Menu
2019-09-25T17:08:12-03:00
Jasmine Olga
Jasmine Olga
Cursando jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo
O que o futuro reserva?

Compra de operação móvel da Oi pode ser estratégica para teles brasileiras, diz BTG

Relatório divulgado pelo BTG Pactual analisa a importância estratégica da operação móvel da Oi e de sua importância para a consolidação da concorrência já estabelecida

25 de setembro de 2019
13:43 - atualizado às 17:08
Imagem do prédio da operadora Oi
Imagem do prédio da operadora Oi, no bairro de Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro. - Imagem: Estadão Conteúdo/Paulo Vitor

A Oi, terceira maior operadora em atividade no país (em receitas), está no meio de um furacão. Em recuperação judicial desde 2016, a empresa passa por momentos delicados que colocam em risco o futuro da companhia — e a possibilidade de uma intervenção do governo nas operações da companhia volta a assombrar o mercado.

  • LANÇAMENTO: Pela primeira vez um curso completo de análise gráfica acessível para qualquer pessoa. Apenas 97 vagas no preço promocional. Veja agora

No meio de toda a incerteza envolvendo a Oi, é natural que haja muita especulação a respeito do seu futuro. Nos últimos dias, diversos veículos noticiaram o interesse da espanhola Telefónica (dona da Vivo), da americana AT&T e da chinesa China Mobile, embora quase todos esses eventuais flertes tenham sido negados oficialmente.

A situação da Oi é especialmente sensível porque está previsto para 2020 o leilão do 5g no Brasil — assim, os ativos da empresa possuem importância estratégica para quem pretende estar bem posicionado no setor de telecomunicações brasileiro. Nesse cenário, o BTG Pactual analisa que a aquisição da Oi por um player doméstico ou global pode mexer com o jogo de forças do segmento no futuro.

E se?

Num relatório em que analisa possíveis cenários para as telecomunicações brasileiras, o BTG pondera que uma transação envolvendo a Oi, em sua totalidade ou apenas a sua operação móvel, seria muito estratégica para as teles brasileiras - Telefônica BrasilVivo, Claro e Tim.

Além de acesso ao grande alcance da companhia, as empresas se beneficiariam do bloqueio de um novo concorrente estrangeiro no país. A entrada de uma nova operadora pode pode colocar pressão nas margens de lucro operadas no setor, o que acarretaria em uma lucros menores, mesmo que mantenham a liderança no setor no longo prazo, como o que ocorreu no México em 2014.

O relatório usa como exemplo a compradas operações de telefonia móvel da Nextel México pela AT&T. Após quatro anos da transação, a América Móvil — controladora da Claro — continua dominando o mercado, mas sua participação de mercado caiu de 70% para 64%.

Mas tudo tem o seu preço: para defender a sua fatia no mercado, a América Móvil foi obrigada a derrubar a sua margem de lucro, que passou de 44% para 33% em 5 anos.

E os estrangeiros?

Nos últimos dias, diversos veículos informaram que tanto a AT&T e a China Mobile, com o apoio da gigante de tecnologia Huawei, poderiam estar interessados em adquirir as operações da brasileira Oi. É difícil cravar se o interesse é real ou se as conversas irão evoluir — mas, independente de quem for a nova empresa, terá muito trabalho pela frente.

As empresas também se encontram em meio a um entrave tecnológico entre Estados Unidos e China. De olho no leilão do 5G brasileiro, que deve acontecer em 2020, a presença da China Mobile seria estratégica para a Huawei, que já detém um terço da infraestrutura de redes de telefonia móvel no país.

Para o BTG, uma nova entrante no mercado de telecomunicações brasileiro precisará de uma base forte para competir com as empresas já estabelecidas. Elas precisariam de tempo para se estabelecer antes de uma proposta, o que poderia ser fatal para as atuais concorrentes no mercado.

"A TIM estaria em uma posição delicada, já que ficaria apenas como uma operadora móvel competindo contra outras três gigantes. Eles possuem muito em jogo e arriscar um desfecho desfavorável quando a Oi está claramente a venda é um risco muito grande a se tomar", diz o relatório.

