Ibovespa opera estável com queda de Petrobras, Vale e Bradesco, enquanto dólar fecha em alta
Blue chips em quedas firmes pesam no índice; juros ignoram IPCA e dólar e caem. Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello teria dito, em reunião com governadores, que apenas haverá certificação pela Anvisa de imunizante contra coronavírus no 2º mês do ano

O Ibovespa passou a reduzir a alta a partir das 14h40 desta terça-feira (8) e virou de sentido às 14h50, em um movimento gerado por fluxo vendedor em papéis de pesos-pesados na composição do índice após a sequência recente de ganhos.
Por volta das 17h15, o principal índice acionário da B3 tem leve ganho de 0,05%, aos 113.620 pontos.
As ações de Vale e Petrobras, além de Bradesco, operam no campo negativo e pesam na bolsa neste momento. Apenas a petroleira e a mineradora possuem 20% de participação na composição da carteira do Ibovespa.
Os principais destaques de alta percentual vão para BRF, após sua meta ambiciosa de receita para 2030, e Eletrobras, cuja cobertura foi iniciada pelo BTG Pactual com recomendação de compra, vista como "o mais atrativo risco-recompensa sob nossa cobertura" com potencial de alta significativo pela perspectiva de privatização.
Mais cedo, o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello teria dito, em reunião com governadores, que apenas haverá certificação pela Anvisa de imunizante contra coronavírus em fevereiro — o Estado de São Paulo já tem cronograma de vacinação, que se iniciará em 25 de janeiro, conforme anunciado pelo governador João Doria.
A história do mercado se inverteu nos últimos minutos, com o Ibovespa indo para o terreno negativo e as bolsas americanas virando para alta, apesar do aumento de casos de coronavírus e indefinições políticas.
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A incerteza sobre o pacote de estímulos fiscais, nos Estados Unidos, e o impasse quanto ao Brexit, na Europa, além do avanço dos casos de coronavírus no hemisfério norte — nos EUA, as internações chegam ao ápice da crise — como um todo, davam um tom de cautela aos mercados mais cedo.
No país americano, os congressistas em Washington ainda penam para alcançar um entendimento sobre uma proposta de estímulos fiscais. A questão agora é que tipo de proteção dar às empresas e outras entidades durante a pandemia, obstáculos restantes em seus esforços para chegar à ajuda emergencial de mais de US$ 900 bilhões.
Neste momento, no entanto, os principais índices acionários à vista nos EUA sobem.
No Reino Unido, a vacinação foi iniciada hoje, com uma mulher de 91 anos tendo sido a primeira a receber o imunizante da farmacêutica Pfizer.
Do ponto de vista do Brexit, o premiê Boris Johnson deve viajar a Bruxelas para um encontro com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, depois de não chegarem a um acordo em um telefonema de 1h30 ontem. Diferenças importantes continuarem entre os dois continuam, segundo afirmaram em comunicado conjunto.
As principais bolsas na Europa fecharam mistas — somente o FTSE 100, em Londres, e o DAX, em Frankfurt, avançaram.
Os investidores localmente vão deixando de lado o incômodo com uma possível flexibilização do teto de gastos, regra que limita o crescimento das despesas públicas à inflação do ano anterior.
Ontem, a bolsa reduziu os ganhos e virou com a notícia do Broadcast de que a minuta do projeto substitutivo da PEC Emergencial, feita pelo relator da proposta, o senador Márcio Bittar, estipulava despesas que não ficariam sujeitas à regra, desde que fossem proveniente de receita desvinculada dos fundos públicos.
A leitura de analistas e investidores é que esta seria uma forma de driblar a regra constitucional.
Ainda ontem à noite, tanto o ministério da Economia quanto o ministro Paulo Guedes foram rápidos em se pronunciarem, afirmando que qualquer medida que flexibilize o teto não possui a concordância deles, nem do presidente Jair Bolsonaro.
Bittar, que também relata a PEC do Pacto Federativo, se manifestou e disse que não há flexibilização do teto no parecer das propostas.
Dólar reduz ímpeto e fecha em alta, juros caem
O dólar parou de se enfraquecer contra o real na sessão de hoje e fechou em alta de 0,15%, cotado aos R$ 5,1275.
Ainda é o menor nível desde o mês de junho, mas mais cedo a moeda, reagindo ainda à entrada de fluxo estrangeiro no país com a melhora no perfil de risco de ativos de emergentes, chegou a cair 1,1%, para R$ 5,0640.
A divisa americana caiu frente aos pares emergentes do real brasileiro, como peso mexicano, rublo russo e rand sul-africano. Frente a rivais fortes, como euro, libra e iene, conforme indicado pelo Dollar Index (DXY), o dólar se fortaleceu levemente.
Os juros futuros dos depósitos interbancários não reagiram com uma alta ao IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado na manhã de hoje, e, sim, caíram com a percepção de que a tendência de alta dos preços não é consistente, conforme indicado pelos núcleos da inflação do índice.
O IPCA apontou alta de 0,89% em novembro, acima do teto das estimativas, enquanto o IPCA acumulado em 12 meses ultrapassou pela primeira vez desde fevereiro o centro da meta de inflação para 2020, de 4,0%, atingindo 4,31%.
Ainda assim, os agentes financeiros adotam a visão de que a inflação subjacente, ou os núcleos da inflação, que desconsideram efeitos de choques temporários — como, por exemplo, em alimentos, em razão de fatores climáticos, ou em vestuários e carnes, por conta de ajustes sazonais —, mantêm-se bem comportados e não indicam uma tendência de alta dos preços.
Segundo essa percepção, não haveria, então, razão para uma alta de juros por parte do Banco Central (BC) — amanhã o BC decide sobre o futuro da taxa básica de juros, a Selic. Por isto, houve uma desinclinação da curva de juros com queda ao longo de toda a sua extensão.
Pela manhã, foi divulgado o leilão de NTN-Bs (Notas do Tesouro Nacional série B), títulos com taxa de juros prefixada e também atrelados à inflação, realizado pelo Tesouro Nacional.
Foi vendido o lote completo de 1,1 milhão de NTN-Bs — 569,3 mil para maio de 2025; 430,7 mil para agosto de 2030; 12 mil para agosto de 2040 e 88 mil para maio de 2055.
Veja as taxas de fechamento dos principais vencimentos:
- Janeiro/2021: de 1,914% para 1,910%
- Janeiro/2022: de 3,08% para 3,07%
- Janeiro/2023: de 4,48% para 4,45%
- Janeiro/2025: de 6,14% para 6,07%
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