🔴 [NO AR] TOUROS E URSOS: QUEM BRILHOU DENTRO E FORA DA ECONOMIA EM 2025? – CONFIRA OS TOUROS DO ANO

Vale ainda é uma mina de problemas, mas resultados contam outra história

Depois de algum tempo defendendo que era hora de esperar e, com todo respeito às vítimas das tragédias em Brumadinho e Mariana, acho que está na hora de comprar as ações, desde que você tenha estômago para aguentar a inevitável volatilidade que devemos ter pela frente

25 de maio de 2019
6:01 - atualizado às 9:49
Navio da Vale
Imagem: Agência Vale

Uma das principais notícias desta temporada de resultados foi a de que, pela primeira vez na história, a Vale (VALE3) reportou um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) negativo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Apesar de absolutamente verdadeira, a manchete não conta toda a história: o resultado operacional da Vale foi bom, com geração de caixa de US$ 2,2 bilhões, em linha com o primeiro trimestre do ano passado. Com um capex (investimento em ativos fixos) realizado de US$ 512 milhões, temos uma geração de caixa livre saudável da ordem de US$ 1,6 bilhão.

O que fez a Vale reportar números tão ruins foram as provisões referentes ao rompimento da barragem em Brumadinho – a companhia reconheceu despesas de US$ 4,7 bilhões, já incluindo os efeitos do descomissionamento das barragens a montante, o que levou ao Ebitda negativo de US$ 652 milhões – ajustado para esses efeitos, o Ebitda seria positivo em US$ 4,5 bilhões (a bagatela de R$ 18 bilhões).

O que mais me chamou a atenção no resultado foi que, mesmo com volumes muito menores no trimestre, o Ebitda da divisão de minerais ferrosos cresceu em relação ao mesmo período do ano anterior – o aumento de preço do minério de ferro mais do que compensou a queda dos volumes!

O aumento de preços do minério se deu muito em função da própria Vale – o mercado está “justo”, sem muita folga: com a brasileira produzindo menos em função da paralisação da atividade em diversas minas, o preço disparou.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em um mercado de commodities com pouca diferenciação entre os diversos produtores, a “mão invisível” do mercado é implacável – oferta e demanda definem preços e devem fazer Adam Smith chorar de emoção onde quer que esteja gerindo sua fábrica de alfinetes.

Leia Também

Desde o rompimento da barragem em Brumadinho, em janeiro deste ano, o minério já subiu cerca de 30% e está nas máximas desde o começo de 2017. Enquanto o preço sobe, os estoques em portos chineses só caem, o que dá alguma sustentação para os preços no curto prazo.

Fazendo uma conta simples, mas bastante útil, aponta para um potencial alto de valorização para as ações da Vale e, dados os níveis atuais, dá até para dizer que o papel aguenta bastante desaforo.

Basicamente, é o seguinte: o "breakeven" por tonelada de minério para o primeiro trimestre ficou em US$ 30. Essa é só uma maneira bonitinha para dizer que, com o preço do minério abaixo de US$ 30, a Vale começa a dar prejuízo e, acima disso, lucro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pois bem, o minério hoje é negociado a quase US$ 93 por tonelada, mas isso é um “preço lista”, digamos que role um desconto e alguns outros ajustes no meio do caminho e o preço realizado (preço médio de venda) seja US$ 83/ton, mais próximo do que foi no primeiro trimestre (quando o preço lista estava mais baixo).

Sob essas premissas, dá para dizer que para cada tonelada que a Vale vender, ela faz US$ 53 de Ebitda. As estimativas de produção atualizadas (já levando em consideração os efeitos de Brumadinho) indicam volume entre 307 e 332 milhões de toneladas de minério de ferro para 2019.

Se trabalharmos com 310 milhões de toneladas para o segmento de minerais ferrosos (que é o que importa, no fim das contas) e manutenção dos níveis nas outras unidades de negócio, dá para falar em um Ebitda de US$ 18,2 bilhões em 2019. Usando um múltiplo EV/Ebitda (múltiplo que mede a relação entre o valor da empresa e o Ebitda) de 5x (já abaixo da média histórica de 5,5x), chego em um valor justo de R$ 58,2 por ação – um potencial de cerca de 20% de alta para o preço de tela.

