Com temor fiscal, ativos de risco apanham em agosto; bitcoin e dólar lideram as altas
Alta dos juros no mês e aumento do risco fiscal castigaram títulos públicos longos e a bolsa

Agosto fez jus à fama de mês do cachorro louco em 2020. O temor dos investidores em relação à situação fiscal do país se agravou, o que levou os ativos de risco a fecharem o mês no vermelho. Já o bitcoin e o dólar foram os melhores investimentos do mês.
Com a alta dos juros futuros, sobretudo os de longo prazo, os títulos públicos mais longos foram os investimentos que mais apanharam em agosto.
[captacao]
O Ibovespa também fechou o mês em queda e abaixo dos 100 mil pontos, patamar que havia sido recuperado em julho. Com baixa de 3,44%, o índice teve o primeiro mês negativo desde março, terminando aos 99.369,15 pontos.
Já o dólar avançou mais de 5%, aos R$ 5,47, na cotação à vista, e R$ 5,48, na cotação PTAX. O bitcoin nadou de braçada e fechou com valorização de 8,13% em reais, acima dos R$ 64 mil. Em dólar, a criptomoeda fechou cotada acima dos US$ 11.600.
Melhores investimentos de agosto

Após romper os 100 mil pontos em julho, o Ibovespa não teve força para ir muito além. O índice não conseguiu ultrapassar muito os 104 mil pontos em agosto, e vez por outra flertava com os 99 mil pontos.
Leia Também
A guerra no Irã vai acabar? O que as eleições nos EUA podem mudar no preço do petróleo
Além da falta de fatos novos que pudessem levar o índice mais para cima, em um mês fortemente impactado por balanços em grande parte negativos das empresas, o aumento da percepção de risco em relação à situação fiscal do país deixou os investidores com o pé atrás.
O mês foi marcado pelo temor de que o governo eventualmente abandone o teto de gastos, uma vez que há, no Congresso e no próprio Executivo, setores que defendem a flexibilização do teto, o aumento dos investimentos estatais e a prorrogação do estado de calamidade pública para o ano que vem.
O ministro Paulo Guedes, o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e David Alcolumbre, tiveram que sair em defesa do teto.
As discussões sobre a prorrogação do auxílio emergencial e o Renda Brasil - programa de renda básica que substituirá o Bolsa Família, também chamaram atenção do mercado, uma vez que a demanda por mais gastos sociais se justifica, ao mesmo tempo em que não se sabe como encaixá-los sob o teto.
Tudo isso temperado com alguns conflitos típicos de Brasília, além da saída de dois membros importantes da equipe econômica, o agora ex-secretário especial de Desestatização e Privatização, Salim Mattar, e Paulo Uebel, que era secretário de Desburocratização, Gestão e Governo Digital.
O mercado chegou a ficar bastante estressado com uma possível saída do ministro Paulo Guedes, que novamente foi reafirmado no cargo.
Com toda essa tensão em Brasília, os juros futuros, sobretudo os mais longos, avançaram no mês de agosto, precificando uma maior fragilidade fiscal do país, o que derrubou os preços dos títulos prefixados e atrelados à inflação. Nesta matéria, eu falei com mais detalhes sobre essa influência do risco fiscal sobre os títulos públicos.
A maior percepção de risco também contribuiu para a queda do Ibovespa no mês e a alta do dólar. Os fundos imobiliários, por sua vez, mostraram-se novamente descorrelacionados dos demais ativos de risco. Depois de um tombo surpreendente em julho, eles apresentaram uma breve recuperação.
Já o bitcoin continua na sua trajetória de valorização pós-halving e turbinado sobretudo pelo momento econômico de maior liquidez na economia mundial e potencial de desvalorização das moedas fiduciárias com o tempo.

REAÇÃO AO RESULTADO
Nem todo mundo quer comprar Itaú: por que ITUB4 ainda não convenceu todos os analistas após o 3T26
4 de novembro de 2026 - 16:23VIRADA HISTÓRICA
‘Onda azul’ faz Wall Street disparar, mas vitória democrata pode trazer nova dor de cabeça para Trump
4 de novembro de 2026 - 14:01VISÃO DO GESTOR
O mercado desistiu do Brasil? Gestores reduzem apostas em bolsa e reforçam dólar antes do Copom
4 de novembro de 2026 - 13:15CHAVES NA MÃO
Fundo imobiliário BTLG11 embolsa R$ 56 milhões com venda de fatia de galpão; veja lucro por cota e detalhes da operação
4 de novembro de 2026 - 9:56BOLSA SOB PRESSÃO
Depois de tombo de 10%, XP fica mais cautelosa com a bolsa brasileira, mas aponta 10 ações para investir
3 de novembro de 2026 - 14:02SD ENTREVISTA
Dólar dispara, bolsa cai e Itaú muda a estratégia: chefe de recomendações do banco diz onde investir após as eleições
3 de novembro de 2026 - 13:29REDUÇÃO DA ALAVANCAGEM
Alívio na dívida? CSN (CSNA3) sobe 4% com avanço na venda da divisão de cimentos — mas ainda há desafios no radar
3 de novembro de 2026 - 12:49EX-PACMAN DOS FIIS?
Após onda de compras, ‘Pacman dos FIIs’ coloca imóveis à venda por R$ 530 milhões; veja lucro por cota
3 de novembro de 2026 - 9:39FIM DA GUERRA?
Petróleo fecha em queda de mais de 7% com expectativa de acordo para encerrar guerra no Oriente Médio
2 de novembro de 2026 - 16:19TOUROS E URSOS
Como será o amanhã? As perspectivas para seus investimentos após a eleição e a sangria dos mercados
2 de novembro de 2026 - 13:05CONFIRA
Atenção, investidor: B3 amplia horário de negociação a partir de terça-feira (3)
31 de outubro de 2026 - 18:07ENTENDA O CENÁRIO
JP Morgan faz alerta sobre o Banco do Brasil (BBAS3) e aponta desafio para o próximo trimestre
31 de outubro de 2026 - 13:15ENTRE MORTOS E FERIDOS
Sangria na bolsa deixa varejo e construção civil entre os setores mais castigados, mostra EQI
31 de outubro de 2026 - 9:15SANGRIA NOS MERCADOS
Ibovespa tem pior semana desde março de 2020 e arrasta desempenho mensal para vermelho, com um feito inesperado
30 de outubro de 2026 - 18:23ZERO A ZERO?
Uma semana muda tudo: BTG (BPAC11) devolve ganhos do ano e tem recomendação rebaixada — vale comprar após o tombo?
30 de outubro de 2026 - 13:11FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus