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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
NuConta

Vale a pena investir no RDB do Nubank?

Dentro de até duas semanas, os clientes da NuConta poderão trocar a aplicação em títulos públicos pelo investimento em um RDB emitido pela financeira do Nubank e que conta com a proteção do FGC; será que vale a pena migrar para esse título de renda fixa?

5 de junho de 2019
5:30 - atualizado às 11:40
Montagem de imagem de um cofre com interrogação em cima e logo do NuBank ao lado.
RDB são investimentos parecidos com os CDB, e conta com garantia do FGC. Imagem: Andrei Morais/Shutterstock

O Nubank anunciou, na última terça-feira (04), uma nova modalidade de investimento para os clientes da NuConta, a sua conta de pagamentos. Dentro de até duas semanas, todo mundo que tem NuConta poderá investir em RDB - Recibos de Depósito Bancário - emitidos pela Nu Financeira, a financeira do grupo.

Com eu já mostrei nesta outra matéria, o RDB é uma aplicação financeira muito parecida com o CDB, os Certificados de Depósito Bancário. Para o investidor pessoa física, a única diferença relevante é que os RDB normalmente não podem ser resgatados antes do vencimento, mas a instituição financeira emissora pode optar por garantir a liquidez diária, e é exatamente isso que o Nubank vai fazer.

A rentabilidade do RDB do Nubank será a mesma que a NuConta já paga atualmente, após aplicar os recursos dos clientes em títulos públicos federais: 100% do CDI. E assim como já ocorre com a NuConta hoje, não haverá a cobrança de taxas, apenas imposto de renda e IOF (no caso das aplicações com prazo menor do que 30 dias). Ou seja, o retorno líquido será o mesmo em ambas as aplicações, e é suficiente para ganhar da caderneta de poupança.

Os clientes da NuConta poderão optar entre permanecer nas condições atuais - em que todos os depósitos são automaticamente aplicados em títulos públicos - ou migrar para o RDB. Ou seja, não será possível investir nas duas modalidades. Ou uma ou outra.

A opção deverá ser feita pelo app do Nubank, e está sendo liberada aos poucos para os clientes. Para trocar a aplicação em títulos públicos pelo investimento em RDB, o cliente deve acessar o app e fazer o caminho Configurações>Configurar NuConta>Opções de Depósito>Quero Ativar.

Se depois de optar pelo RDB o cliente quiser retornar à modalidade anterior, de aplicação em títulos públicos, deve acessar Configurações>Configurar NuConta>Opções de depósito>Desativar RDB. No entanto, não é possível manter os dois tipos de aplicação simultaneamente.

Mas se ambas as aplicações têm a mesma rentabilidade e liquidez, qual vale mais a pena?

A diferença básica entre as duas modalidades está no tipo de garantia.

A NuConta não é uma conta-corrente, e sim uma conta de pagamentos. Ela não é protegida pelo Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, mas os valores depositados devem ficar segregados do patrimônio do Nubank, de modo a não expor os clientes ao risco da instituição.

Atualmente, os recursos depositados na NuConta são automaticamente aplicados em títulos públicos federais, como se fosse uma aplicação gratuita em Tesouro Direto. Estamos falando, portanto, de risco soberano, uma vez que esses títulos são garantidos pelo governo.

Já o RDB é um título de renda fixa que conta com a cobertura do FGC para aplicações de até R$ 250 mil por CPF, por instituição financeira, da mesma forma que o CDB.

Em última instância, o risco do RDB do Nubank é o risco do próprio Nubank. Mais precisamente, da Nu Financeira. Mas com a proteção do FGC, o fundo precisa devolver os valores investidos e a rentabilidade acumulada em caso de quebra do emissor.

Comparando os riscos

Em condições normais, o risco de calote é similar nas duas aplicações financeiras. Porém, dá para considerar que qualquer título de renda fixa privada, por mais que seja protegido pelo FGC, tem mais risco do que um investimento em títulos públicos.

Como o FGC é uma instituição privada e sem fins lucrativos mantida pelas próprias instituições financeiras, num caso extremo e hipotético de crise bancária sistêmica, mesmo ele poderia vir a falhar.

Mas pensando num cenário menos extremo, em que apenas o Nubank se complicasse financeiramente por conta de questões relativas ao próprio negócio, os dois tipos de investimento estão protegidos e passam mais ou menos pela mesma burocracia para devolver o dinheiro aos clientes.

Segundo o Banco Central, caso a instituição responsável pelas aplicações venha a sofrer liquidação extrajudicial, pode haver paralisação das atividades, com a interrupção da movimentação das contas.

Não há prazo certo, mas leva algum tempo para o liquidante fazer o levantamento das contas e transferi-las para outra instituição ou devolver os valores aos clientes. Nesse meio tempo, não há remuneração.

A grande questão é que tem muitos investidores por aí que tremem só de ouvir falar que a NuConta não é protegida pelo FGC. Para eles, ter proteção do fundo - a mesma garantia da poupança e das contas-correntes dos bancos - é fundamental para investir em renda fixa.

Mas para ser bem conservadora, nas condições atuais eu prefiro manter a NuConta como está, com a aplicação em títulos públicos, para continuar no risco soberano. Afinal, a remuneração de ambas as modalidades é a mesma. Se o RDB pagasse mais do que 100% do CDI com liquidez diária, aí eu acho que daria para considerar mudar.

No mais, eu não recomendo deixar todo o seu dinheiro, ou mesmo toda a sua reserva de emergência, apenas na NuConta, justamente pelo risco da burocracia em caso de insolvência do Nubank. Ninguém merece ficar sem seu colchão financeiro caso a instituição financeira passe por problemas, certo?

A NuConta é bem prática e de fato rende bem para uma aplicação conservadora, mas se você vai utilizá-la como investimento, lembre-se de ter outros investimentos conservadores e de alta liquidez na carteira, como os fundos que investem em Tesouro Selic.

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