Recurso Exclusivo para
membros SD Select.

Gratuito

O SD Select é uma área de conteúdos extras selecionados pelo Seu Dinheiro para seus leitores.

Esse espaço é um complemento às notícias do site.

Você terá acesso DE GRAÇA a:

  • Reportagens especiais
  • Relatórios e conteúdos cortesia
  • Recurso de favoritar notícias
  • eBooks
  • Cursos

Tolstói, Azevedos e Queiroz: como investir em uma crise para chamar de sua

Assim como em Anna Kariênina, em que “todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, cada crise tem sua especificidade

16 de junho de 2020
5:29 - atualizado às 13:32
Banquete aristocrático. Ilustração pelo artista Zahar Pichugin do livro “Leo Tolstoy “Anna Karenina”, editor - “Parceria Sytin”, Moscou, Rússia, 1914. - Imagem: Shutterstock

Recentemente, um brilhante financista brasileiro fez uma referência maravilhosa para o momento atual. No resgate, nos foi relembrada a obra de arte do escritor russo Liev Tolstói, "Anna Kariênina", em que a seguinte ideia é transmitida: “todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A história de Anna Kariênina é um romance realista bem trágico, na verdade. Eu, particularmente, gosto bastante de romances sombrios, trágicos ou realistas. Qualquer um para mim serve, desde Álvares de Azevedo (segunda geração do romantismo brasileiro) até Aluísio Azevedo (realismo naturalista brasileiro), com o devido destaque a Eça de Queiroz (realismo português). Cada qual com seu próprio brilhantismo literário, em diferentes vertentes da arte.

Voltando ao assunto, o ponto é que, assim como em Kariênina, em que "todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”, na nossa realidade concreta, a maior parte dos bull markets (mercados de alta) são semelhantes, mas cada crise e seu respectivo bear market (mercado de baixa) tem sua especificidade. A crise de agora, por exemplo, é bem diferente da de 2008.

Aliás, em termos de reação das autoridades monetárias, até podemos verificar suposto paralelo interessante, uma vez que os bancos centrais estão imprimindo dinheiro como se não houvesse amanhã.

A diferença é que agora adentramos mares nunca dantes navegados diante de uma injeção de liquidez sem precedentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Mas o que isso significa para o seu bolso?

Acredito que, imediatamente, podemos notar uma verificável relação entre a performance dos ativos de risco americanos e o crescimento do balanço do Fed. Note que, mimetizando as demais atuações da autoridade, o quarto QE (quantitative easing, ou afrouxamento quantitativo) levará a compra de ativos pela instituição para patamares nunca antes testados.

Leia Também

Evidentemente, assim como o primeiro (azul), o segundo (amarelo) e o terceiro (verde), o quarto programa de compra de ativos terá efeito considerável sobre os índices de renda variável.

Ao mesmo tempo, verificamos no espaçamento de 2018 a 2019, em bege, uma não ignorável maior sensibilidade dos agentes para com a tomada de decisão do banco central.

Isto é, ficamos viciados em liquidez e democratizamos os custos da crise atual com as gerações futuras – não sei como isto pode ter um entendimento positivo, mas as Bolsas continuam subindo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Bastou o Fed sinalizar uma alta da taxa de juros além da precificada que o mercado entrou em pânico. 2018 inteiro foi tomado de discussões de política monetária, para, ao final do ano, testemunharmos o que se chamou de "flash crash” - aperitivo para a recente hecatombe.

Assim, as subsequentes altas dos índices enviesados por empresas de tecnologia ainda não me dão a confiança para cantar vitória. Os riscos ainda rondam o mercado. A economia real está bastante avariada e as expectativas são de desemprego acima de 5% nos EUA até 2022. Gostaria de chamar atenção para as medianas do primeiro grupo de colunas da tabela abaixo, com as expectativas para a economia estadunidense.

As autoridades americanas já se pronunciaram no sentido de que os empregos perdidos talvez sejam permanentes, deixando ainda mais difícil uma recuperação consistente da economia.

