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2020-05-27T16:48:20-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Tranquilidade no câmbio

Ibovespa sobe e dólar cai a R$ 5,29; animação externa contagia o mercado brasileiro

O dólar à vista engata a sexta baixa seguida e o Ibovespa avança mais de 1%, sustentados pelo alívio global após o lançamento de um pacote de estímulo bilionário na Europa

27 de maio de 2020
10:29 - atualizado às 16:48
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

A onda de alívio continua com força total no mercado de câmbio: o dólar à vista segue em queda — a sétima baixa nas últimas oito sessões — e, com isso, tenta furar o nível de R$ 5,30; o Ibovespa também mostra animação e sobe perto de 2% nesta quarta-feira (27).

Por volta de 16h45, o dólar à vista recuava 1,27%, a R$ 5,2900. Com o desempenho do momento, a moeda americana já acumula baixas de quase 5% apenas nesta semana — desde o começo de maio, a queda é de cerca de 2%.

Na bolsa, o Ibovespa se recupera das leves perdas de ontem e avança 2,71%, aos 87.786,65 pontos. O índice brasileiro, assim, fica em linha com o comportamento visto no exterior: o Dow Jones (+1,81%) e o S&P 500 (+1,26%) sobem e, na Europa, as principais praças fecharam em alta.

  • Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica dos mercados brasileiros nesta quarta-feira. Veja abaixo:

Esse otimismo visto lá fora se deve às iniciativas lançadas pela União Europeia para combater os impactos econômicos do coronavírus. O grupo lançou um plano de auxílio de 750 bilhões de euros aos Estados-membro do bloco — o pacote ainda precisa ser aprovado pelos governos dos países.

A iniciativa soma-se aos inúmeros planos de estímulo lançados pelos Estados Unidos ao longo das últimas semanas e contribui para aumentar a percepção de que a recuperação da atividade nas áreas mais afetadas pela Covid-19 contará com o apoio maciço das autoridades globais.

Além disso, o próprio processo de reabertura econômica na Europa e nos EUA contribui para manter o bom humor dos investidores Desde a semana passada, o retorno gradual das atividades em países como Itália, Espanha e França tem ajudado a dar força às bolsas e tirado pressão do câmbio.

O noticiário mais ameno vindo da Europa se sobrepõe, inclusive, às tensões geopolíticas envolvendo EUA e China. A troca de acusações em relação à responsabilidade pela pandemia, somado aos atritos envolvendo a soberania de Hong Kong, elevaram a percepção de que a guerra comercial entre as potências poderá ser reativada a qualquer momento.

Mas, enquanto não há grandes novidades nesse front o mercado prefere se focar nos anúncios e iniciativas vistos na Europa — e, assim, o tom é positivo nos mercados globais nesta quarta.

Sem descuidar de Brasília

Por aqui, o mercado continua atento aos desdobramentos do cenário político. Apesar da percepção de diminuição das turbulências em Brasília, ainda há muitos fatores de risco no radar dos investidores.

Em primeiro lugar, há a expectativa quanto à assinatura, pelo presidente Jair Bolsonaro, do pacote de auxílio financeiro emergencial a Estados e municípios — e, em paralelo, também há a perspectiva de veto ao aumento no salário dos servidores públicos, conforme alinhado com governadores na semana passada.

Contudo, a relação entre a administração Bolsonaro e os governadores passou por novas tensões recentemente, considerando a operação da Polícia Federal (PF) contra o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel. E, nesta quarta, uma nova operação da PF, desta vez contra apoiadores de Bolsonaro, pode trazer mais turbulência ao cenário político.

E, por mais que no dólar e na bolsa o tom seja otimista, essa cautela com o cenário político acaba sendo sentida nos juros: os DIs curtos operam em leve alta nesta quarta-feira, enquanto os longos caem:

  • Janeiro/2021: de 2,38% para 2,39%;
  • Janeiro/2022: de 3,24% para 3,22%;
  • Janeiro/2023: de 4,34% para 4,29%;
  • Janeiro/2025: de 6,05% para 5,98%.

Top 5

Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta quarta-feira:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
USIM5Usiminas PNA5,51 +12,45%
CVCB3CVC ON14,80 +9,63%
GOAU4Metalúrgica Gerdau PN5,95 +9,38%
GGBR4Gerdau PN13,07 +9,37%
CSNA3CSN ON9,30 +9,03%

Confira também as maiores baixas do índice:

CÓDIGONOMEPREÇO (R$)VARIAÇÃO
TOTS3Totvs ON20,29 -1,84%
PETR3Petrobras ON20,19 -1,75%
AZUL4Azul PN14,50 -1,69%
BTOW3B2W ON93,98 -1,49%
PETR4Petrobras PN19,44 -1,17%
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