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Por que tabelar os juros dos bancos é uma má ideia

4 de agosto de 2020
19:31 - atualizado às 14:13
Selo O Melhor do Seu Dinheiro; investimentos
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Uma das minhas memórias econômicas mais antigas remete ao Plano Cruzado. Na flor dos meus oito anos, eu nada entendia sobre aquela nova moeda, muito menos do congelamento de preços imposto pelo governo para combater a inflação galopante.

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Tudo o que eu sabia era que minha mãe havia se tornado uma das “fiscais do Sarney”, como ficaram conhecidas as pessoas que passaram a frequentar os supermercados para conferir se algum comerciante mal intencionado havia feito reajustes indevidos.

Com a ajuda ou não da fiscalização informal, os preços inicialmente não aumentaram. Mas com o tempo os produtos começaram a desaparecer das prateleiras. Foi o prenúncio do colapso do plano, que levou a uma nova onda de hiperinflação que só foi debelada com o Plano Real.

Apesar da experiência desastrosa do Cruzado, vira e mexe a economia brasileira é assombrada com novas tentativas de tabelamento de preços. No governo Dilma, a política de controle dos reajustes dos combustíveis — ao lado da corrupção revelada pela Lava Jato — quase quebrou a Petrobras.

Com a crise do coronavírus, o Congresso voltou a falar em tabelamento, mas desta vez o alvo são os bancos. O Senado deve votar nesta quinta-feira o projeto que limita os juros do cheque especial e do cartão de crédito em 30% ao ano até dezembro.

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A intenção pode ser nobre, mas a medida pode ter o mesmo efeito do congelamento de preços dos anos 1980. Se os bancos entenderem que a taxa tabelada não compensa o risco de crédito simplesmente vão parar de emprestar, o que poderia ter um efeito ainda mais desastroso que os juros altos.

Leia Também

O avanço do projeto, que foi pautado para votação nesta semana, derrubou as ações dos bancos e também o Ibovespa, em um dia que já não era favorável graças à reação negativa ao balanço do Itaú. Confira os destaques do mercado na cobertura do Ricardo Gozzi.

EMPRESAS

 Em um megaleilão relâmpago realizado na manhã de hoje na bolsa, o BNDES vendeu parte de suas ações da Vale. A operação movimentou pouco mais de R$ 8 bilhões.

 Após a briga com a XP Investimentos, o presidente do Itaú Unibanco, Candido Bracher, recebeu a decisão da corretora de mudar a forma de cobrança dos clientes com um gostinho de satisfação. Confira o que disse o executivo do bancão.

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A incorporadora You Inc recuou da ideia de um IPO citando a conjuntura do mercado como o motivo. Segundo a empresa, os pedidos de reserva da oferta de ações haviam superado o valor de R$ 489 milhões.

ECONOMIA

 Melhorou, mas ainda está ruim. A produção industrial cresceu 8,9% em junho, puxada pela alta na produção de veículos. No acumulado no ano, porém, o tombo da indústria ainda supera os 10%.

 Paulo Guedes apresentou ao presidente Jair Bolsonaro um plano para diminuir as resistências no Congresso à criação de novo imposto sobre transações digitais. Saiba qual é a ideia do ministro.

 O PIB do Brasil registrou uma contração de 11,2% no segundo trimestre de 2020, apontou prévia da FGV. Segundo o levantamento, o tombo de abril foi o responsável pelo desempenho negativo no período.

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MERCADOS

 O ouro continua a todo vapor no mercado internacional. Os preços do metal dourado romperam uma importante barreira psicológica pela primeira vez na história. Confira a quanto fechou a commodity hoje.

 O Copom define amanhã o futuro da Selic, que já está nas mínimas. Será a morte da renda fixa? Calma lá! O nosso colunista Felipe Miranda espera, ao contrário, o nascimento de uma nova renda fixa com a consolidação dos juros baixos.

Este artigo foi publicado primeiramente no "Seu Dinheiro na sua noite", a newsletter diária do Seu Dinheiro. Para receber esse conteúdo no seu e-mail, cadastre-se gratuitamente neste link.

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