Pode não parecer, mas os agentes ficam assustados quando uma entidade como o Fed aponta para tal direção, abalando o chão de muita gente que ainda esperava uma recuperação dos patamares elevados de antes no mesmo ritmo de crescimento da última década.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A verdade é que o mundo está muito mais incerto e complexo, envolto em uma dinâmica muito mais acelerada e eficiente. Se não tivermos cuidado, poderemos enfrentar dificuldades em relação à potencial volatilidade. Por exemplo, nem mesmo a expectativa de manutenção da taxa de juros no mesmo patamar ou a inflação abaixo de 2% até 2022 tem ajudado a trazer otimismo para os agentes.

A volatilidade tem se tornado cada vez mais latente. Se antes era normal, hoje se tornou inevitável – possibilidade aqui de debates na fronteira do conhecimento, tanto na condução da política monetária, como nas teorias de finanças.

A questão monetária, inclusive, tem sido aquecida no sentido da Teoria Monetária Moderna (TMM). Em linhas gerais, a tese se posiciona em relação à capacidade de endividamento dos governos, em que países com suposta boa capacidade de pagamento poderiam se endividar na própria moeda se precisar se preocupar com déficits, desde que atuem para o preenchimento de suposto gap na oferta agregada.

Assim, sempre que houver alguma fraqueza de demanda, o governo teria liberdade de emitir sua própria moeda e endividar-se indefinidamente uma vez que ele poderia emitir mais moeda para pagar a própria dívida. Já temos visto isso parcialmente por meio dos QEs (primeira imagem), apesar de não ter havido ainda, pragmaticamente, uma monetização completa da dívida dos países desenvolvidos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Ora, mesmo que a teoria esteja correta, é um pouco difícil verificar aplicabilidade dela em países emergentes. Em artigo muito interessante, a Capital Economics sinaliza para saída de países emergentes, os quais possuem menos folga fiscal e monetária (cobertor curto), como sendo três possíveis:

  1. austeridade;
  2. inflação;
  3. default.

Abaixo, a classificação.

Note que austeridade no Brasil, por mais que necessária, se trata de um caminho cada vez obscuro, uma vez que a questão política em terras tupiniquins se abalou significativamente em 2020. Para quem não viu, a saída de Mansueto Almeida, ainda que não barulhenta, é problemática e pode comprometer a rota antes proposta. Ou seja, as reformas estruturais  no âmbito fiscal e de produtividade estariam cada vez mais distantes.

Trata-se de um mercado doente. Mesmo com incerteza, continua subindo, muito por conta da liquidez.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

E qual a solução?

Tem duas abordagens aqui. A primeira é a inevitável necessidade de surfarmos a onda de liquidez vigente, ao menos em partes. Nesse caso, muito associada com minha coluna de semana passada, temos que ter um pouco de ações de tecnologia, porque elas têm se consolidado como as grandes companhia do setor. Podemos projetar um Barbell Strategy para a questão.

Por exemplo: alocar de 15% a 25% em ações, sendo que 75% seria composto por nomes fortes, ligados a valor (value), e os outros 25% relacionados com growth, pautado em tecnologia.

Em segundo lugar, permaneço na proposta de internacionalização de 15% do patrimônio e criação de 10% do total em proteções. Asset allocation parece ser a única saída para se valer de assimetrias convidativas de maneira consistente em uma ambiente tão incerto e opaco como o atual.

Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas. 

