pronunciar sobre a pandemia do novo coronavírus. Segundo o presidente, “todo indíviduo importa”, mas, ao mesmo tempo, a perda de empregos tem de ser evitada em meio à crise

Plano de negócios

Eletrobras prevê investimento de R$ 32,4 bilhões de 2020 a 2024

Segundo o documento, para 2020 está previsto um investimento de R$ 5,285 bilhões. Para o ano que vem, está prevista a cifra de R$ 6,7 bilhões

Sem tensão

Bolsonaro indica que Mandetta está mantido no cargo e não assina voucher nesta 3ª

O presidente Jair Bolsonaro amenizou o clima de tensão vivido nos últimos dias com o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

Renúncia

Petrobras informa renúncia de membro do Conselho de Administração

Segundo a estatal, a eleição de todo o Conselho de Administração para um novo mandato será deliberada na Assembleia Geral Ordinária da companhia prevista para 27 de abril.

Seu Dinheiro na sua noite

O 7 a 1 da bolsa no trimestre

No dia 2 de janeiro, primeiro pregão da bolsa em 2020, o Ibovespa marcou uma alta de 2,53% e atingiu a maior pontuação de fechamento até então, aos 118.573 pontos. Era um começo promissor para um ano que tinha tudo para marcar o processo de retomada da economia (ainda que em ritmo de carro com […]

Quase tudo no vermelho

Não vai subir ninguém! (Quer dizer, só o dólar.) Veja o balanço dos investimentos no mês de março

Neste histórico mês de março, quase todos os ativos caíram. Só o dólar e a renda fixa mais conservadora se salvaram

Deadline estendido

MP amplia prazos para empresas durante pandemia

O governo federal atendeu ao apelo de empresas e adiou o prazo para a realização das assembleias gerais ordinárias (AGOs) anuais por MP

Queda vertiginosa

Ibovespa desaba 29,9% em março e tem o pior desempenho mensal desde 1998

O Ibovespa saiu do nível dos 100 mil pontos e encerrou o mês perto dos 70 mil, fortemente impactado pela crise do coronavírus e pela guerra de preços do petróleo. O dólar disparou e foi a R$ 5,19, renovando mais recordes nominais

Pacote único

Senado vota amanhã pacote único com medidas sociais durante pandemia

Senado decidiu elaborar um pacote único com medidas sociais para combater o novo coronavírus no País; decisão foi tomada em reunião de líderes partidários

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements