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Felipe Saturnino

Felipe Saturnino

Graduado em Jornalismo pela USP, passou pelas redações de Bloomberg e Estadão.

descolado do exterior

Com Petrobras e bancos, Ibovespa foge da cautela em NY e fecha em alta; dólar cai a R$ 5,60

Desempenho dos papéis, além de sinais políticos, fazem índice subir, após exercício de opções reduzir ritmo da alta. Nos EUA, ceticismo sobre vaivém de acordo por estímulos fiscais derruba bolsas

Felipe Saturnino
Felipe Saturnino
19 de outubro de 2020
18:20 - atualizado às 19:08
Petrobras petr4
Petrobras - Imagem: Shutterstock

O Ibovespa prometia uma sessão de gala nesta segunda-feira (19), após marcar uma abertura firme e chegar a subir 1,64% na máxima aos 99.917,22 pontos, por volta das 12h15.

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O índice, que se manteve no terreno positivo a sessão inteira, foi embalado pelos desempenhos de Petrobras e bancos.

As ações da estatal (PETR3 e PETR4), um dos pesos-pesados do índice, ganharam no mínimo 1% hoje.

Os papéis das instituições financeiras também foram bem. As units do BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, subiram mais de 3,7%. As ações de Bradesco (BBDC4 e BBDC3), Banco do Brasil (BBAS3) e Itaú (ITUB4) avançaram ao menos 1% no índice. Os papéis de Santander (SANB11) ganharam 0,75%.

"A performance dos bancos, que têm peso no índice, ajudou", disse Ari Santos, operador de renda variável da Commcor.

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Os sinais favoráveis vindos do cenário político, com declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda no fim da semana passada e hoje, e também do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, além do exercício de opções de compra e venda sobre ações, também ajudaram o desempenho do Ibovespa hoje.

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Após o exercício, no entanto, o principal índice acionário da B3 reduziu significativamente o fôlego, mas ainda conseguiu se manter em alta em um dia de pessimismo nas bolsas americanas a respeito do suporte à economia dos Estados Unidos.

Por fim, o Ibovespa terminou a sessão em alta de 0,35%, aos 98.657,65 pontos. Com isso, no mês, o índice registra avanço de 4,3%.

"O mercado está puxado pela posição dada por Paulo Guedes na sexta passada, demonstrando um apoio e resistência do Ministério da Economia à permanência do teto de gastos", disse Igor Cavaca, analista da Warren, sobre a alta firme que o índice tinha durante a tarde.

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Cavaca também citou a menor projeção de queda do PIB no boletim Focus (de 5,03% para 5%) e que a possibilidade da extensão do auxílio emergencial pode sustentar o consumo como fatores positivos para a bolsa.

Na sexta (16), o ministro Paulo Guedes afirmou em live da XP Investimentos que o governo irá manter o teto de gastos, ainda que isso represente desistir do Renda Cidadã, programa social do governo Jair Bolsonaro que viria a substituir o Bolsa Família.

Hoje, Guedes também disse que haverá luta pelo teto e que o presidente Jair Bolsonaro "está do nosso lado".

As declarações do chefe da pasta da Economia somaram-se à do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, de que apenas há a possibilidade de extensão do auxílio emergencial dentro do teto.

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Pela manhã, as bolsas americanas chegaram a abrir em alta levadas pela expectativa de um pacote de suporte à maior economia do mundo, mas o ceticismo de que um acordo saia até as eleições presidenciais deixou os nervos dos investidores à flor da pele, arrastando os índices dos EUA a uma forte queda hoje.

Ainda assim, a visão é que o cenário doméstico justificou o desempenho do dia. "Acredito estar mais relacionado ao mercado interno do que com o pacote nos EUA", disse Luciano França, gestor de fundos da Avantgarde Asset Management, mais cedo, sobre a performance do Ibovespa.

Top 5

Hoje foi dia de exercício de opções na bolsa. Segundo os dados da B3, o exercício movimentou R$ 10,4 bilhões — R$ 5,9 bilhões em opções de compra e R$ 4,4 bilhões em opções de venda.

Por meio do exercício de opções, um investidor pode decidir pela compra ou pela venda de um papel ao preço do exercício em uma determinada data.

