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Dados da Bolsa por TradingView
2020-11-03T16:58:45-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
É repórter do Seu Dinheiro. Cursa jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.
Mercados hoje

Ibovespa sobe com exterior, de olho em eleição nos EUA; dólar tem leve alta

Índices acionários ao redor do mundo devolvem parte das perdas vistas na semana passada, quando avanço da covid-19 e lockdowns na Europa pesaram no sentimento dos investidores, recalibrando o pessimismo

3 de novembro de 2020
10:33 - atualizado às 16:58
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

O Ibovespa marca uma volta do feriado positiva até o momento, operando em alta nesta terça-feira (03), embora tenha moderado os ganhos vistos mais cedo.

Sustentado pelo tom leve visto no exterior, uma semana após fortes perdas em bolsas ao redor do mundo, o principal índice acionário da B3 mantém o fôlego para continuar no campo positivo.

Por volta das 16h50, o índice avança 1,7%, aos 95.533,64 pontos, diminuindo a vigorosa alta vista mais cedo. Na máxima, o Ibovespa chegou a subir 2,45% e operou acima dos 96 mil, cotado aos 96.249,60 pontos.

Os destaques corporativos de hoje estão nas altas de pesos-pesados, como as ações do Itaú e da Petrobras, reagindo respectivamente à perspectiva de balanços e à alta do petróleo no mercado internacional, além das da mineradora Vale e da fabricante de bebidas Ambev.

Papéis de siderúrgicas e da Metalúrgica Gerdau também registram ganhos fortes, estando entre os maiores ganhos de hoje.

O pano de fundo da sessão é uma correção, em parte, nos preços de ações em relação ao que se viu na semana passada, quando índices acionários globais foram derrubados pelo avanço da covid-19 e novos lockdowns foram anunciados na Europa.

Na última semana, o crescimento do número de casos da doença no mundo levou a um tombo das bolsas — não como vimos em março, mas ainda assim importante em meio a uma sequência de recuperação na renda variável.

"Há uma recuperação parcial dos preços em relação à semana passada, um ajuste ao que caiu", diz Ari Santos, operador de renda variável da Commcor.

O Ibovespa fechou a sexta (30) com um recuo de 2,72%, aos 93.952,40 pontos. No mês de outubro, o índice recuou 0,7%.

Top 5

Entre as principais ganhadoras do dia estão as ações da BB Seguridade, que apresentou um balanço melhor do que o esperado pelo mercado.

Como dito, os papéis da Petrobras também marcam ganhos expressivos hoje, puxados pela alta do petróleo Brent nesta terça. Ações do Itaú também sobem forte, como as do Banco do Brasil, controlador da BB Seguridade.

No "top five" das ações do dia, os holofotes se voltam para as siderúrgicas, entre os grandes ganhos da sessão. Confira as cinco maiores altas percentuais do Ibovespa agora:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
IRBR3IRB ON             6,597,33%
CSNA3CSN ON           21,936,77%
USIM5Usiminas PNA           11,465,14%
GGBR4Gerdau PN           22,894,95%
ABEV3Ambev ON           12,734,52%

Entre as maiores perdas, estão as ações da CVC — CVC ON (CVCB3) cai quase 3% agora, repercutindo um cenário de expansão do coronavírus lá fora. Confira as maiores quedas da sessão do Ibovespa:

CÓDIGOEMPRESAPREÇO (R$)VARIAÇÃO
CVCB3CVC ON           11,92-2,93%
HYPE3Hypera ON           27,10-2,87%
RADL3Raia Drogasil ON           23,42-2,66%
BRML3BR Malls ON             7,95-2,57%
QUAL3Qualicorp ON           31,11-2,26%

Exterior positivo

Com o tom mais leve visto hoje nos mercados, os principais índices acionários europeus fecharam no azul. O DAX, em Frankfurt, subiu 2,55%; o CAC-40, em Paris, 2,44%; e o FTSE 100, em Londres, 2,33%.

Os índices acionários à vista em Wall Street apresentam alta forte de mais de 1,8%, no mínimo, neste momento.

O grande evento do dia é a eleição presidencial americana. As pesquisas apontam para uma vitória democrata, mas, ao contrário do que acontece no Brasil, o resultado deve levar algum tempo ainda para ser processado.

Também há incerteza acerca do que ocorrerá conforme a apuração progredir. Caso o presidente Donald Trump cumpra a promessa de contestar o resultado, a instabilidade pode voltar a reinar nos mercados.

Com a eleição em primeiro plano, os investidores estrangeiros também repercutem dados positivos das indústrias chinesa e americana.

Ontem, o índice de atividade industrial dos EUA subiu de 55,4 em setembro para 59,3 em outubro. O índice de gerentes de compras (PMI) industrial chinês subiu de 53 em setembro para 53,6 em outubro.

Dólar e juros sobem

Em um contexto de busca ao risco, o dólar, ativo para o qual os investidores apelam quando querem se proteger, apresentou queda no início do pregão — na mínima, a moeda chegou a cair 1,53%, para R$ 5,65.

No entanto, neste momento tem alta de 0,3%, cotado a R$ 5,7537, manifestando que os investidores tem muitas incertezas no cenário cambial, no qual pesam fatores fiscais do país para além da futura orientação da política econômica americana.

"Hoje é um dia do mercado parar para observar", diz Sidnei Nehme, diretor da NGO Corretora de Câmbio, referindo-se à volatilidade do dólar em um dia de eleição americana.

No exterior, o dólar cai frente a moedas como euro, libra e iene, segundo aponta do Dollar Index (DXY), o que indica que o desconforto fiscal com o país é que faz o real se depreciar uma vez mais.

Os juros, por sua vez, fecharam em alta, refletindo a postura do Copom (Comitê de Política Monetária) em ata.

No texto do documento, o comitê avaliou que mudanças na situação fiscal forçariam uma nova orientação do comitê sobre o futuro, independentemente do regime fiscal — leia-se "teto de gastos públicos" — continuar o mesmo.

"O Comitê refletiu que alterações de política fiscal que afetem a trajetória da dívida pública ou comprometam a âncora fiscal motivariam uma reavaliação, mesmo que o teto dos gastos ainda esteja nominalmente mantido", diz trecho do parágrafo.

O mercado de juros, com isso, teve uma sessão de estresse, antecipando que a pontuação do Copom possa indicar uma alta de juros no futuro em meio à deterioração fiscal. Confira as taxas para os principais vencimentos agora:

  • Janeiro/2021: de 1,960% para 1,955%
  • Janeiro/2022: de 3,44% para 3,53%
  • Janeiro/2023: de 5,01% para 5,19%
  • Janeiro/2025: de 6,74% para 6,92%

Na agenda

Com o fim do horário de verão nos Estados unidos, a bolsa brasileira passa a operar das 10h às 18h, para acompanhar os negócios em Wall Street.

Além disso, os investidores possuem outros compromissos na agenda. No Congresso, está prevista para hoje a instalação da Comissão Mista do Orçamento, com o projeto de autonomia do Banco Central (BC) em pauta.

Como falamos acima, o BC divulgou hoje a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Na ocasião, a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 2%.

No documento, o Copom projetou a inflação em 3,1% em 2020 e 2021, reforçando que o recente choque altista nos preços é temporário.

Hoje, após o fechamento dos mercados, o banco Itaú divulga os seus resultados do terceiro trimestre.

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