Ibovespa dispara 3%, após decisão do Fed e em meio à expectativa de vitória de Biden; dólar cai forte
Vitória democrata para a presidência sem predominância do partido nas casas legislativas se torna caso favorável ao bom humor de investidores. Bolsas americanas têm altas firmes à espera de apuração em Nevada, Georgia e Pensilvânia, após Fed dizer que vê riscos consideráveis e manter juros parados

Os ativos de risco têm mais um dia positivo nos mercados financeiros globais, enquanto o dólar registra mais um dia de fraqueza mundial frente a moedas fortes e de países emergentes, em meio à indefinição sobre quem será o novo presidente dos Estados Unidos.
Há pouco, o Federal Reserve, banco central americano, divulgou sua decisão sobre as taxas de juros, mantendo o patamar de estímulos inalterado na faixa de 0% a 0,25% — e apontando, ainda por cima, "riscos consideráveis à frente" enquanto a economia continua a se recuperar.
Mas o principal foco dos mercados continua a ser a apuração das eleições americanas, que caminha para o seu terceiro dia. O cenário que se tornou cada vez mais provável é o de uma vitória democrata, embora por margens menores do que se antecipavam nas pesquisas.
Até o momento, Joe Biden tem 264 votos no colégio eleitoral, enquanto o republicano Donald Trump tem 214, segundo a projeção da Associated Press. Para se tornar o novo ocupante da Casa Branca, é preciso o número mínimo de 270 delegados.
Se Biden vencer em Nevada (com 6 delegados eleitorais), onde lidera por 0,9 ponto percentual, será eleito o novo presidente do país.
Outras contagens em Estados-chave como Georgia (16 delegados) e Pensilvânia (20 delegados) também estão em andamento. Na Georgia, a vantagem de Trump está se reduzindo — agora é de 0,3%. Na Pensilvânia, onde havia expectativa também de um jogo duro, Trump lidera por 1,7% — cerca de 500 mil votos por lá serão contados ainda hoje, sendo que a vantagem atual do republicano é de 110 mil votos.
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Trump acusa um golpe na contagem dos votos enviados pelo correios e já iniciou um movimento de recorrer à Suprema Corte americana para tentar reverter o resultado. O risco de judicialização da disputa, no entanto, fica em segundo plano no momento.
Em meio a este cenário incerto, os investidores não dão sinais de apreensão e as bolsas globais têm mais um rali, apoiadas na leitura de que um democrata na presidência poderá trazer um maior pacote de estímulos fiscais à combalida economia dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, o fato de as duas casas legislativas — a Câmara dos Deputados e o Senado — ficarem divididas entre democratas e republicanos também favorece o bom humor dos agentes financeiros, já que assim são menores as chances de projetos intervencionistas por parte dos "azuis" (como aumento de impostos corporativos e regulamentação do setor de tecnologia).
Por ora, no Senado há 48 cadeiras de democratas eleitos, o mesmo número de republicanos. São necessários 51 assentos para um dos partidos ter a maioria.
Na Câmara, há 209 cadeiras para os democratas e 190 para os republicanos, segundo as projeções atuais. São necessários 218 assentos para controlar o órgão.
Nos Estados Unidos, os principais índices acionários subiam ao menos 2,2% por volta das 16h50, mantendo o bom humor visto nos últimos dias. Na Europa, as bolsas nas principais praças, como Londres, Paris e Frankfurt, terminaram o dia em altas mais leves, de no mínimo 0,4%.
[captacao]
Surfando na onda positiva vista mais fortemente nos EUA, o principal índice acionário da bolsa brasileira voltou a operar acima dos 100 mil pontos. No mesmo horário, o Ibovespa acompanhava o bom humor generalizado e subia cerca de 3%, aos 100.780 pontos.
Top 5
As ações da Ultrapar aparecem como grande destaque positivo da bolsa brasileira nesta manhã, após a divulgação dos números do terceiro trimestre. O Credit Suisse, inclusive, elevou a recomendação para a ação.
Os papéis do Grupo Fleury também sobem forte, após o anúncio da criação de um fundo de investimento em startups.
Os papéis de concessionárias de rodovias, como EcoRodovias ON (ECOR3), e de transportes urbanos e aeroportos, como CCR ON (CCRO3), também estão entre as maiores altas do índice — os dois papéis perderam cerca de 30% no ano. O setor é ajudado pelo bom balanço apresentado pela EcoRodovias na noite de ontem.
