Bolsas abrem mistas, em meio a esperanças de vacina, estímulos e avanço da covid-19
Fim de programa de crédito emergencial nos Estados Unidos pesa sobre futuros americanos; índices europeus reagem a visão "bullish" de analistas. Por aqui, desempenho do dólar fica no radar após fala de Paulo Guedes

Os mercados acionários iniciam a sexta-feira (20) apresentando comportamentos mistos, com os investidores balanceando os fatores mais preponderantes para o estado dos negócios no curto e médio prazo — entre eles, a esperança por uma vacina contra a covid-19, um pacote de estímulos fiscais nos Estados Unidos e o aumento de casos da doença.
Os futuros das bolsas americanas começam o dia operando em leve baixa, sob pressão da indicação do secretário do Tesouro do país, Steven Mnuchin, de que deixará expirar diversos programas de emergência do Federal Reserve (banco central americano, o Fed).
Ontem, as bolsas americanas fecharam em alta após um dia de osilações entre perdas e ganhos, refletindo a retomada de negociações entre democratas e republicanos nos EUA por um pacote de estímulos fiscais.
Enquanto isso, na Europa, os índices acionários à vista tentam ignorar a cautela americana e sobem, repercutindo o otimismo de analistas de UBS e Barclays que recomendaram a compra de ações após a recente queda nas bolsas europeias, antecipando dias melhores à frente.
Para cima
O Ibovespa seguiu os índices americanos ontem e terminou o dia em alta, com as perspectivas de novos estímulos fiscais para acelerar a retomada da economia. O Ibovespa fechou em alta de 0,52%, cotado aos 106.670 pontos.
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Atenção ao dólar
Ontem, o ministro da Economia, Paulo Guedes, falou em "até vender um pouco de reservas" para reduzir o tamanho da dívida brasileira. A afirmação pode ter um efeito sobre a taxa de câmbio hoje, refletindo a possível entrada de mais moedas no mercado. O Brasil tem hoje US$ 355,5 bilhões em reservas internacionais.
A dívida do governo deve fechar 2020 representando 96% do PIB, segundo o Tesouro Nacional, em razão das despesas com o combate à covid-19. A previsão é que a dívida continue crescendo e ultrapasse os 100% do PIB em 2025, para só então se estabilizar e começar a cair.
Fim de programas pesa em NY...
Os índices futuros em Nova York apontam para baixo neste momento com a possibilidade de expiração de concessões de crédito — apenas o futuro do índice Nasdaq tenta recompor alguns preços após as altas recentes e registra ganhos agora.
Mnuchin, chefe do Tesouro americano, disse ontem que vários programas novos que têm sustentado o crédito corporativo e os empréstimos municipais terminariam em 31 de dezembro.
Mnuchin ainda pediu ao Fed a devolução de mais de US$ 70 bilhões em fundos que já haviam sido transferidos ao banco central para cobrir perdas com empréstimos.
Além disso, medidas de restrição contra a disseminação da covid no país também são um fator de cautela. Nova York já decidiu por fechar as escolas públicas, enquanto o estado da Califórnia decidiu, ontem, por instituir um toque de recolher de 22h às 5h do horário local.
....mas tudo parece bem na Europa
Na Europa, os índices marcam altas neste momento, reagindo à visão otimista de grandes bancos sobre os papéis.
Prevendo um “desenrolar do longo vôo de 2 anos para a segurança pode estar apenas começando”, o time de estratégia de renda variável para Europa do Barclays recomendou compra de ações europeias.
Enquanto isso, o UBS avisou os seus clientes mais ricos a ampliarem posições compradas nas bolsas do velho continente.
Dados econômicos melhores do que o esperado vindos do Reino Unido também embalam o otimismo, já que as vendas do varejo registraram a sexta alta consecutiva.
Fique de olho
- A Hapvida aprovou o desdobramento de suas ações de 5 para 1
- A CVC fechou um acordo de renegociação da dívida com credores de debêntures, no total de R$ 1,5 bilhão
- A Petrobras iniciou fase não vinculante da venda do Polo Carmópolis, em Sergipe, no qual detém participações em 11 concessões de campos terrestres
- Brasil registra 5,98 milhões de casos de covid-19; mortes chegam a 168 mil
TRADE ELEITORAL
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