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Os papéis de Gol e Azul estiveram entre as principais altas do Ibovespa hoje. As empresas aéreas foram severamente punidas durante o ano repercutindo os efeitos da covid-19, tendo perdido 46% e 54% de seus valores no acumulado do ano, respectivamente.

Veja as maiores altas percentuais do índice hoje:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
CIEL3Cielo ONR$ 3,78 6,18%
GOLL4 Gol PN R$ 19,90 4,46%
BRML3BR Malls ONR$ 9,224,30%
AZUL4 Azul PN R$ 26,50 3,92%
BRDT3BR Distribuidora ONR$ 21,173,57%

As ações de empresas do setor de proteínas tiveram as maiores baixas no índice hoje. Confira as maiores quedas do Ibovespa:

CÓDIGOEMPRESAPREÇOVARIAÇÃO
JBSS3JBS ONR$ 22,07 -4,87%
BRFS3 BRF ON R$ 18,16 -3,10%
BTOW3 B2W ON R$ 90,16 -3,05%
MRFG3Marfrig ONR$ 15,12-2,70%
ECOR3EcoRodovias ONR$ 11,60-2,68%

Bolsas em NY caem forte

O ceticismo em relação às negociações de um pacote de estímulos fiscais trouxe apreensão aos índices acionários americanos.

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Ontem, a presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, a democrata Nancy Pelosi, disse em entrevista que estava otimista quanto à aprovação de um acordo para um pacote de estímulos fiscais.

Ela conversou com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, no sábado, mas disse que o presidente Donald Trump precisaria dar uma resposta sobre o tema até amanhã, se quiser que o pacote saia antes do pleito presidencial de 3 de novembro.

Uma auxiliar de Pelosi afirmou que as chances são bem menores de haver um acordo por estímulos fiscais após o dia de amanhã até as eleições.

Em meio ao vaivém das negociações, os índices acionários americanos terminaram o dia em forte queda. O S&P 500 caiu 1,6%, o Dow Jones, 1,4%, e o Nasdaq, 1,65%.

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Na agenda externa, o grande dado do dia, liberado ontem à noite, veio da China.

O país divulgou dados econômicos ontem à noite, que vieram mistos. O PIB do país cresceu 4,9% no terceiro trimestre em termos anuais, abaixo da expectativa de 5,3% dos economistas consultados pelo The Wall Street Journal.

Contudo, a produção industrial do gigante asiático cresceu 6,9% em setembro ante o mesmo período do ano passado, acima da estimativa de 5,8% dos analistas. Já as vendas no varejo aumentaram 3,3% na mesma base de comparação, acima da expectativa de 1,7%.

Dólar e juros caem

Já o dólar à vista fechou o dia em firme queda de 0,71%, cotado aos R$ 5,6032.

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A moeda americana sofreu uma desvalorização global, segundo demonstra o Dollar Index (DXY), índice que compara o dólar a uma cesta de divisas como euro, libra e iene, que apontou recuo de 0,31% no dia de hoje.

"A visão que se consolida é de derrota do Trump e de um dólar mais fraco porque haverá menos protecionismo e a recuperação será mais forte em diferentes países do que nos Estados Unidos", diz Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.

De acordo com Cruz, no entanto, isto não quer dizer que necessariamente o dólar manterá uma tendência de queda em relação ao real, uma vez que o Brasil tem de fazer a lição de casa — resolvendo a questão fiscal.

O estrategista também afirma que o compromisso ressaltado por Guedes com o teto de gastos sustentou a queda dos juros futuros hoje.

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"Externo contribuiu bastante também", diz Camila Abdelmalack, para quem a queda do dólar globalmente conduziu as taxas a manterem uma queda firme hoje na B3.

"Semana tranquila no Congresso, o que ajuda quando não tem atrito", afirma ela.

Os juros ao longo da curva apresentaram desempenho baixista hoje, acompanhando o desempenho da divisa americana. Confira as taxas de alguns vencimentos:

  • Janeiro/2021: de 1,98% para 1,96%
  • Janeiro/2022: de 3,41% para 3,29%
  • Janeiro/2023: de 4,79% para 4,66%
  • Janeiro/2025: de 6,62% para 6,48%

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