Copom mantém Selic em 6,5% e acena manutenção neste patamar
Comunicado enfatiza ambiente de elevada incerteza e diz que a avaliação sobre a economia demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo

O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, a Selic, em 6,5% ao ano. Resultado unânime dentro do colegiado do Banco Central (BC) e em linha com o consenso de mercado. O aceno é de manutenção no atual patamar dado o elevado grau de incerteza que cerca a economia brasileira.
Juro baixo e estável é boa notícia para os investimentos, notadamente, bolsa de valores, fundos imobiliários e títulos longos do Tesouro Direto.
No comunicado apresentado após a reunião, o Copom volta a dizer que “cautela, serenidade e perseverança nas decisões de política monetária, inclusive diante de cenários voláteis, têm sido úteis na perseguição de seu objetivo precípuo de manter a trajetória da inflação em direção às metas”.
Para o colegiado do BC, os indicadores recentes da atividade econômica sugerem que o arrefecimento observado no final de 2018 teve continuidade no início de 2019. Mas que o cenário do Copom contempla “retomada do processo de recuperação gradual da atividade econômica”.
O Copom também volta a dizer que a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve manutenção da taxa Selic no nível vigente.
Nesse parágrafo surge uma breve novidade em comparação com a decisão de março, o colegiado enfatiza a necessidade de esperar a redução do grau de incerteza que ainda existe na economia.
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“O Comitê julga importante observar o comportamento da economia brasileira ao longo do tempo, livre dos efeitos remanescentes dos diversos choques a que foi submetida no ano passado e, em especial, com redução do grau de incerteza a que a economia brasileira continua exposta. O Copom considera que esta avaliação demanda tempo e não deverá ser concluída a curto prazo.”
Inflação
No cenário com juros constantes a 6,50% e taxa de câmbio a R$/US$ 3,95, as projeções geradas pelo modelo do BC estão em torno de 4,3% para 2019 e 4,0% para 2020. Em março, com dólar a R$ 3,85, as projeções eram de 4,1% e 4%, respectivamente.
O BC já deixa claro que suas ações visam, “em maior grau”, o ano de 2020. Isso acontece em função da defasagem entre as ações de política monetária e seu efeito no lado real da economia. Vale dizer que um corte de juro agora teria impacto maior em 2020 que em 2019.
No cenário com as estimativas do Focus, a inflação fecharia 2019 em 4,1% e a 3,8% em 2020, aqui contemplando uma Selic de 6,5% neste ano e de 7,5% em 2020. A meta de inflação é de 4,25% em 2019 e de 4% em 2020.
Apesar do repique recente da inflação, o BC diz que as diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis apropriados (em linha com as metas) inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária.
Balanço de riscos
Na parte dedicada a avaliar os eventos que podem levar a inflação a ficar abaixo ou acima das metas, há uma novidade.
O BC reconhece que o risco de a atividade fraca deixar a inflação abaixo da meta se elevou na margem. Mas reitera a posição de que o balanço de riscos está “simétrico”.
Contrapondo o risco de baixa, seguem listados pelo BC a possibilidade de uma frustração com as reformas afetar prêmios de risco. Quadro que se agrava em caso de piora externa para emergentes.
Cenário externo
Para o Copom, o cenário externo permanece desafiador. Por um lado, há menor preocupação com o processo de normalização das taxas de juros em algumas economias avançadas. Por outro lado, os riscos associados a uma desaceleração da economia global permanecem.
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