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Disputa entre EUA e China

Mesmo com pressão americana, Brasil deve manter Huawei em leilão do 5G

Companhia chinesa foi escolhida pela Anatel para realizar todos os testes do 5G no Brasil junto com as principais teles

23 de setembro de 2019
12:47 - atualizado às 16:00
Huawei
Huawei - Imagem: Shutterstock

A disputa entre Estados Unidos e China não anda aquecida somente no campo comercial. A batalha se estende até o campo tecnológico.

Sob acusações de espionagem, roubo de dados e risco real de ataques a estruturas críticas por meio dos equipamentos chineses, o presidente Donald Trump tem feito pessoalmente lobby para que a chinesa Huawei seja excluída das principais disputas pelo 5G no mundo. Incluindo o leilão brasileiro, previsto para 2020

Mas, segundo a Broadcast, apesar dessa pressão, não deve haver nenhum tipo de barreira ao uso de equipamentos da gigante chinesa pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Atualmente, a Huawei já tem mais de um terço da infraestrutura de redes de telefonia móvel no País, além de contratos com vários órgãos do governo federal. A companhia chinesa foi escolhida pela Anatel para realizar todos os testes do 5G no Brasil junto com as principais teles - Oi, Tim, Claro, Vivo e Algar - que devem disputar o leilão do próximo ano.

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O assunto foi levantado por Donald Trump em março, quando o presidente Jair Bolsonaro esteve na Casa Branca. No fim de julho, foi o secretário de Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, que desembarcou no Brasil com supostas informações sobre a vulnerabilidade dos equipamentos chineses. Recentemente demitido por Trump, o ex-conselheiro de Segurança Nacional dos EUA John Bolton se encontrou com autoridades brasileiras no começo de agosto.

Segundo a reportagem do Estadão, foram realizados nove encontros entre representantes do governo americano com pares no Brasil desde junho. Foi quando o vice-presidente Hamilton Mourão disse que o governo brasileiro não tem intenção de restringir a presença da chinesa no leilão de 5G, logo depois de desembarcar da China, onde se encontrou com o presidente executivo da Huawei, Ren Zhengfei.

Mas representantes chineses também andaram frequentando os gabinetes em Brasília.  Segundo as agendas públicas de ministros e secretários dos ministérios de Ciência e Tecnologia, Economia, Itamaraty e Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI), foram seis encontros com representantes brasileiros.

De olho na Oi

A disputa entre Estados Unidos e China também tem reflexos na mesa de negociações da Oi. A empresa, que está em recuperação judicial desde 2016, está sendo monitorada pelas gigantes China Mobile e a At&T.

Após a aprovação do novo marco das teles, a companhia telefônica passou a ser mais atrativa aos investidores. O texto, que ainda precisa ser sancionado pelo Planalto e regulamentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), livra a tele de uma série de custos e obrigações que eram vinculados às antigas concessões de telefonia fixa da empresa.

Preocupação

Por trás do discurso em defesa da segurança de dados, os EUA não escondem uma preocupação: a perda da liderança mundial no 5G. Um dos principais executivos da norte-americana Sprint, Marcelo Claure disse, ao defender a fusão da tele com a T-Mobile, que a companhia seria a única forma de os EUA vencerem a China na corrida tecnológica - a operação entre as teles acabou por não se concretizar.

A liderança norte-americana na tecnologia 4G é apontada como essencial para a criação e o desenvolvimento de um ecossistema de aplicativos, como Facebook, Netflix e Alphabet, por exemplo, que hoje estão entre as companhias mais valiosas do mundo. Nas tecnologias anteriores, 2G e 3G, o desenvolvimento foi realizado na Europa.

Japão, Nova Zelândia, Austrália, Reino Unido e os EUA baniram a Huawei da implantação da nova geração de redes de celulares nos seus territórios. Na França, a empresa foi proibida de instalar torres perto de prédios estratégicos do governo.

O edital brasileiro do 5G deve ser posto em consulta pública em outubro e, após as contribuições, a versão final precisa passar pelo crivo do TCU.

O leilão deve ocorrer no início do segundo semestre de 2020.

Procurado, o relator do leilão na Anatel, Vicente Aquino, disse que o edital ainda está em fase de estudos e informou que somente se pronunciará quando o documento for submetido à análise do Conselho Diretor da agência, em sessão pública. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

*Com Estadão Conteúdo
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