Menu
2019-05-13T11:34:31-03:00
Conta não fecha

Brasil perde ‘bônus demográfico’ e vê taxa de poupança encolher

Com o crescimento da população e dos cidadãos em idade economicamente ativa, a taxa deveria ter aumentado de forma significativa

13 de maio de 2019
11:34
idosos
Imagem: shutterstock

Os economistas dizem que explicar a queda da poupança do Brasil não é tarefa simples. Pela lógica, com o crescimento da população - e do total de cidadãos em idade economicamente ativa -, a taxa deveria ter aumentado de forma significativa, de acordo com Samuel Pessoa, economista e pesquisador do Ibre-FGV. No entanto, o economista diz que o Brasil desperdiçou o "bônus demográfico" e viu sua poupança cair em um terço desde os anos 1970. Na época, a taxa de reservas brasileira girava em torno de 23%; hoje, está abaixo de 15%.

A comparação com os anos 1970 faz sentido porque a época retrata uma realidade anterior à atual, em relação a três fatores: demografia (na época, a população era mais jovem), Previdência (o total de contribuintes era bem superior ao de beneficiários) e de contas públicas (o gasto primário da União girava em torno de 11%, metade do atual).

O hipotético Estado de bem-estar social criado pela Constituição de 1988 deu garantias à população, estabelecendo uma série de "redes de segurança", incluindo seguro-desemprego e Bolsa Família, argumenta estudo realizado por Pessoa.

Os benefícios instituídos pelo Estado reduziram a percepção de risco para o aposentado. O Brasil está hoje entre as dez que mais gastam com Previdência em uma lista de 101 países, segundo levantamento do pesquisador do Ibre-FGV.

O custo dessa conta que não fecha, segundo o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mário Mesquita, levou a um forte déficit da administração pública - principal responsável pela queda geral do índice da poupança.

Ele pondera, porém, que as reservas privadas não subiram de patamar, contribuindo também para o problema. Para Pessoa, isso gera uma ciclo perverso: "Um país não cresce de forma sustentável sem poupar."

A China é considerada por economistas uma base válida de comparação com o Brasil porque ajuda a derrubar uma noção equivocada: a de que o brasileiro não poupa porque ganha pouco. Hoje, a renda média de chineses e brasileiros ainda é semelhante.

"O que muita gente chama de reforma da Previdência, eu vejo como uma mudança cultural", diz Ricardo Brito, professor do Insper e autor de um estudo que compara os dois países. "Na China, quem se aposenta consegue, com o benefício público, um porcentual baixíssimo do que ganhava na ativa. Eles são obrigados a guardar dinheiro para a velhice", explica o professor do Insper.

No Brasil, uma pesquisa feita pela FenaPrevi em 2018, mostrou que só 38% dos brasileiros dizem estar dispostos a separar parte da renda para uma reserva extra para a aposentadoria.

Professor da USP, Hélio Zylberstajn, diz que a introdução do modelo de capitalização - um dos pilares do projeto do governo para a Previdência - poderá ajudar a mudar esse quadro. "Hoje, a ideia das pessoas é: 'minha aposentadoria está lá, garantida'. Com a capitalização, a cabeça das pessoas terá de funcionar de outra maneira. O desenho do sistema influencia na disposição em poupar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Que pi… é essa?

Eu decidi sair do banco, mas não queria entrar em uma enrascada. Bem, acredito que eu tenha encontrado um portal para fugir dessa Caverna do Dragão das finanças. E cá estou para explicar essa descoberta.

Prudência e dinheiro no bolso

Onde investir no 2º semestre: entre os fundos imobiliários, destaques são os mais defensivos

Com juros na mínima histórica, cenário é favorável para os FII, que podem se valorizar até 10% neste segundo semestre; mas especialistas preferem “prudência e dinheiro no bolso”, com nomes geradores de renda para enfrentar a crise.

dados novos

Covid-19: Brasil chega a 72,8 mil óbitos e 1,88 milhão de casos

Até o momento, 1.154.837 de pessoas se recuperaram da doença

seu dinheiro na sua noite

A patada do urso da Califórnia

Desde o início da recuperação dos mercados após o pânico do mês de março, os investidores têm temido uma reversão nas medidas de reabertura das economias por conta de uma segunda onda de casos de coronavírus – ou simplesmente de uma piora da primeira onda nos países onde esta ainda não foi controlada. Ou seja, […]

números da construtora

Vendas líquidas da Cyrela no 2º trimestre somam R$ 818 milhões, queda de 57,3%

No acumulado do primeiro semestre, as vendas somaram R$ 2,175 bilhões, recuo de 26,6%

micro e pequenas empresas

Caixa recebe novo limite para Pronampe, agora de R$ 5,9 bilhoes

“Ajudar os pequenos empresários, tão importantes para o nosso país, faz parte da vocação da Caixa, especialmente nesse período de pandemia em que o consumo e a renda são afetados”, diz o presidente da Caixa, Pedro Guimarães

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements