Demissão de Mandetta e desemprego nos EUA: Ibovespa cai 1,29% em dia tumultuado
As tensões no cenário político doméstico, somadas à cautela no front da economia americana, fizeram o Ibovespa cair pelo segundo dia e praticamente zerar os ganhos da semana; o dólar fechou em alta e foi a R$ 5,25

Os agentes financeiros terminaram a sessão desta quinta-feira (16) de cabeça cheia: tanto no Brasil quanto lá fora, a crise do coronavírus trouxe desdobramentos importantes e que influenciam diretamente o rumo dos mercados — e, nesse cenário tumultuado, o Ibovespa caiu mais de 2% e engatou a segunda perda consecutiva.
Logo depois da abertura, o índice brasileiro chegou a subir 1,69%, aos 80.167,22 pontos. Mas, conforme os pontos de estresse foram crescendo no horizonte, o Ibovespa foi perdendo força — e, ao fim do dia, marcava 77.811,85 pontos, em baixa de 1,29%.
O mercado de câmbio também foi pressionado: o dólar à vista subiu pelo quarto dia seguido, terminando a sessão em alta de 0,29%, a R$ 5,2567 — na semana, a moeda americana acumula ganhos de 3,37%.
- Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados nesta quinta-feira. Veja abaixo:
O Ibovespa acabou descolando das bolsas americanas hoje: por lá, o Dow Jones (+0,14%), o S&P 500 (+0,58%) e o Nasdaq (+1,66%) passaram o dia flutuando ao redor do zero a zero, mas conseguiram terminar o pregão no campo positivo.
Essa diferença se deve, naturalmente, às tensões no cenário político doméstico, com a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta — algo que já era esperado, mas que desencadeia uma série de dúvidas quanto ao futuro da estratégia de combate ao coronavírus e a uma possível deterioração adicional nas relações entre governo e Congresso.
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No entanto, esse não foi o único fator de tensão: nos Estados Unidos, dados preocupantes do mercado de trabalho voltaram a gerar preocupação nos investidores — e o tom hesitante das bolsas americanas deixa clara a cautela assumida ao longo do dia.
Ruptura turbulenta
A demissão de Mandetta ocorre após uma série de desentendimentos entre ele e o presidente Jair Bolsonaro quanto à estratégia de combate ao coronavírus — enquanto o ex-ministro defendia o isolamento social, o presidente queria o relaxamento nas regras de restrição.
No fim da tarde, foi confirmada a nomeação do oncologista Nelson Teich para o comando da pasta. Analistas e operadores comentaram que, em publicações passadas, o médico mostrou-se favorável ao isolamento total, na mesma linha de Mandetta — o que, a priori, leva a crer que a troca não implicará em grandes mudanças na diretriz do ministério.
Mas, independente das posições do novo titular da Saúde, fato é que a demissão de Mandetta tende a deteriorar o cenário em Brasília: o ex-ministro tinha o apoio de grande parte do Congresso e dos governadores e prefeitos.
E mesmo que o novo ministro venha a mudar de ideia, mostrando-se favorável à visão do presidente, os planos do governo podem esbarrar em outro entrave: ontem, o STF decidiu que os estados têm autonomia para regulamentar as medidas de isolamento, o que traz ainda mais incerteza ao imbróglio.
Incertezas no exterior
Lá fora, o dia foi de hesitação por uma combinação de fatores. Por um lado, os agentes financeiros permaneceram cautelosos quanto aos impactos econômicos da pandemia: na semana encerrada em 11 de abril, foram registrados 5,2 milhões de novos pedidos de seguro-desemprego nos EUA, superando as expectativas dos analistas.
Mas, por outro, os investidores mostraram-se animados com a possibilidade de reabertura gradual das economias da Europa e dos EUA, em meio aos sinais de que o surto de coronavírus começa a entrar numa fase de declínio nessas regiões.
O comportamento errático também foi visto no petróleo: o Brent teve leve alta de 0,47%, enquanto o WTI terminou o dia estável e, assim, permaneceu abaixo da linha de US$ 20 o barril. As ações da Petrobras tiveram quedas firmes: os papéis PN (PETR4) recuaram 4,03%, enquanto os ONs (PETR3) fecharam em baixa de 2,95%.
Juros curtos sobem
Considerando todos esses fatores de instabilidade, as curvas de juros com vencimentos mais curtos fecharam em leve alta — um ajuste que, no entanto, não reduz a percepção de que a Selic continuará sendo cortada, de modo a estimular a economia doméstica. Os DIs longos, por outro lado, encerraram o dia em queda:
- Janeiro/2021: de 3,04% para 3,06%;
- Janeiro/2022: de 3,70% para 3,67%;
- Janeiro/2023: de 4,72% para 4,60%;
- Janeiro/2025: de 6,28% para 6,09%;
- Janeiro/2027: de 7,12% para 6,95%.
Top 5
Veja abaixo as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta quinta-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| MGLU3 | Magazine Luiza ON | 45,57 | +3,92% |
| LAME4 | Lojas Americanas PN | 22,37 | +3,90% |
| CRFB3 | Carrefour Brasil ON | 20,53 | +3,06% |
| BTOW3 | B2W ON | 64,69 | +3,01% |
| TOTS3 | Totvs ON | 58,08 | +2,98% |
Confira também as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| ECOR3 | Ecorodovias ON | 10,12 | -5,33% |
| BRDT3 | BR Distribuidora ON | 18,53 | -4,93% |
| GOLL4 | Gol PN | 11,76 | -4,23% |
| PETR4 | Petrobras PN | 15,72 | -4,03% |
| CCRO3 | CCR ON | 12,26 | -3,99% |
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