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Candidato democrata se aproxima de ser o próximo ocupante da Casa Branca. Moeda americana reage com tombo de 2,74%, enquanto Ibovespa teve dia no “modo de espera” e virou para alta no fim, com realização de lucros nas bolsas globais
O dólar tombou de novo nesta sexta-feira (6).
Foi a maior queda da moeda desde agosto (na ocasião, caiu 2,93%) e ela voltou a operar nos mais baixos níveis vistos desde setembro. Foi também a terceira sessão seguida que a divisa caiu mais de 1,85% — ou seja, o dólar tem de fato estado mais fraco no curtíssimo prazo.
Tudo, basicamente, por causa do "efeito Joe Biden", o democrata que está virtualmente eleito para a presidência dos Estados Unidos.
A leitura feita por analistas é que Biden, opostamente a Donald Trump, adotará uma postura menos protecionista, arrefecendo o tom da guerra comercial contra a China, e assim beneficiando as moedas emergentes, como o real. Isto, por sua vez, enfraquece a divisa.
Os repórteres do Seu Dinheiro Vinícius Pinheiro e Julia Wiltgen discutiram hoje na nossa tradicional live de sexta a eleição americana. Com Biden chegando ao poder, onde pôr o seu dinheiro? Eles responderam essa pergunta. É só dar play para conferir.
Mas voltando ao dólar — a moeda continuou em 2020 o seu movimento de alta. Frente ao real, disparou 34,5% neste ano na esteira da crise da pandemia do coronavírus, que assolou os mercados e forçou os investidores a se desfazerem de ativos de risco e apelarem para "portos seguros".
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Hoje, repercutindo a provável mudança de morador da Casa Branca, o dólar tombou 2,74%, para R$ 5,3937. Mas não foi só isso: o cenário político, normalmente tão conturbado, desanuviou um pouco — o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, afirmou que pretende dar prosseguimento à agenda de reformas econômicas após o primeiro turno das eleições municipais, ou seja, em 16 de novembro.
"Essas quedas recentes estão relacionadas ao cenário externo, mas o nosso Congresso ajudou, sem dúvida", diz Igo Falcão, sócio da Aplix Investimentos. "O Congresso era uma sombra, que agora dá boas sinalizações com o andamento das reformas."
Na semana, o dólar marcou queda de exatos 6%.
É possível dizer que o mercado de câmbio continuará um pouco menos pressionado no curtíssimo prazo ainda com os impactos da vitória de Biden.
Mas a verdade é que os fundamentos da economia brasileira não deverão permitir que vejamos um dólar a preços muito menores no médio prazo.
"Na minha opinião, dólar abaixo de R$ 5,50 é uma grande farsa", diz Abucater, da Tullett Prebon. "Por toda nossa conjuntura: fiscal comprometido e, sem taxas de juros atrativa, não tem entrada de grana."
O dólar não foi o único que se aliviou. Os juros futuros dos depósitos interbancários negociados na B3 também voltaram a cair — e forte.
As taxas seguiram o desempenho dólar e a declaração de Maia, aliviando a curva há muito pressionada pelo risco fiscal.
A ponta curta reagiu especialmente à declaração do diretor do Banco Central, Fabio Kanczuk, que disse que a inflação está "supertranquila" — ressaltando que o BC vê que há um choque de natureza temporária em curso.
Os juros futuros ignoraram completamente o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que anunciou que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, teve avanço de 0,86% em outubro, acima das expectivas dos analistas.
"As declarações do BC de que a inflação de curto prazo não preocupa em nada ajudam a ponta curta", diz Paulo Nepomuceno, analista de renda fixa da Terra Investimentos. "Estamos tirando um pouco dos movimentos exagerados das ultimas semana, quando o dólar disparou e os juros puxaram demais a ponta longa."
Veja taxas dos principais vencimentos:
A sexta dos mercados viu uma pausa no rali das bolsas de valores globais, que havia se estendido pelas últimas quatro sessões nos mercados financeiros.
O Ibovespa seguiu a toada mais branda dos índices americanos, que fecharam o dia dando sinais mistos, e, após passar a maior parte da sessão no campo negativo, na reta final da sessão fechou em alta de 0,17%, para 100.925 pontos. Na semana, subiu 7,42%.
Mais cedo, os investidores optavam por realizar lucros após sessões seguidas de ganhos elevados, interrompendo o ímpeto comprador em meio à pequena cautela sobre os riscos de prolongamento das eleições americanas.
"É natural alguma realização quando estamos nos 100 mil pontos, tem muita gente que exerce opção de venda nesse patamar", diz Falcão, da Aplix Investimentos.