Esse número é conservador porque (i) usa um volume de produção próximo ao mínimo do guidance; (ii) usa um preço realizado abaixo do que foi o primeiro trimestre, apesar de o minério estar operando cerca de 10% acima no segundo trimestre e (iiI) já embute um desconto no múltiplo EV/Ebitda porque, bem, a Vale causou os dois maiores desastres ambientais da história brasileira em um intervalo de pouco mais de três anos.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sem forçar muito, dá para chegar em um preço justo de R$ 71 por ação (quase 50% de valorização) – é só trabalhar com um preço realizado de US$ 90/ton de minério (que está praticamente dado para o segundo trimestre) e um volume de 320 milhões de toneladas (no meio das projeções da companhia).

E por que Vale está, assim, tão “barata”?

Até o dia 25 de janeiro, as ações da Vale negociavam em torno de R$ 56 – no dia 28 de janeiro, primeiro pregão depois do rompimento de Brumadinho, as ações fecharam cotadas a R$ 42. Mais do que os estragos do desastre (que foram muitos!), Brumadinho deixou a impressão de que a Vale, seus consultores e os órgãos reguladores são incapazes de avaliar adequadamente a situação das barragens brasileiras.

Oras, se todos os documentos e licenças estavam em dia e se, de fato, a companhia estava sendo mais cautelosa depois do que houve em Mariana, como não conseguiram detectar os problemas em Brumadinho? Todas as barragens são suspeitas.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Para piorar, a crise custou a cabeça de Fabio Schvartsman, então presidente da companhia e um dos executivos mais respeitados do país. Fabio assumiu o cargo no início de 2017 e provocou profundas alterações na estrutura de governança e nas diretrizes operacionais da mineradora – em menos de um ano, o preço das ações mais do que dobrou!

Além disso, operacionalmente, a vida da Vale ficou, de fato, mais difícil – além da menor produção, é difícil acreditar que, ao menos no médio prazo, a companhia tenha vida fácil em conseguir aprovações ambientais, sem contar o maior custo com segurança e até mesmo seguros corporativos.

Por fim, o que parece estar pesando mais para o papel no curto prazo: o fluxo de notícias ainda é bastante negativo. Há poucos dias, a notícia de que um novo rompimento pode ocorrer a qualquer momento em Minas Gerais – há o risco de desabamento no talude da mina de Congo Seco.

O desabamento, em si, tem poucos impactos – a mina está desativada desde 2016 e o conteúdo, seco, seria acomodado dentro da própria mina, sem prejuízos para o entorno. A questão é que há a possibilidade de que o eventual desabamento gere tremores que podem vir a causar o rompimento da barragem Sul Superior, a cerca de 1,5km da mina de Congo Seco (tem bastante condicional aí, não?!).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Quando da divulgação da notícia (16 de maio), as ações chegaram a cair 4,5% e fecharam em queda de 3,2%. O movimento, na minha humilde opinião, foi exagerado e dá nota de como o mercado deve reagir a tudo que for relacionado à Vale por um bom tempo.

Entre o processo de edição e publicação desta coluna, pode ser que o talude ceda e que a mina se rompa. Aí a Vale poderia pedir música para o Fantástico: os três maiores desastres ambientais da história do país em menos de três anos. Sinceramente, me parece pouco provável, por mais que não se possa descartar mais nada no que diz respeito à Vale e suas minas...

Mesmo sabendo que preços de commodities são extremamente voláteis e que, a qualquer momento, novos desdobramentos da guerra comercial entre China e EUA podem devastar o mercado de minério de ferro, o potencial para geração de caixa da Vale mais do que compensa os riscos – o termo técnico seria: “nesse nível de preços, o papel aguenta desaforo pra caralho”.

