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Por que preço baixo não é sinônimo de bom negócio na bolsa

Você considera um bom negócio comprar uma camisa de grife com um desconto de 20% para o preço que está na etiqueta? E se a camisa estiver furada?

22 de maio de 2020
5:35 - atualizado às 9:27
camiseta velha
Imagem: Shutterstock

H: Fala Ruyzão, beleza?

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R: Opa, tudo tranquilo.

H: Você trabalha na Empiricus, não é?

R: Sim, trabalho lá, por quê?

H: Fazia muito tempo que eu estava com uma grana parada na minha conta, criando coragem para investir...

R: Aham...

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H: Aí a bolsa desabou e eu finalmente decidi usar tudo para comprar ações... Mas toda vez que eu abro o YouTube, o Felipe Miranda aparece dizendo que a bolsa não está nem um pouco barata.

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R: Sim, é verdade

H: Eu não consigo entender. A bolsa não está caindo mais de 20% no ano?

Indissociáveis

Você já deve ter visto que uma ação nada mais é do que uma fração do capital social de uma companhia.

À primeira vista parece meio complicado, mas isso significa apenas que uma ação é uma parcela de uma empresa. Como tal, sua cotação deveria acompanhar a evolução dos fundamentos da própria companhia no longo prazo.

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O problema é que muita gente continua tratando as ações como se fossem entidades totalmente dissociadas dos fundamentos das companhias.

O sujeito compra a ação porque "acha que ela vai subir" ou porque sonhou com o ticker na noite anterior, não porque acredita que a companhia vai dobrar as vendas no ano seguinte.

Quando investidores esquecem a relação entre o preço da ação e a qualidade da companhia, eles se colocam em enormes enrascadas.

20% de desconto numa camisa (furada)

Quando meu amigo me perguntou se a queda no preço das ações não significava um desconto imperdível de 20%, eu o questionei de volta:

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"Você considera um bom negócio comprar uma camisa de grife com um desconto de 20% para o preço que está na etiqueta?"

A resposta: "É claro que sim".

"Está certo! Agora, você continuaria achando esse um descontão se a camisa em questão estivesse furada?"

Pague um pouco menos, leve muito menos

Olhar apenas para os preços é um erro de julgamento comum que leva muita gente a fazer péssimos negócios – isso serve para a bolsa e para a vida.

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O que importa é a relação entre o custo e o benefício de um bem. Como vimos no exemplo da camisa, preços em queda não necessariamente significam bons descontos.

Se a qualidade do produto caiu mais do que o preço, corre-se o risco de fazer um péssimo negócio mesmo pagando menos.

O engraçado é que isso é intuitivo para assuntos mais "palpáveis". Entendemos muito bem esse conceito de custo-benefício falando sobre camisa, apartamentos, carros... mas quando o assunto é ações, as coisas sempre parecem mais confusas. 

Assim como eu falei no início do texto, o problema surge porque, inconscientemente, teimamos em separar o preço das ações dos fundamentos das empresas.

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O índice do custo-benefício

Uma das maneiras de se avaliar a relação custo-benefício das ações é através do índice "preço/lucro".

A conta é simples: divide-se o preço atual da ação pelo lucro anual da companhia. Quanto menor é essa a razão, mais barato está se pagando pelos resultados dela.

Vamos supor que a ação da Camisaria  S. A. negociava a R$ 10 no fim de 2019, e o lucro por ação naquele ano foi de R$ 2. Nesse caso tínhamos:

Nesse ritmo, você precisaria de 5 anos para recuperar o dinheiro investido na companhia.

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Mas no meio do caminho apareceu uma pandemia que fechou todas as suas lojas, fez o preço da ação cair 20% (para R$ 8), e as perspectivas de lucro para o ano de 2020 desabarem para R$ 1 (metade do que era antes).

Com as novas premissas, o índice seria:

No exemplo da Camisaria S. A., mesmo valendo 20% menos na bolsa, as ações estão efetivamente mais caras, porque o custo benefício está muito pior. Você precisaria de 8 anos para recuperar o dinheiro investido nela.

O mais importante é atravessar a tempestade

É verdade que a bolsa caiu 20%, mas o cenário piorou ainda mais. O risco-retorno de maneira geral nos parece menos favorável agora.

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Ainda não sabemos por quanto tempo o comércio ficará fechado nas principais capitais, qual será a velocidade de retomada da atividade econômica, e quais serão os níveis de desemprego, confiança de consumidores e de empresários quando tudo isso terminar.

E, para piorar, todos esses fatores desconhecidos acontecem em um momento em que vivemos uma situação fiscal e política bastante delicada.

Dada todas essas dificuldades e incertezas, o cenário atual pede muita cautela e muita agilidade nos ajustes de carteira.

Foi pensando nisso que o Felipe Miranda decidiu fazer este pronunciamento, no qual ele põe na mesa todos os riscos e, mais importante,  como se proteger deles.

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Além disso, ele também mostra como aproveitar algumas oportunidades pontuais que podem surgir em meio à turbulência. Tudo isso com um acompanhamento diário, muito útil para guiar você neste momento de incerteza. Se quiser conferir, basta acessar aqui.

E da próxima vez que alguém te oferecer um produto pela metade do preço, lembre-se de que a queda no preço não necessariamente significa um belo desconto.

Um grande abraço e até a próxima!

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