Entre os maiores destaques de alta de hoje, os papéis Iguatemi ON (IGTA3) — que terminou o dia entre as cinco maiores altas do índice —, após a divulgação dos números do terceiro trimestre. Os papéis Multiplan ON (MULT3) foram puxados e dispararam 3,8%.
Enquanto isso, a novela da disputa pela Linx prossegue — e alta das ações Totvs ON (TOTS3), como visto hoje (1,9%), contribui para deixar a empresa na briga. A análise é do Bradesco BBI. Voláteis, as ações IRB ON (IRBR3) voltaram a terminar o dia entre os maiores movimentos da bolsa — desta vez, positivo.
Veja as maiores altas do índice:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| HYPE3 | Hypera ON | 31,52 | 6,02% |
| BRKM5 | Braskem PNA | 24,20 | 5,40% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | 33,98 | 5,10% |
| PRIO3 | PetroRio ON | 34,00 | 5,10% |
| IRBR3 | IRB ON | 6,55 | 4,97% |
No campo dos destaques negativos, as ações Lojas Renner ON (LREN3) caíram mais de 1,5%, após a divulgação dos números do terceiro trimestre. A rede de lojas apresentou prejuízo pela primeira vez em 15 anos.
As maiores baixas ficaram por conta de empresas que sofrem mais com a queda do dólar. Os papéis companhia de logística ferroviária, Rumo ON (RAIL3), cujos resultados dependem de preços de commodities cotados no mercado internacional, foram a maior queda.
O mesmo foi verdade para a exportadora Suzano, produtora de papel e celulose — Suzano ON (SUZB3) foi a segunda maior queda do dia. Confira as 5 principais baixas:
| CÓDIGO | EMPRESA | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| RAIL3 | Rumo ON | 19,21 | -3,27% |
| SUZB3 | Suzano ON | 49,90 | -2,73% |
| FLRY3 | Fleury ON | 28,38 | -2,17% |
| BTOW3 | B2W ON | 82,28 | -2,08% |
| WEGE3 | Weg ON | 84,00 | -2,04% |
Nos EUA, enquanto o democrata Joe Biden se aproximava de vencer a presidência, mas ainda se vislumbrava um caminho duro do ponto de vista judicial à frente, as bolsas americanas flutuavam.
O S&P 500 encerrou o dia em queda de 0,03%; o Dow Jones, de 0,24%; e o Nasdaq, subiu 0,04%.
Na Europa, as principais praças, como Londres, Paris e Frankfurt, fecharam também sem direção clara — FTSE 100 subiu 0,07%, enquanto CAC-40 caiu 0,46% e DAX, 0,7%.
Ainda não há um resultado definitivo para as eleições, embora o cenário mais provável seja o de uma vitória democrata, principalmente após Biden assumir a liderança no estado da Pensilvânia, que tem 96% dos votos apurados até aqui.
Biden também tomou a dianteira na Georgia por margem muito pequena — o estado tem mais de 98% da apuração completa. A equipe de campanha de Trump, no entanto, contesta o resultado e diz que a eleição ainda não acabou. O atual presidente americano alega fraude na contagem de votos.
As projeções de veículos dão Biden com no mínimo 253 delegados dos 270 necessários para se sagrar vencedor, contra 214 do atual presidente. A Associated Press vê Biden com 264 delegados.
Para levar a Casa Branca, Biden precisa vencer em dois dos seguintes estados: Arizona, Carolina do Norte, Nevada e Geórgia — ou ganhar na Pensilvânia. A presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Nancy Pelosi, já o chama de "presidente eleito" e urgiu pela aprovação da ajuda fiscal.
Já Trump precisaria vencer em três e também ganhar na Pensilvânia. Caso o atual presidente vença em Arizona, Nevada, Carolina do Norte e na Pensilvânia, o resultado ficaria empatado.
Com a indefinição do resultado, a euforia que tomou conta dos mercados nos últimos dias dá uma trégua. Os índices acionários globais, no entanto, desaceleraram a queda após dados positivos do payroll e a virada na Pensilvânia.
Mais cedo, o Departamento do Trabalho, divulgou o relatório de emprego dos Estados Unidos, o chamado payroll, e os números vieram melhor do que o esperado, indicando a criação de 638 mil novos postos de trabalho no país.
Enquanto Joe Biden pede calma e que todos os votos sejam contados, Trump disse que está havendo uma fraude na apuração e ameaça recorrer à Suprema Corte para garantir sua permanência no caso.
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