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O Ibovespa fechou a semana com perdas acumuladas de mais de 5%, em meio ao pessimismo dos investidores em relação à economia global. O dólar foi a R$ 5,32
O Ibovespa e as bolsas globais ensaiaram um movimento de recuperação na semana passada: embalados pelos pacotes de estímulo anunciados por governos e bancos centrais, os investidores aumentaram suas posições no mercado acionário — o índice brasileiro, por exemplo, saltou quase 10%.
Esse movimento, no entanto, foi efêmero: nenhuma medida econômica foi capaz de neutralizar o pessimismo gerado pelo avanço do coronavírus — e pela constatação dos primeiros estragos que a pandemia gerou ao nível de atividade global.
Como resultado, o Ibovespa voltou a assumir um tom negativo, fechando o pregão desta sexta-feira (3) em baixa de 3,76%, aos 69.537,56 pontos. Na semana, as perdas acumuladas chegaram a 5,30%; desde o começo de 2020, a queda já totaliza 39,87%.
Nos Estados Unidos, o clima não foi muito diferente: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq também tiveram desempenhos negativos, fechando a semana com recuos acumulados de 2,7%, 2,08% e 1,72%, nesta ordem. Na Europa, os últimos dias foram igualmente ruins nas principais praças acionárias.
O mercado de câmbio não ficou para trás, fazendo companhia às bolsas. O dólar à vista subiu 1,15% hoje, encerrando a R$ 5,3270 — é a terceira sessão consecutiva em que a moeda americana renova os recordes nominais de fechamento. No ano, a divisa salta 31,94%.
Toda essa onda de cautela ocorreu mesmo com o forte alívio visto no mercado de commodities, com o petróleo se recuperando nesta semana. Mas nem mesmo esse impulso foi capaz de melhorar os ânimos dos investidores na semana.
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Em primeiro plano, aparece o avanço do coronavírus pelo mundo: de acordo com levantamento feito pela universidade americana Johns Hopkins, mais de 1,08 milhão de pessoas já foram infectadas pela doença, com 58 mil mortes.
E, nesta semana, ficou evidente que os Estados Unidos estão se tornando rapidamente a nova área crítica da Covid-19: apenas na quinta-feira (2), mais de mil americanos faleceram por causa do vírus; além disso, o país é o novo recordista em casos confirmados.
Nesta semana, o presidente Donald Trump disse que as próximas semanas serão 'muito difíceis' — a projeção oficial da Casa Branca já fala em mais de 200 mil mortos no país.
Nesse cenário, os EUA começam a adotar uma postura mais dura para combater a disseminação da doença, com medidas mais rígidas de isolamento social e restrição de circulação de pessoas — o que, naturalmente, traz um impacto firme à economia do país.
Indicadores de atividade industrial e do setor de serviços dos EUA em março mostraram uma queda substancial, mas o dado mais relevante foi conhecido hoje: o país cortou 701 mil empregos em março, segundo dados publicados nesta sexta-feira (3) pelo Departamento do Trabalho. Com o resultado, a taxa de desemprego avançou de 3,4% para 4,4%.
Por mais que uma piora nos indicadores de emprego fosse esperada, esse aumento no desemprego ocorreu num ritmo mais elevado que o projetado por analistas, aumentando o pessimismo em relação ao futuro da economia americana.
Ainda no exterior, chamou a atenção o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) composto da zona do euro — um indicador de atividade da região —, que recuou de 51,6 em fevereiro para a mínima histórica de 29,7 em março, segundo pesquisa final divulgada hoje pela IHS Markit.
No Brasil, o PMI composto caiu para 37,6 pontos em março, de 50,9 em fevereiro. A retração foi puxada pelo setor de serviços que, em março, caiu para 34,5, de 50,4 em fevereiro.
São dados negativos, mas que não foram o destaque da semana. O indicador mais relevante foi o aumento na taxa de desemprego, para 11,6% no trimestre encerrado em fevereiro, com mais de 12 milhões de pessoas sem trabalho.
Ou seja: mesmo antes da crise do coronavírus, a economia brasileira já estava sofrendo — o que cria um prognóstico bastante ruim a respeito do que virá nos próximos meses.
Além disso, a deterioração cada vez maior no cenário político doméstico também é motivo de cautela entre os investidores. De um lado, aparece o presidente Jair Bolsonaro; do outro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e quase toda a classe política — incluindo governadores, prefeitos e as lideranças na Câmara e no Senado.
Divergências a respeito da conduta do governo federal em meio à crise têm provocado enorme mal-estar em Brasília e aumentam a percepção de que não há um plano unificado de ação para combater o coronavírus — o que dificulta ainda mais o cenário para a saúde pública e para a economia.
Mas, apesar de todo o pessimismo, a semana contou com pelo menos uma boa notícia: a possível trégua entre Arábia Saudita e Rússia no front da guerra de preços do petróleo.
A reaproximação começou ontem, com o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizando que sauditas e árabes estariam mantendo contato e discutindo um eventual corte na produção da commodity — o ponto de desacordo entre os países e que culminou nessa disputa.
E, hoje, foi confirmado que a Opep+ — grupo formado pelos países da Organização de Países Exportadores de Petróleo e seus aliados — irá discutir na segunda-feira (6) a respeito de uma redução de pelo menos 6 milhões de barris na produção global.
O noticiário trouxe enorme alívio às cotações do petróleo: na quinta-feira, tanto o Brent quanto o WTI saltaram mais de 20%; hoje, os dois contratos fecharam em alta de mais de 10%.
Apesar disso, vale ressaltar que as cotações da commodity seguem em níveis muito inferiores aos vistos há um ano. O barril do petróleo segue sendo negociado ao redor dos US$ 30 — em abril de 2019, os preços oscilavam entre os US$ 60 e US$ 70.
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