A temporada de balanços brasileira também segue no radar. O principal destaque é o resultado do Banco do Brasil, que veio abaixo do esperado pelos analistas, mas cuja ação Banco do Brasil ON (BBAS3) tem ganhos agora de quase 2%.
Veja as maiores altas do Ibovespa hoje:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| UGPA3 | Ultrapar ON | 19,43 | 13,23% |
| CSAN3 | Cosan ON | 72,72 | 8,88% |
| CIEL3 | Cielo ON | 3,62 | 8,71% |
| ECOR3 | Ecorodovias ON | 11,53 | 8,98% |
| CCRO3 | CCR ON | 12,34 | 8,82% |
Confira também as maiores quedas do principal índice da bolsa:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| CSNA3 | CSN ON | 20,79 | -3,03% |
| COGN3 | Cogna ON | 4,38 | -2,01% |
| IRBR3 | IRB ON | 6,20 | -0,48% |
| SUZB3 | Suzano ON | 51,46 | -0,33% |
| KLBN11 | Klabin units | 24,04 | -0,17% |
Dólar e juros voltam a cair
O dólar experimenta mais um dia de fraqueza global, como apontado pelo Dollar Index, índice que compara a moeda a divisas fortes como euro, libra e iene e cai 0,6% neste momento.
Frente ao real, a moeda americana tem uma queda ainda mais forte de 1,9%, a R$ 5,5459. Na mínima, o dólar tombou 1,98% para R$ 5,5419.
A leitura de agentes financeiros é que uma eventual vitória de Biden representará menos protecionismo do que a de Trump, diminuindo os riscos de estender uma guerra comercial contra a China — o que ajudou o dólar nos últimos anos ao disparar incerteza nos mercados.
Os juros futuros, por sua vez, continuaram o movimento de descompressão de taxas e fecharam em quedas, com movimentos mais intensos de baixa nos vértices mais longos da curva — como contratos para janeiro de 2023 e 2025, que seguiram mais de perto o ritmo de tombo do dólar.
Além disso, os leilões do Tesouro Nacional ocorreram sem percalços hoje, com o movimento de baixa se fortalecendo após as vendas de LFTs (Tesouro Selic, título pós-fixado), NTN-F (Notas do Tesouro Nacional série F, título pré-fixado) e LTNs (Tesouro Prefixado) — a maioria dos títulos foi comprada apesar da situação fiscal delicada do país.
- Janeiro/2021: de 1,937% para 1,938%
- Janeiro/2022: de 3,46% para 3,45%
- Janeiro/2023: de 5,06% para 5,03%
- Janeiro/2025: de 6,75% para 6,66%
De olho no Fed
Não é somente as eleições americanas que são destaque nos Estados Unidos nesta quinta-feira. Hoje tivemos a decisão de política monetária do Fed (16h), que agora está sendo seguida de uma coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell.
A instituição manteve a taxa de juros básica parada na faixa entre 0%e 0,25%. Além disso, o banco central não vê, atualmente, a necessidade de alta de juros até 2023.
“A atividade econômica e o emprego continuaram se recuperando, mas permanecem bem abaixo dos níveis do início do ano”, afirmou o comunicado do Fed.
A autoridade monetária ressaltou que persegue os objetivos de máximo nível de emprego e a inflação média de 2%.
O comunicado do Fed novamente disse que a instituição continuará a aumentar seu balanço patrimonial de US$ 7 trilhões para "ajudar a promover condições financeiras acomodatícias" — ou seja, o banco poderá realizar ainda compras de ativos em um cenário de aumentos de casos da covid-19.
Ainda no cenário macroeconômico dos EUA, mais cedo o Departamento do Trabalho americano divulgou que o número de pedidos de auxílio-desemprego teve queda de 7 mil pedidos na semana, indo a 751 mil.
Com a piora do quadro da pandemia do coronavírus na Europa, o Banco da Inglaterra anunciou mais estímulos nesta manhã e também acelerou o seu programa de compra de títulos públicos para US$ 195 bilhões, em meio ao coronavírus e lockdown no Reino Unido.
ALOCAÇÃO TÁTICA
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