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O Ibovespa acumulou ganhos de mais de 2% na semana, sustentado pelos avanços da pauta econômica no Congresso e pela percepção de evolução da economia global
Na última sexta-feira (10), o Ibovespa conseguiu retomar o nível dos 100 mil pontos pela primeira vez em quatro meses — um processo intenso de recuperação da bolsa brasileira, que em março chegou perto dos 60 mil pontos. Pois, nesta semana, o índice continuou andando para cima.
O Ibovespa terminou o pregão desta sexta (17) em alta de 2,32%, aos 102.888,25 pontos — na máxima, tocou os 103.016,60 pontos (+2,45%). Com isso, o índice acumulou ganhos de 2,86% na semana, chegando ao maior nível de encerramento desde 4 de março.
No ano, contudo, a bolsa brasileira está no negativo: as perdas acumuladas desde o começo de 2020 ainda somam 11,02%. Um número que, convenhamos, nem assusta tanto assim — nas mínimas de março, o Ibovespa chegou a amargar uma baixa de 45% em relação aos níveis de dezembro de 2019.
O pano de fundo de toda essa euforia na bolsa está dado: os bancos centrais do mundo abriram os cofres e injetaram recursos na economia através de medidas de estímulo ou de políticas fiscais — e esse cenário, somado aos juros estruturalmente baixos no mundo, trouxeram uma enxurrada de dinheiro aos mercados acionários.
É uma condição tão favorável às bolsas que nem mesmo as incertezas ligadas à pandemia têm sido capazes de frear a recuperação dos índices globais — nos EUA, o Dow Jones (+2,28%) e o S&P 500 (+1,24%) também tiveram uma semana de ganhos, apesar do desempenho tímido nesta sexta.
O Ibovespa pegou carona nesse contexto, retornando à casa dos três dígitos — e foi além, já flertando com o patamar dos 103 mil pontos.
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A semana do Ibovespa e dos mercados globais não foi tranquila: tivemos diversos fatores de turbulência — desde preocupações com o avanço da Covid até a incerteza quanto ao processo de retomada da economia, passando por novos atritos no cenário político doméstico.
Mas, por mais que o horizonte ainda traga muitos fatores de risco, também tivemos diversos outros elementos que serviram para trazer alívio às dúvidas — e que, ao menos nessa semana, se sobrepuseram aos itens negativos.
No front da Covid-19, o estado da Califórnia determinou o fechamento de bares e restaurantes para tentar conter um novo avanço da doença — uma medida que, naturalmente, eleva o temor de que a retomada da economia americana caia por terra.
Por outro lado, diversos avanços no desenvolvimento de vacinas e outros tratamentos contra a Covid-19 elevam a esperança quanto a uma solução definitiva para a pandemia, tirando de vez essa questão do radar. Aqui, temos uma questão de gerenciamento de risco: no curto prazo, o cenário é tenso, mas, no longo, há bons ventos — e o lado otimista tem prevalecido.
No aspecto econômico, tivemos dados mistos no mundo: China, Europa e EUA divulgaram dados ora animadores, ora frustrantes, o que dificulta a análise a respeito do estado real da economia do mundo. Mas, na dúvida, os mercados receberam bem os balanços de grandes bancos americanos, que mostraram resultados mais fortes que o esperado.
E, no lado político do Brasil, tivemos um novo desentendimento entre governo e Congresso, desta vez no âmbito do novo marco do saneamento. Mas, poucos dias depois, o noticiário voltou a ficar mais ameno: as duas partes parecem comprometidas a dar continuidade aos esforços pelo ajuste fiscal — uma percepção que deu ânimo ao Ibovespa nesta sexta.
O mercado de câmbio tem vivido um cenário praticamente inédito em 2020: desde o começo de julho, o dólar à vista tem apresentado uma volatilidade relativamente baixa, ficando 'encaixotado' numa faixa entre R$ 5,30 e R$ 5,40.
Nesta sexta-feira, a moeda americana fechou em alta de 1,02%, a R$ 5,3805, acumulando ganhos de 1,10% na semana — no mês, tem queda de 1,02%. Em 2020, contudo, a divisa ainda sobe 34,12%.
O mercado parece ter encontrado uma certa 'cotação de conforto': há fatores que pressionam o dólar para cima e impedem um alívio, como a pandemia e os juros baixos, e há questões que inspiram alguma confiança e barram uma disparada mais intensa, como a recuperação da economia e o avanço das pautas econômicas no Congresso.

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