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Ricardo Gozzi

É jornalista e escritor. Passou quase 20 anos na editoria internacional da Agência Estado antes de se aventurar por outras paragens. Escreveu junto com Sócrates o livro 'Democracia Corintiana: a utopia em jogo'. Também é coautor da biografia de Kid Vinil.

De virada

Ibovespa aproveita bom desempenho da Petrobras e estreia no quarto trimestre com virada contra cautela

Com virada da bolsa a partir do meio da tarde, cautela com os cenários político e fiscal locais ficou restrita aos mercados de câmbio e juros

Ricardo Gozzi
1 de outubro de 2020
17:50 - atualizado às 18:12
Jogador de futebol chuta bola
Jogador de futebol chuta bola - Imagem: Shutterstock

O primeiro pregão do último trimestre de 2020 teve ares de um emocionante jogo de futebol com duas viradas no Ibovespa.

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Depois de sair ganhando em sua estreia em outubro, o índice nem teve tempo de comemorar. Logo ficou em desvantagem no placar e teve que correr atrás.

Algumas mexidas depois, o Ibovespa recuperou-se na etapa complementar e conseguiu uma virada sobre a cautela dos investidores com os cenários fiscal e político do Brasil.

O craque responsável por mudar o cenário em campo foi a Petrobras, que saiu de um desempenho apagado no começo para conduzir o Ibovespa à conquista do resultado positivo.

O jogo

O Ibovespa saiu na frente. O principal índice de ações da B3 começou a partida acompanhando o movimento de apetite por risco vigente nos mercados financeiros internacionais em meio à expectativa de um acordo bipartidário em torno de um trilionário pacote de estímulo à economia dos Estados Unidos.

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A esperança em um novo pacote com valor entre US$ 1,5 trilhão e US$ 2,2 trilhões em estímulos fiscais fez as bolsas de valores europeias fecharem majoritariamente em alta. Em Wall Street, os três principais índices (Dow Jones, +0,13%; S&P-500, +0,53%; Nasdaq, +1,42%) encerraram no azul.

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Ainda no começo, entretanto, o Ibovespa sofreu a primeira virada do dia.

Apesar do otimismo predominante, o fato de democratas e republicanos estarem há meses sem conseguir desfazer o impasse em torno do acordo limitava um pouco os ganhos, uma vez que as eleições presidenciais norte-americanas se aproximam e tendem a dificultar aproximações entre situação e oposição.

Além disso, a cautela dos investidores com relação aos cenários político e fiscal no Brasil pressionou os ativos locais durante a maior parte da estreia do Ibovespa no mês de outubro e, consequentemente, no quarto trimestre.

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Cautela fiscal e política limitou ganhos

Durante a maior parte do dia, os investidores locais acompanharam o impasse relacionado às fontes de financiamento do programa Renda Cidadã ao mesmo tempo em que monitoram os desdobramentos dos desentendimentos entre o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Em nova troca de farpas ocorrida ontem, o presidente da Câmara afirmou que Guedes está ‘desequilibrado’ depois de o ter acusado de ter feito ‘um acordo com a esquerda' para não pautar privatizações no Congresso.

Sobre o programa de renda mínima cotado para suceder o Bolsa Família, embora a informação de que o governo teria desistido dos recursos de precatórios tenha sido considerada 'positiva', a fonte de financiamento do Renda Cidadã segue indefinida.

Virada veio com a Petrobras

Dentre os componentes do Ibovespa, os papéis da Gol e da Azul registraram forte alta depois de o Goldman Sachs ter revisado sua recomendação para as companhias aéreas de 'neutra' para 'compra'.

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As ações de shopping centers também registravam bom desempenho em meio à expectativa de afrouxamentos das regras de isolamento social no Brasil.

Outro papel a brilhar hoje foi o da resseguradora IRB Brasil, que mantém o bom desempenho do fim do trimestre anterior em meio a uma sucessão de notícias consideradas positivas para a empresa. Mais uma vez a ação ON da IRB figurou como a de maior valorização do dia no Ibovespa.

Mas quem conduziu a virada foi a Petrobras. Os papéis da companhia estatal de petróleo e gás passaram a subir com o julgamento sobre a venda de ativos em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF). Petrobras ON avançou 0,91%, enquanto Petrobras PN subiu 1,22%.

Com isso, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,93%, aos 95.478,52 pontos.

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Confira a seguir as 5 maiores altas e as 5 maiores quedas do dia entre os componentes do Ibovespa.

MAIORES ALTAS

  • IRB Brasil ON (IRBR3) +8,14%
  • Cogna ON (COGN3) +6,56%
  • Multiplan ON (MULT3) +5,76%
  • BR Malls ON (BRML3) +5,61%
  • Azul PN (AZUL4) +5,41%

MAIORES BAIXAS

  • Natura ON (NTCO3) -4,99%
  • Qualicorp ON (QUAL3) -3,50%
  • CVC ON (CVCB3) -2,60%
  • Minerva ON (BEEF3) -1,62%
  • B3 ON (B3SA3) -0,87%

Dólar e juro

Com a virada do Ibovespa, a cautela com os cenários político e fiscal locais concentrou-se no mercado de câmbio.

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O dólar fechou em alta de 0,63%, cotado a R$ 5,6541.

Com isso, o real segue como a moeda mais desvalorizada ante a divisa norte-americana em 2020, com depreciação superior a 40% no acumulado do ano.

Já os contratos de juros futuros fecharam em alta acompanhando a valorização do dólar em meio à persistente percepção de deterioração do cenário fiscal brasileiro.

As taxas de DI também reagiram ao leilão de títulos públicos realizado na manhã de hoje pelo Tesouro Nacional.

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Confira as taxas negociadas de alguns dos principais contratos negociados na B3:

  • Janeiro/2022: de 3,050% para 3,120%;
  • Janeiro/2023: de 4,510% para 4,610%;
  • Janeiro/2025: de 6,500% para 6,530%;
  • Janeiro/2027: de 7,480% para 7,500%.

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