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Hora das explicações

Ministro Sergio Moro enfrenta CCJ da Câmara para falar sobre conversas vazadas

Ministro foi convidado a dar explicações sobre as supostas mensagens atribuídas a ele em conversas com procuradores da Lava Jato

Ministro Sergio Moro em audiência na CCJ da Câmara
Ministro Sergio Moro em audiência na CCJ da Câmara - Imagem: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados iniciou na tarde desta terça-feira (2) a audiência com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro.

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Ele foi convidado a dar explicações sobre as supostas mensagens atribuídas a ele em conversas com procuradores da Operação Lava Jato e publicadas pelo site The Intercept Brasil.

Logo no início dos trabalhos, o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), teve de manobrar para evitar um "massacre" da oposição no colegiado.

Isso porque os deputados fizeram uma pré-lista por ordem de chegada, que permitiria a 60 parlamentares contrários ao governo Bolsonaro falarem praticamente um seguido do outro, sem dar chance da base governista fazer a defesa do ministro. Há, ao todo, mais de 100 inscritos.

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"Eu quero garantir que não seja um massacre", argumentou Francischini a alguns deputados do PSL defensores da pré-lista.

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"Não reconheço essas mensagens"

Moro foi o primeiro a falar e voltou a dizer que não reconhece as mensagens atribuídas a ele. É a segunda vez que o ministro vem ao Congresso após as supostas conversas se tornaram pública.

Em audiência na Câmara dos Deputados, o ex-juiz disse que entregou seu aparelho celular à perícia da Polícia Federal e afirmou ter sido alvo de uma "organização criminosa criada para prejudicar a Operação Lava Jato".

"Não reconheço essas mensagens. Pode ser que alguma seja. Pode ser que elas tenham sido totalmente alteradas ou parcialmente. Não tenho como precisar", afirmou o ministro.

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Moro repetiu parte da defesa que fez em audiência no Senado. Ele afirmou que quem invadiu o seu aparelho celular e de membros da Operação Lava Jato tinha "recursos" e organização.

"A minha opinião informal é que alguém com muitos recursos está por trás dessas informações e o objetivo principal é invalidar decisões da Lava Jato e impedir novas investigações", afirmou o ministro descartando "fogo-amigo": "Foi aventado que um procurador da República insatisfeito teria feito isso, mas isso não é consistente".

O ministro não descartou a possibilidade de ter mensagens verdadeiras entre as que estão sendo divulgadas, mas voltou a repetir que "não há como ter certeza" sobre a total veracidade dos textos.

Moro afirmou ainda que é possível que a frase atribuída a ele sobre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux pode ser verdadeira. Em uma das mensagens divulgadas, Moro teria falado ao procurador Deltan Dallagnoll: "In Fux we trust".

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"Pode ter alguma verdade que tenha saído. Confia no ministro. Eu sempre confio nos ministros. Mas não posso ter certeza da autenticidade", disse.

"O que existe é invasão criminosa de hackers em celulares de agentes da aplicação da lei. Os elementos colhidos nem podem ser chamados de prova porque são ilícitos", disse Moro afirmando ainda que conteúdo de supostas mensagens são "coisas absolutamente triviais dentro do cenário jurídico".

Enfim, presente

Inicialmente, a ida de Moro à Câmara estava prevista para última quarta-feira, 26, mas ele cancelou a audiência. Em nota, a assessoria de imprensa do ministro informou que ele não poderia comparecer devido a uma viagem oficial aos Estados Unidos.

Em 19 de junho, Moro compareceu a uma audiência na CCJ do Senado para tratar do mesmo tema. Na ocasião, ele disse que não tem nada a esconder sobre as conversas e que não tem "nenhum apego" pelo cargo que ocupa no governo Jair Bolsonaro.

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*Com Estadão Conteúdo.

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