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Na Empiricus, a série Palavra do Estrategista, best-seller tocado pelo Estrategista-Chefe e Sócio-Fundador da casa de análise, Felipe Miranda, tem se mostrado mais do que adequada para acompanhar os investidores na contemporaneidade. Fica aqui meu convite para conferir a publicação, que custa R$ 5 ao mês e você pode acessar por 7 dias sem compromisso.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
RECICLANDO O PORTFÓLIO

LOG (LOGG3) fecha maior venda da história com acordo de R$ 1,02 bilhão com FII do Itaú; veja os detalhes da operação

4 de maio de 2026 - 10:05

A operação envolve a alienação de 11 empreendimentos logísticos e reforça a estratégia de reciclagem de portfólio da companhia

SADIA HALAL

IPO de US$ 2 bilhões a caminho: MBRF (MBRF3) dá passo final para colocar uma gigante na bolsa; veja detalhes

4 de maio de 2026 - 9:11

A companhia anunciou que concluiu o acordo com o fundo soberano da Arábia Saudita para criação da Sadia Halal. O próximo passo é o IPO na bolsa de lá, com valor de mercado estimado ultrapassando os US$ 2 bilhões

NOVAS MÁXIMAS

Bolsas de NY renovam recordes com esperança em relação à guerra no Irã; Nasdaq fecha acima dos 25 mil pontos pela primeira vez

1 de maio de 2026 - 18:26

Balanços corporativos também mexeram com índices de ações norte-americanos; petróleo caiu com possível acordo entre Irã e EUA

SOBE E DESCE

Duas siderúrgicas e um estranho no ninho: o que levou Usiminas (USIM5), Hapvida (HAPV3) e Gerdau (GGBR4) às maiores altas do Ibovespa em abril?

1 de maio de 2026 - 15:32

Já o carro das ações com pior desempenho foi puxado pela MBRF; veja os rankings completos das melhores e piores ações do mês

MAÇÃ DE OURO

Ação da Apple (AAPL) sobe depois de alta de quase 20% no lucro com sucesso do iPhone 17; saiba qual é o risco no horizonte

1 de maio de 2026 - 11:48

A falta de chips não é o único obstáculo da inteligência artificial para as empresas de tecnologia, que mostram que a corrida pela IA vai custar caro

SD ENTREVISTA

Bolsa brasileira não está barata, mas vale a pena pagar mais caro por boas empresas, afirma gestor da Itaú Asset

30 de abril de 2026 - 16:05

Ao Seu Dinheiro, Rodrigo Koch, responsável pelas estratégias de ações da família Optimus, explica por que trocou a busca por “barganhas” pela segurança da liquidez

INADIMPLÊNCIA NO ARRANHA-CÉU

FII BMLC11 leva calote e move ação de despejo contra locatária do prédio mais alto do RJ; entenda os impactos nos dividendos

30 de abril de 2026 - 11:40

O espaço ocupado pela empresa representa cerca de 2% da área bruta locável (ABL) do BMLC11, o que limita o impacto operacional

RENDA EXTRA PARA COMPRAS

Iguatemi (IGTI11) prevê investimentos e dividendos milionários para 2026; confira o anúncio da operadora de shopping centers

30 de abril de 2026 - 11:01

A Iguatemi publica seu balanço do primeiro trimestre de 2026 (1T26) em 5 de maio e pode apresentar, de acordo com o Itaú BBA, crescimento de 9,6% na receita líquida

PRESSÃO TOTAL

O dia em que o otimismo evaporou da bolsa, fez o Ibovespa fechar no pior nível em um mês e Nova York sucumbir

29 de abril de 2026 - 17:53

No câmbio, o dólar à vista fechou em alta, voltando a ficar acima dos R$ 5,00; confira o que mexeu com os mercados nesta quarta-feira (29)

JOIA RARA

Bradsaúde (ODPV3) faz olhos do Itaú BBA brilharem, que eleva a recomendação para compra; mas entenda qual é o risco

29 de abril de 2026 - 15:45

O Itaú BBA acredita que é uma uma operadora líder geradora de caixa, investimentos hospitalares de alto retorno e um perfil atrativo de dividendos

TOUROS E URSOS #268

O dólar está ‘no limite’? Por que este gestor especialista em câmbio não vê muito mais espaço para queda

