O peso da aversão ao risco: dólar sobe a R$ 5,82 e Ibovespa recua mais de 1%
O dólar à vista fechou em alta e se aproximou das máximas, influenciado pelo tom mais defensivo dos investidores. O Ibovespa caiu e perdeu o nível dos 80 mil pontos

Na sexta-feira passada (8), os mercados brasileiros tiveram um dia de recuperação intensa: o Ibovespa subiu e retomou os 80 mil pontos, enquanto o dólar à vista passou por um alívio intenso e se afastou das máximas. Essa onda positiva, no entanto, não resistiu ao fim de semana.
Isso porque os investidores mudaram de toada já nesta segunda-feira (11): a aversão ao risco voltou a pesar, pressionando os ativos domésticos. Como resultado, o dólar à vista voltou a subir com intensidade e o Ibovespa fechou perto das mínimas da sessão.
Dando números ao estrago: o principal índice da bolsa brasileira terminou o pregão em baixa de 1,49%, aos 79.064,60 pontos, enquanto o dólar à vista avançou 1,37%, a R$ 5,8206 — é a segunda maior cotação de fechamento para a moeda americana em termos nominais, perdendo apenas para os R$ 5,8409 da última quinta-feira (7).
- Eu gravei um vídeo para explicar a dinâmica por trás dos mercados locais nesta segunda-feira. Veja abaixo:
Toda essa cautela não foi à toa: o radar dos investidores detectou diversos elementos preocupantes no horizonte — e, num cenário como esse, nada mais natural que assumir uma postura mais defensiva, evitando uma exposição desnecessária ao risco.
No exterior, os investidores acompanham de perto os números do surto de coronavírus, com atenção especial à Ásia: foram registrados novos casos em Wuhan e em outras partes do continente, o que eleva os temores quanto a uma segunda onda da doença na região.
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Segundo a universidade americana Johns Hopkins, mais de 4,1 milhões de pessoas no mundo todo já foram contaminadas pela Covid-19, com cerca de 284 mil mortes. Estados Unidos e Europa ainda despontam como as regiões mais críticas no mundo, mas o número de infectados no Brasil tem aumentado num ritmo preocupante.
Por aqui, já são mais de 162 mil casos confirmados no país e 11.123 mortes, de acordo com dados publicados ontem pelo ministério da Saúde — a curva de contágio no Brasil parece estar numa fase ascendente, o que aumenta a cautela entre os investidores.
Assim, o noticiário referente ao coronavírus no Brasil também foi um foco de pressão ao Ibovespa e ao dólar à vista nesta segunda-feira, uma vez que, caso a doença continue se espalhando num ritmo elevado no país, as principais capitais tendem a endurecer as medidas de isolamento — um panorama que, obviamente, desencadeará impactos mais severos à economia.
Tensão política
Ainda no Brasil, os investidores continuam de olho no cenário político e na deterioração nas relações entre governo e Congresso. Em primeiro plano, aparece a questão do aumento aos servidores públicos estipulado na PEC de auxílio financeiro emergencial aos Estados e municípios.
O presidente Jair Bolsonaro sinalizou que irá vetar esse reajuste, uma medida que é vista como essencial para preservar as reformas fiscais — e que representaria um aceno favorável ao ministro da Economia, Paulo Guedes. No entanto, o veto seria bastante impopular, o que aumenta as dúvidas quanto ao que irá acontecer nesse front.
Esse clima de incerteza, assim, também é decisivo para aumentar a aversão ao risco por parte do mercado, que opta por correr para a segurança do dólar e assumir uma postura mais defensiva na bolsa.
Ao longo da sessão, o Ibovespa até tentou sustentar um desempenho não tão negativo — o tom mais ameno visto nas bolsas americanas contribuiu para manter o índice perto do zero a zero durante boa parte do dia. Mas, na meia hora final, a cautela acabou pesando por aqui:
No mercado de juros futuros, o tom foi de relativa estabilidade: os investidores aguardam a ata da última reunião do Copom, com divulgação prevista para amanhã, para ter mais clareza quanto aos planos do BC na condução da política monetária:
- Janeiro/2021: de 2,48% para 2,47%;
- Janeiro/2022: de 3,24% para 3,27%;
- Janeiro/2023: de 4,42% para 4,46%;
- Janeiro/2025: de 6,40% para 6,44%.
[captacao]
BRF sobe, IRB cai
No lado corporativo, duas empresas do Ibovespa se destacam nesta manhã, cada uma em uma ponta do índice: enquanto BRF ON (BRFS3) sobe 12,27%, IRB ON (IRBR3) desaba 14,05%.
O frigorífico reportou na noite passada seus resultados trimestrais. Embora tenha fechado o período com prejuízo de R$ 38 milhões, também mostrou uma evolução no lado operacional: a receita líquida cresceu mais de 20% na base anual e a geração de caixa foi bastante intensa — fatores que agradaram o mercado.
Já o IRB sofre nova queda intensa após a Superintendência de Seguros Privados (Susep) instaurar um processo de fiscalização na companhia — há uma insuficiência na composição de ativos garantidores de provisões.
Veja abaixo as cinco maiores altas do Ibovespa nesta segunda-feira:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| BRFS3 | BRF ON | 20,85 | +11,26% |
| BRKM5 | Braskem PNA | 22,08 | +8,34% |
| MRFG3 | Marfrig ON | 13,75 | +3,77% |
| SBSP3 | Sabesp ON | 41,72 | +1,76% |
| EQTL3 | Equatorial ON | 17,89 | +1,65% |
Confira também as maiores baixas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| IRBR3 | IRB ON | 7,70 | -14,82% |
| CVCB3 | CVC ON | 11,16 | -6,14% |
| BRDT3 | BR Distribuidora ON | 17,91 | -5,98% |
| CSNA3 | CSN ON | 8,02 | -5,76% |
| RENT3 | Localiza ON | 28,10 | -5,23% |
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