Depois de algum tempo defendendo que era hora de esperar, acredito que a maioria das incertezas ficou para trás e, com todo respeito às vítimas das tragédias em Brumadinho e Mariana, acho que está na hora de comprar Vale, desde que você tenha estômago para aguentar a inevitável volatilidade que devemos ter pela frente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sem forçar muito, dá para chegar em um preço justo de R$ 71 por ação (quase 50% de valorização) – é só trabalhar com um preço realizado de US$ 90/ton de minério (que está praticamente dado para o segundo trimestre) e um volume de 320 milhões de toneladas (no meio das projeções da companhia).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

COMPARTILHAR

Whatsapp Linkedin Telegram
VEJA A LISTA COMPLETA

As maiores quedas do Ibovespa em 2025: o que deu errado com Raízen (RAIZ4), Hapvida (HAPV3) e Natura (NATU3)?

31 de dezembro de 2025 - 7:30

Entre balanços frustrantes e um cenário econômico hostil, essas companhias concentraram as maiores quedas do principal índice da bolsa brasileira

ACABOU O RALI?

Ouro recua quase 5% e prata tomba quase 9% nesta segunda (29); entenda o que aconteceu com os metais preciosos

29 de dezembro de 2025 - 18:07

Ouro acumula alta de 66% em 2025, enquanto a prata avançou cerca de 145% no ano

RESUMO DOS MERCADOS

Na reta final de 2025, Ibovespa garante ganho de 1,5% na semana e dólar acompanha 

27 de dezembro de 2025 - 9:15

A liquidez reduzida marcou as negociações na semana do Natal, mas a Selic e o cenário eleitoral, além da questão fiscal, continuam ditando o ritmo do mercado brasileiro

A MIGRAÇÃO COMEÇOU?

Apetite por risco atinge o maior nível desde 2024, e investidores começam a trocar a renda fixa pela bolsa, diz XP

26 de dezembro de 2025 - 15:05

Levantamento com assessores mostra melhora no sentimento em relação às ações, com aumento na intenção de investir em bolsa e na alocação real

ÍNDICE RENOVADO

Perto da privatização, Copasa (CSMG3) fará parte do Ibovespa a partir de janeiro, enquanto outra ação dá adeus ao índice principal

26 de dezembro de 2025 - 9:55

Terceira prévia mostra que o índice da B3 começará o ano com 82 ativos, de 79 empresas, e com mudanças no “top 5”; saiba mais

CENÁRIOS ALTERNATIVOS

3 surpresas que podem mexer com os mercados em 2026, segundo o Morgan Stanley

25 de dezembro de 2025 - 14:00

O banco projeta alta de 13% do S&P 500 no próximo ano, sustentada por lucros fortes e recuperação gradual da economia dos EUA. Ainda assim, riscos seguem no radar

TOUROS E URSOS #253

Ursos de 2025: Banco Master, Bolsonaro, Oi (OIBR3) e dólar… veja quem esteve em baixa neste ano na visão do Seu Dinheiro

24 de dezembro de 2025 - 8:00

Retrospectiva especial do podcast Touros e Ursos revela quem terminou 2025 em baixa no mercado, na política e nos investimentos; confira

AINDA MAIS PRECIOSOS

Os recordes voltaram: ouro é negociado acima de US$ 4.450 e prata sobe a US$ 69 pela 1ª vez na história. O que mexe com os metais?

22 de dezembro de 2025 - 12:48

No acumulado do ano, a valorização do ouro se aproxima de 70%, enquanto a alta prata está em 128%

BOMBOU NO SD

LCIs e LCAs com juros mensais, 11 ações para dividendos em 2026 e mais: as mais lidas do Seu Dinheiro

21 de dezembro de 2025 - 17:10

Renda pingando na conta, dividendos no radar e até metas para correr mais: veja os assuntos que dominaram a atenção dos leitores do Seu Dinheiro nesta semana

B DE BILHÃO

R$ 40 bilhões em dividendos, JCP e bonificação: mais de 20 empresas anunciaram pagamentos na semana; veja a lista

