Confronto entre governo e STF volta a esquentar o clima político em Brasília
Enquanto o clima dos negócios está misto no exterior, no Brasil o conflito político volta a roubar a cena após operação da PF que atingiu apoiadores do presidente

No Brasil, um novo capítulo na novela política em Brasília. Dessa vez, o governo de Jair Bolsonaro volta a entrar em confronto com o Supremo Tribunal Federal, após operação que investigada aliados bolsonarista no inquérito que apura o financiamento e distribuição de fake news. Em reuniões emergenciais ontem, o presidente e sua equipe traçaram uma estratégia que confronta diretamente o Supremo.
No exterior, o dia amanhece com reações mistas nos mercados. Embora a reabertura econômica e o pacote bilionário anunciado pela União Europeia empolguem os investidores sobre as possibilidades de recuperação econômica pós-coronavírus, a escalada de tensão entre Estados Unidos e China, tendo Hong Kong como conflito central, preocupa.
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Destaque também para a divulgação da segunda leitura do PIB do 1º trimestre nos Estados Unidos e os números de auxílio-desemprego no país na última semana.
Pegando carona
O mercado de câmbio continua sendo favorecido pelo exterior mais tranquilo e ontem anotou a sua sexta baixa consecutiva.
A moeda americana recuou 1,27%, a R$ 5,2900. O Ibovespa também se recuperou de perdas recentes, avançando 2,71%, aos 87.786,65 pontos.
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Os negócios por aqui foram impulsionados pelo otimismo visto no exterior. Em primeiro plano, está o pacote de socorro bilionário anunciado pela União Europeia - o bloco disponibilizará 750 bilhões de euros aos seus Estados-membros com o objetivo de cobater os impactos econômicos do coronavírus na região.
O anúncio europeu se soma aos diversos planos de estímulos anunciados pelos Estados Unidos nas últimas semanas, aumentando a percepção de que a recuperação econômica terá apoio das autoridades globais.
Ainda relacionado ao coronavírus, a reabertura econômica na Europa - em países como Itália, Espanha e França - também ajuda o cenário externo positivo.
Mais uma crise
Em Brasília, as coisas voltaram a esquentar, após o ministro do STF Alexandre de Moraes autorizar uma nova operação da Polícia Federal contra apoiadores do presidente Jair Bolsonaro.
A ação visou o deputado Roberto Jefferson, o empresário Luciano Hang e outros ativistas bolsonaristas, em inquérito que investiga ameaças e disseminação de fake news.
O governo, então, reagiu mais uma vez indo contra o STF. Uma reunião ministerial foi convocada para ontem e tinha como pauta impor novos desafios ao Supremo - incluindo a negativa do ministro da Educação Abraham Weintraub em depôr na Polícia Federal, para explicar a declaração contra os ministros do STF dada por Weintraub na reunião ministerial do dia 22 de abril.
Em caráter preventivo, o ministro da Justiça já ingressou com um pedido de habeas corpous para evitar uma eventual prisão do ministro da Educação.
No Twitter, Bolsonaro mostrou a sua contrariedade ao inquérito e operação e mostrou solidariedade aos investigados, que tiveram os seus celulares, computadores e documentos apreendidos. Os investigados também promoveram ataques ao STF.
O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu o arquivamento da investigação. Já os ministros do Supremo, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, mostraram apoio e parecem estar alinhados com Alexandre de Moraes.
Enfim, o veto
Após duas semanas, o presidente Jair Bolsonaro sancionou a lei de auxílio aos Estados e municípios, no valor de R$ 60 bilhões. O presidente contemplou os vetos pedidos pela equipe econômica, congelando os reajustes para servidores públicos até o fim de 2021.
Líder mundial
Além dos confrontos entre governo e STF, temos também que encarar a situação da pandemia no país. O Brasil se tornou o líder do ranking mundial de novos casos e novas mortes causadas pelo coronavírus.
O país registrou 1.086 novas mortes, totalizando 25,5 mil óbitos. Já são mais de 411 mil casos registrados, no total.
Olhos do mundo em Hong Kong
A tensão entre Estados Unidos e China deve seguir sendo observada de perto pelos investidores.
A relação dos países vem sendo deteriorada pelas acusações americanas sobre a responsabilidade do país asiático na pandemia do coronavírus e, mais recentemente, pelo desejo da China de endurecer a legislação em Hong Kong, com o objetivo de minar a interferência internacional na ilha.
Nesta noite, após o fechamento dos negócios na Ásia, o legislativo do país autorizou a elaboração de uma nova lei de segurança nacional para Hong Kong pelo Comitê Permanente. Para os Estados Unidos, a decisão da China tira a autonomia da ex-colônia britânica. O Secretário do Comércio dos EUA, Wilbur Ross, disse à Fox Business que Trump estuda etaliações à atitude chinesa.
Além dos problemas diplomáticos com os Estados Unidos, a medida também tem motivado protestos em Hong Kong.
Na Ásia, os mercados fecharam sem uma direção definida, com o choque entre o otimismo com as reaberturas econômicas e as tensões entre EUA e China.
Na Europa, os investidores monitoram a situação em Hong Kong, mas seguem reagindo positivamente ao pacote de estímulos anunciado ontem no continente.
Na cola do Twitter
Nos Estados Unidos, o destaque do dia deve as empresas de redes sociais. O presidente Donald Trump prometeu limitar a proteção legal dada às plataformas sociais no país - com foco principalmente no Twitter e Facebook. A medida seria uma retaliação ao Twitter, que notificou algumas das postagens feitas pelo presidente americano após checagem.
Em Wall Street, os índices futuros operam de forma mista nesta manhã.
Agenda
O IGP-M de maio será divulgado às 8h. Por volta das 10h30, o Governo Federal divulga o saldo das contas públicas. O resultado será comentado em coletiva pelo secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga a taxa de desemprego, às 9h.
O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto participa de teleconferência promovida pelo BTG Pactial, às 18 horas.
No exterior, destaque para a segunda leitura do PIB do 1º trimestre dos Estados Unidos, às 9h30. No mesmo horário, temos o número dos pedidos de auxílio-desemprego no país.
Fique de olho
- Suzano pagará dividendos intermediários no dia 4 de junho, no valor de R$ 0,027 por ação ON e R$ 0,02992 por ação PN.
- Petrobras confirmou emissão de títulos no exterior no valor de US$ 3,25 bilhões. O valor deve reforçar o caixa da estatal.
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