Os segredos da bolsa: Vale e outras ações para ficar atento nesta semana
Tradicionalmente, o mês de janeiro costuma ser mais tranquilo para os mercados financeiros: afinal, Brasília ainda está em recesso e o noticiário corporativo fica praticamente às moscas — o que, sob condições normais, dá um certo tom de monotonia às negociações. Leia também [Patrocinado]: as melhores ações para quem quer ganhar dinheiro em 2020 Só […]

Tradicionalmente, o mês de janeiro costuma ser mais tranquilo para os mercados financeiros: afinal, Brasília ainda está em recesso e o noticiário corporativo fica praticamente às moscas — o que, sob condições normais, dá um certo tom de monotonia às negociações.
- Leia também [Patrocinado]: as melhores ações para quem quer ganhar dinheiro em 2020
Só que 2020 não tem respeitado essa tradição. Afinal, logo nos primeiros dias do ano, um fator de risco importante apareceu no radar dos investidores: as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã. A onda de turbulência que tomou conta do Oriente Médio jogou por terra a calmaria típica de janeiro.
Por mais que os atritos entre Washington e Teerã tenham diminuído nos últimos dias, o tema ainda continuará rondando a cabeça dos agentes financeiros por um bom tempo — e qualquer movimentação mais agressiva na região pode desencadear uma onda de cautela nas bolsas e mercados globais.
Mas, além do risco geopolítico, outros fatores de estresse começam a surgir no horizonte dos mercados, com potencial para causar oscilações no câmbio e nas praças acionárias. A começar pelas relações comerciais entre EUA e China — um tema que andava meio esquecido.
A semana será decisiva para a guerra comercial entre americanos e chineses e, assim, é de se esperar volatilidade nos ativos ligados ao comércio internacional, como os papéis da Vale e das siderúrgicas.
Por fim, a agenda econômica doméstica também ganha destaque nos próximos dias, especialmente após os mais recentes dados de produção industrial e inflação trazerem cautela aos investidores.
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Eu vou destrinchar esses e outros segredos da bolsa e explicar quais ações podem reagir de maneira mais intensa a cada um desses fatores. Comecemos, então, pelo fator China, que pode mexer com os papéis da bolsa brasileira em mais de uma ocasião na semana.
Vale, Suzano e siderúrgicas: verdade chinesa
No mês passado, Estados Unidos e China finalmente acertaram as bases para a primeira fase de um acordo comercial. Com isso, as novas tarifas de importação que seriam impostas pelo governo americano foram suspensas, e as autoridades chinesas se comprometeram a comprar mais produtos do tio Sam.
Os mercados comemoraram a decisão, o Ibovespa e as bolsas americanas entraram num rali e boa parte da tensão no front da guerra comercial se dissipou. Um final feliz, certo?
Bem... tudo leva a crer que sim. Mas as últimas páginas desse capítulo serão escritas apenas nessa semana, já que a assinatura desse acordo está prevista para a próxima quarta-feira (15), às 13h (horário de Brasília).
Caso a cerimônia corra sem problemas e o aperto de mãos entre americanos e chineses seja consumado, o mercado tende a respirar aliviado. Mas, caso novos pontos de discordância apareçam nos próximos dias, atrasando ou inviabilizando a assinatura...
Nesse cenário, é de se esperar uma onda de cautela nos mercados acionários, especialmente em relação aos papéis ligados ao setor de commodities. Afinal, a China é a grande consumidora global de minério de ferro, produtos siderúrgicos e celulose, e a não-assinatura do acordo fortaleceria a leitura de que a economia do país pode patinar — o que diminuiria a demanda por esses produtos.
Assim, fique atento às ações ON da Vale (VALE3), já que a mineradora possui uma relação estreita com o mercado chinês. Entre as siderúrgicas, CSN ON (CSNA3), Usiminas PNA (USIM5) e Gerdau PN (GGBR4) também podem apresentar volatilidade ao longo da semana.
Por fim, Suzano ON (SUZB3) e as units da Klabin (KLBN11) merecem atenção, já que o comércio internacional de papel e celulose depende diretamente da demanda da China por esses produtos.
As ações citadas acima também estão expostas à agenda econômica do gigante asiático — e, ao longo da semana, serão divulgados dados importantes a respeito do nível de atividade no país.
Na madrugada de segunda (13) para terça-feira (14), será divulgado o resultado da balança comercial da China em dezembro, dado que sempre fornece indicações importantes quanto ao estado da economia local — e que fornece um termômetro dos eventuais impactos da guerra comercial ao país.
Além disso, na noite de quinta-feira (16), serão conhecidos o PIB da China no quarto trimestre, a produção industrial e as vendas no varejo — os dois últimos dados são referentes ao mês de dezembro.
De acordo com o Broadcast, os analistas projetam expansão de 6,1% no PIB chinês no período — uma leve aceleração em relação à alta de 6% registrada no trimestre anterior. Já a produção industrial deve desacelerar de 6,2% em novembro para 5,9% em dezembro.
Caso a economia da China surpreenda positivamente, as ações do "pacote commodities" tendem a ganhar terreno; caso haja alguma decepção, pode apertar os cintos: teremos turbulência nesses papéis.
[captacao]
Petrobras: as idas e vindas do petróleo
As tensões no Oriente Médio continuam no radar para quem tem interesse nas ações da estatal, uma vez que o noticiário da região mexe diretamente com o preço do petróleo.

O tema é importante para as ações da Petrobras já que as oscilações no petróleo interferem diretamente no lucro da empresa. Mas não só isso: uma eventual disparada na commodity sempre reacende os temores quanto à independência da política de preços da estatal.
Na semana passada, em meio ao pico de tensão no Oriente Médio, o Brent chegou a romper o nível dos US$ 70, o que acendeu temores quanto a um choque da commodity — e provocou reações do presidente Jair Bolsonaro e de outras autoridades do governo.
Por enquanto, não há qualquer sinal de que a política de preços da estatal será alterada para conter uma disparada no preço dos combustíveis — até porque as cotações do petróleo passaram por um alívio nos últimos dias.
No entanto, caso novas turbulências atinjam o Oriente Médio nos próximos dias, é de se esperar alguma volatilidade na commodity — o que, consequentemente, mexe com as ações da Petrobras, tanto no front dos resultados quanto no da possível interferência política.
Varejistas: agora vai?
Por fim, fique atento às ações do setor de varejo, como Magazine Luiza ON (MGLU3), Via Varejo ON (VVAR3), B2W ON (BTOW3), Lojas Americanas PN (LAME4), Lojas Renner ON (LREN3) e GPA PN (PCAR4), entre outras. Afinal, será divulgado na quarta-feira (15) o resultado das vendas do varejo no país em novembro.
O dado é especialmente importante porque, na semana passada, os números da produção industrial do país no mesmo período decepcionaram o mercado, apontando uma baixa de 1,2% em relação ao mês anterior.
Assim, as informações do varejo servirão para dar um diagnóstico mais preciso da economia brasileira: caso também venham fracas, uma luz amarela se acenderá sobre a cabeça dos investidores; caso mostrem força, os agentes financeiros tendem a respirar aliviados.
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