29 de abril de 2026 - 14:30

Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, participou da edição desta semana do podcast Touros e Ursos. Para ele, a moeda norte-americana já se aproxima de um piso e tende a encontrar resistência para cair muito além dos níveis atuais

AUMENTOU A VACÂNCIA

Fundo imobiliário perde inquilina que responde por 16% da receita; confira os impactos no bolso dos cotistas

29 de abril de 2026 - 10:46

Os espaços que serão devolvidos pela inquilina representam, aproximadamente, 11,7% da área bruta locável (ABL) do portfólio do HOFC11

LOGÍSTICA DAY

Nova casa do Mercado Livre: FII do BTG Pactual entrega maior galpão built-to-suit da América Latina; confira os detalhes do novo espaço

28 de abril de 2026 - 18:02

O imóvel é o primeiro ativo de desenvolvimento (greenfield) realizado pela plataforma logística do BTG Pactual

O DÓLAR VAI DERRETER?

Nem Lula, nem Flávio Bolsonaro: o vencedor nas pesquisas eleitorais é o real — e Citi monta estratégia para lucrar com o câmbio

28 de abril de 2026 - 17:08

Enquanto o mercado teme a urna, o banco norte-americano vê oportunidade; entenda a estratégia para apostar na valorização do real diante do cenário eleitoral acirrado no Brasil

VEJA DETALHES

IPO de até R$ 5 bilhões: Compass confirma oferta de ações que ‘sairão do bolso’ dos acionistas, incluindo a Cosan (CSAN3)

28 de abril de 2026 - 9:02

Operação será 100% secundária, o que significa que o dinheiro não entrará no caixa da empresa e, sim, no bolso dos acionistas vendedores, e pode envolver inicialmente 89,28 milhões de ações, com possibilidade de ampliação conforme a demanda

A GEOPOLÍTICA DO DINHEIRO

O dólar mais baixo veio para ficar? Inter corta projeção para 2026 e recalibra cenário de juros e inflação

27 de abril de 2026 - 20:09

Moeda norte-americana perde força globalmente, enquanto petróleo elevado e tensões no Oriente Médio pressionam inflação e limitam cortes de juros; confira as projeções do banco

CONTRATO DE EVENTO

B3 estreia 6 novos contratos de eventos: saiba como funcionam os “derivativos simplificados” de Ibovespa, dólar e bitcoin

27 de abril de 2026 - 19:15

O Seu Dinheiro explica de forma simples como funciona essa forma de operar derivativos com risco limitado

ALUGUEL DE AÇÕES EM DISPARADA

Às vésperas de eleição decisiva na Hapvida (HAPV3), controladores ‘mostram os dentes’ para defender o poder na empresa

27 de abril de 2026 - 18:45

Com aluguel de ações disparando, o movimento que normalmente indicaria pressão vendedora revela, na verdade, uma disputa silenciosa por poder, em que papéis são utilizados como instrumento para ampliar influência na assembleia que decidirá o futuro do conselho

OFERTA PÚBLICA DE AQUISIÇÃO

Sabesp (SBSP3) quer a Emae só para si: com oferta na mesa, EMAE4 dispara até 20% fora do Ibovespa

27 de abril de 2026 - 12:25

As ações da Emae saltam após a confirmação de que a Sabesp, acionista controladora, quer adquirir a totalidade das ações por R$ 61,83 por papel

RESUMO SEMANAL

Estrangeiros de saída do Ibovespa? Bolsa cai 2,8% na semana, mas Hapvida (HAPV3) brilha e dispara 15%

25 de abril de 2026 - 11:32

Nos últimos sete pregões, o saldo do investidor estrangeiro foi de saída líquida de cerca de R$ 3 bilhões

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar
Jul.ia
Jul.ia
Jul.ia

Olá, Eu sou a Jul.ia, Posso te ajudar com seu IR 2026?

FAÇA SUA PERGUNTA
Dúvidas sobre IR 2026?
FAÇA SUA PERGUNTA
Jul.ia
Jul.ia