Cade aprova compra da Embraer pela Boeing
A operação analisada pelo Cade prevê duas transações. Uma delas consiste na aquisição pela Boeing de 80% do capital do negócio de aviação comercial da Embraer, que engloba a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte (operação comercial)

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta segunda-feira (27/01), a operação envolvendo Boeing e Embraer, sem restrições. A autarquia concluiu que as fabricantes não concorrem nos mesmos mercados e que não há risco de problemas concorrenciais por conta da aquisição.
A operação analisada pelo Cade prevê duas transações. Uma delas consiste na aquisição pela Boeing de 80% do capital do negócio de aviação comercial da Embraer, que engloba a produção de aeronaves regionais e comerciais de grande porte (operação comercial).
Já a segunda trata da operação de defesa com a criação de uma joint venture entre Boeing e Embraer voltada para a produção da aeronave de transporte militar KC-390, com participações de 49% e 51%, respectivamente.
As análises do órgão
Para a análise da operação comercial, o Cade se baseou no segmento de aeronaves comerciais com capacidade entre 100 e 150 assentos, mercado considerado na operação.
A avaliação feita pela autarquia concluiu que a operação não deve impactar negativamente os níveis de rivalidade existentes neste mercado. Para o órgão, a ampliação do portfólio da Boeing deve, na verdade, aumentar sua capacidade de exercer pressão competitiva contra a líder Airbus.
Já no âmbito da operação de defesa, o Cade analisou o mercado mundial de aeronaves tripuladas de transporte militar no qual se insere o KC-390, da Embraer, e as aeronaves C-40 Clipper e KC-46 A Pegasus, da Boeing.
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Na análise, a autarquia concluiu que não existe possibilidade de exercício de poder de mercado, já que a operação não representa a união dos portfólios de aeronaves de transporte militar das empresas, mas sim a participação de ambas em um projeto comum.
Em sua conclusão, o Cade diz ter entendido que a operação resultará em benefícios para a Embraer, que passará a ser um parceiro estratégico da Boeing. Dessa maneira, a divisão que permanece na fabricante brasileira – aviação executiva e de defesa – contará com maior cooperação tecnológica e comercial da Boeing.
Além disso, os investimentos mais pesados da divisão comercial, que possui forte concorrência com a Airbus, ficarão a cargo da Boeing.
A nova empresa
A fusão entre as duas fabricantes foi anunciada em julho de 2018. Na ocasião, a Embraer fechou a venda de 80% de sua divisão de aviação comercial para a americana Boeing. O negócio criaria uma nova companhia, avaliada em US$ 4,8 bilhões (R$ 19 bilhões), em que a brasileira teria apenas 20% de participação.
Com a venda, a fabricante brasileira receberia US$ 3,8 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões) e lhe restaria apenas suas áreas de defesa e jatos executivos – que historicamente possuem menor participação nos resultados da companhia.
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