Questão de alcance

Barrar um novo adversário no jogo não é a única vantagem para as operadoras brasileiras. Um dos bens mais valiosos da Oi e que seriam importantes para suas concorrentes, principalmente a Claro, é o seu alcance. A companhia controla 92Mhz de espectro nas bandas de 20Mhz, 24Mhz, 43 Mhz e 900 Mhz.

Após a compra da Nextel pela Claro, a companhia controla 170Mhz do espectro. "O espectro da telefonia móvel é uma grande vantagem competitiva e seria natural que a Vivo e especialmente a TIM procurem diminuir a diferença".

Não são somente esses números que podem interessar aos concorrentes da Oi. Com 37,5 milhões de usuários móveis, a empresa gerou R$ 8 bilhões em vendas no ano passado. Só a TIM acumularia um crescimento de 50% nas vendas caso adquirisse as operações da empresa.

A sinergia dos negócios seria benéficos para qualquer uma das teles, até mesmo para a Vivo, que hoje tem vendas que superam a casa dos R$ 50 bilhões.

Quer pagar quanto?

Para o BTG, a operação móvel da Oi pode chegar a valer mais de R$ 15 bilhões. A razão? O seu caráter estratégico para as outras teles devem levar suas concorrentes a desembolsarem de 6 a 8 vezes EV/EBITDA (divisão do valor atual de mercado pelo Ebitda dos últimos 12 meses) pela fatia da companhia.

Com um Ebitdade R$ 2,5 bilhões em 2018, se mantida a proporção apresentada, a empresa poderia captar de R$ 15 a R$ 20 bilhões.

Concentração de mercado pós-Oi

Não dá para falar sobre a fusão de grandes empresas sem estudar a situação do mercado após a operação, ponto que preocupa muitas pessoas e os órgãos regulatórios, e que deve virar pauta se o processo vir a ocorrer.

Caso a operação aconteça dentro de casa, o número de teles nacionais passariam de 4 para 3. Com cobertura nacional, a Oi controla apenas 16% dos assinantes e  11% do total de vendas do setor, número muito abaixo do visto pelas suas concorrentes. Atualmente, a Vivo é a líder, com 41% do mercado, seguido pela TIM e Claro com respectivamente 25% e 23% de participação no mercado móvel.

Neste caso, em escala regional, a Vivo poderia ser a melhor alternativa para a Oi no Nordeste, pensando em medidas antitruste. No Sudeste e Centro-Oeste e Norte do país, a união com a TIM criaria uma força, mas não a ponto de dominar totalmente o mercado. Para o Sul, a melhor alternativa para a empresa seria a Claro.

Comentários
Leia também
UMA OPÇÃO PARA SUA RESERVA DE EMERGÊNCIA

Um ‘Tesouro Direto’ melhor que o Tesouro Direto

Você sabia que existe outro jeito de investir a partir de R$ 30 em títulos públicos e com um retorno maior? Fiz as contas e te mostro o caminho

em brasília

Mourão diz que parte dos assessores de Bolsonaro distorce fatos

Vice-presidente afirmou nesta sexta-feira que existe “certa incompreensão” no seu relacionamento com o chefe do Executivo

seu dinheiro na sua noite

Free Solo: Ibovespa escala para perto da marca histórica

Com imagens de tirar o fôlego, o extraordinário documentário Free Solo conta a preparação do alpinista Alex Honnold para chegar ao topo do El Capitan, uma parede rochosa com quase 1000 metros de altura. Detalhe: a escalada é feita sem equipamentos de segurança. O filme vencedor do Oscar está disponível no Disney Plus. Mas quem não é […]

Respiro

E-commerce fatura R$ 7,72 bilhões com Black Friday e Cyber Monday em 2020

O valor representa aumento de 27,7% em relação ao mesmo período do ano passado.

fechamento dos mercados

Ibovespa engata 5ª semana seguida de alta com Petrobras, Vale e aéreas

Índice local de ações não tinha sequência tão longa de ganhos semanais desde dezembro de 2019; dólar mantém trajetória de queda e juros longos se descomprimem de novo

duas semanas depois

Carrefour anuncia que vai deixar de usar seguranças terceirizados

Anúncio é uma resposta ao assassinato de João Alberto de Freitas – homem negro que foi espancado por seguranças de uma unidade do Carrefour em Porto Alegre

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies