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Venho trazendo a necessidade de alocação em ativos protetivos, como ouro e dólar. A ideia era que esta parcela do portfólio não ultrapassasse 15% do total. Mas minha percepção mudou
Em resposta ao envolvimento dos EUA à Guerra do Yom Kippur, fornecendo armas para Israel se defender da campanha militar lançada pela Síria e pelo Egito, a OPAEP (Organização dos Países Árabes Exportadores de Petróleo) anunciou, em 1973, o embargo do petróleo contra os americanos e diversos de seus pares, como o Canadá e o Reino Unido.
Estavam lançadas as bases para o que ficou conhecido como o primeiro choque do petróleo.
Os preços avançaram, à época, de US$ 3 por barril para US$ 12. A pressão global foi sentida de imediato, com consequências de longo prazo marcantes. O efeito dominó proporcionado pelo evento descrito acima com certa brevidade norteou boa parte da política econômica da década de 70 e da próxima.
Hoje, quase 50 anos depois, nos deparamos com mais um imbróglio global pautado pelo preço do sangue negro.
Não é de se surpreender.
Afinal, se trata de um dos principais preços do mundo. As melhores cabeças do mercado financeiro acompanham minuto a minuto os desdobramentos de intrigas envolvendo o petróleo e, paralelamente, traçam diferentes cenários com uma frequência absurda.
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A conjuntura atual, contudo, proporcionou um estresse a mais.
Devido ao coronavírus, já partíamos de uma situação global delicada, com demanda agregada retraída, comprometendo o consumo.
Veja bem, temos restrições de circulação, interrupção de eventos de massa, paralisações de fábricas e etc. Tudo isso tem um efeito cascata para a atividade econômica.
A fragilidade vigente somou-se à quebra das cadeias produtivas, interrompidas ao redor do mundo.
Agora, para melhorar ainda mais a situação, temos um choque de oferta, com impactos tenebrosos no preço.
Com a queda do fim de semana, o preço do barril de petróleo Brent já acumula baixa da ordem de 50% em 2020, negociando ao redor dos 35 reais.
O Goldman Sachs reduziu a sua projeção de preço para o Brent ao patamar dos US$ 30 por barril até o terceiro trimestre do ano, considerando ainda a possibilidade de queda adicional rumo aos US$ 20.
Adianto: sim.
É, bastante.
Não quero também causar alarde ao leitor mais ansioso. Vale lembrar que ainda estou otimista com o Brasil e tenho separado boas assimetrias, no meu entendimento, que deram oportunidade de compra com a queda recente dos ativos de risco.
Desejo, contudo, deixar claro que hoje existe sobre a mesa um risco de cauda antes inexistente: a chance de uma mini crise de crédito nos EUA.
Por mais que seja possível argumentar que um petróleo barato pudesse ser benéfico para a economia mundial, uma vez que consumidores e empresas estariam expostos a custos menores, dificilmente um impacto súbito de tamanha amplitude será bem recebido pelos mercados.
Resultado? Bolsa brasileira cai mais de de 10% e ativa seu “circuit breaker”.
Bolsa globais fazem da mesma forma, caindo grotescamente algo como 7% ou mais.
Desde o início do atual bull market brasileiro, convivemos com várias momentos pontuais de maior estresse. Faz parte do jogo. O importante aqui é controlar o emocional e se disciplinar perante sua própria alocação global.
O fator comportamental é um dos atributos de maior valor para o investidor de sucesso no longo prazo.
Notadamente, não acredito que nosso bull market esteja fadado ao fim. Entretanto, como disse, há um elemento novo na conta: com a queda dos preços do petróleo, num momento de prévia fraqueza da economia global (coronavírus), nasce um risco de uma mini crise de crédito.
Isso se liga à problemática relacionada com toda a cadeia adjacente ou paralela ao petróleo, em particular às empresas mais alavancadas, com severa evolução da chance de defaults.
Não acredito que estejamos diante uma outra crise do sub-prime, mas também não podemos minimizar a probabilidade uma consequente pequena recessão.
Com isso, como a matriz de risco e retorno se alterou, precisamos também alterar nossa alocação patrimonial.
Desde que me concederam um espaço semanal por aqui, venho trazendo a necessidade de alocação em ativos protetivos, como ouro e dólar. Contudo, a ideia era que esta parcela do portfólio não ultrapassasse 15% do total.
Tal percepção mudou.
Agora, nós aqui da Empiricus entendemos que seja pertinente um aumento nessa posição, para algo em torno de 30% do portfólio. Metade para ouro (de preferência dolarizado) e a outra metade para moeda forte, no caso dólar - sim, ainda existe espaço para depreciação adicional do real.
Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Ontem, fizemos diversas mudanças na Carteira Empiricus, muito no sentido de proteger os portfólios para os tempos mais turbulentos atuais.Quem acompanha a carteira do Felipe Miranda, Estrategista-Chefe da Empiricus, tem conseguido se proteger muito bem diante das subsequentes quedas da Bolsa brasileira. Convido-os a verificar o nosso conteúdo, pois tenho certeza de que não irá se arrepender.
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