21 de dezembro de 2025 - 16:01

Com receio da nova tributação de dividendos, empresas aceleraram anúncios de proventos e colocaram mais de R$ 40 bilhões na mesa em poucos dias

APÓS UMA DECISÃO JUDICIAL

Musk vira primeira pessoa na história a valer US$ 700 bilhões — e esse nem foi o único recorde de fortuna que ele bateu na semana

21 de dezembro de 2025 - 11:30

O patrimônio do presidente da Tesla atingiu os US$ 700 bilhões depois de uma decisão da Suprema Corte de Delaware reestabelecer um pacote de remuneração de US$ 56 bilhões ao executivo

DESTAQUES DA SEMANA

Maiores quedas e altas do Ibovespa na semana: com cenário eleitoral e Copom ‘jogando contra’, índice caiu 1,4%; confira os destaques

20 de dezembro de 2025 - 16:34

Com Copom firme e incertezas políticas no horizonte, investidores reduziram risco e pressionaram o Ibovespa; Brava (BRAV3) é maior alta, enquanto Direcional (DIRR3) lidera perdas

OS MAIORES DO ANO

Nem o ‘Pacman de FIIs’, nem o faminto TRXF11, o fundo imobiliário que mais cresceu em 2025 foi outro gigante do mercado; confira o ranking

19 de dezembro de 2025 - 14:28

Na pesquisa, que foi realizada com base em dados patrimoniais divulgados pelos FIIs, o fundo vencedor é um dos maiores nomes do segmento de papel

MEXENDO NO PORTFÓLIO

De olho na alavancagem, FIIs da TRX negociam venda de nove imóveis por R$ 672 milhões; confira os detalhes da operação

19 de dezembro de 2025 - 11:17

Segundo comunicado divulgado ao mercado, os ativos estão locados para grandes redes do varejo alimentar

MERCADOS

“Candidatura de Tarcísio não é projeto enterrado”: Ibovespa sobe e dólar fecha estável em R$ 5,5237

18 de dezembro de 2025 - 19:21

Declaração do presidente nacional do PP, e um dos líderes do Centrão, senador Ciro Nogueira (PI), ajuda a impulsionar os ganhos da bolsa brasileira nesta quinta-feira (18)

ENTREVISTA

‘Se eleição for à direita, é bolsa a 200 mil pontos para mais’, diz Felipe Miranda, CEO da Empiricus

18 de dezembro de 2025 - 19:00

CEO da Empiricus Research fala em podcast sobre suas perspectivas para a bolsa de valores e potenciais candidatos à presidência para eleições do próximo ano.

OTIMISMO NO RADAR

Onde estão as melhores oportunidades no mercado de FIIs em 2026? Gestores respondem

18 de dezembro de 2025 - 17:41

Segundo um levantamento do BTG Pactual com 41 gestoras de FIIs, a expectativa é que o próximo ano seja ainda melhor para o mercado imobiliário

PROVENTOS E MAIS PROVENTOS

Chuva de dividendos ainda não acabou: mais de R$ 50 bilhões ainda devem pingar na conta em 2025

18 de dezembro de 2025 - 16:30

Mesmo após uma enxurrada de proventos desde outubro, analistas veem espaço para novos anúncios e pagamentos relevantes na bolsa brasileira

ONDA DE PROVENTOS

Corrida contra o imposto: Guararapes (GUAR3) anuncia R$ 1,488 bilhão em dividendos e JCP com venda de Midway Mall

18 de dezembro de 2025 - 9:29

A companhia anunciou que os recursos para o pagamento vêm da venda de sua subsidiária Midway Shopping Center para a Capitânia Capital S.A por R$ 1,61 bilhão

HORA DE COMPRAR

Ação que triplicou na bolsa ainda tem mais para dar? Para o Itaú BBA, sim. Gatilho pode estar próximo

17 de dezembro de 2025 - 17:22

Alta de 200% no ano, sensibilidade aos juros e foco em rentabilidade colocam a Movida (MOVI3) no radar, como aposta agressiva para capturar o início do ciclo de cortes da Selic

Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies

Fechar