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Possibilidade de retaliação além do campo comercial chegou a correr pelos mercados, mas tal movimento não faria sentido
Os mercados globais reagem de forma negativa à escala da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China e um elemento ressurgiu dentro desse ambiente conflagrado: a possibilidade de a China vender seu estoque de títulos da dívida americana.
Sites de notícias voltaram a levantar essa possibilidade depois que a China anunciou que vai impor tarifas a produtos americanos em resposta ao movimento anunciado na semana passada por Donald Trump.
China is discussing the possibility of dumping US Treasuries: Global Times
— zerohedge (@zerohedge) May 13, 2019
O China é maior financiador da dívida americana, com mais de US$ 1,130 trilhão em Treasuries (dados de fevereiro do Tesouro americano). Em segundo lugar está no Japão, com US$ 1,072 trilhão. Em terceiro lugar estamos nós, o Brasil, com US$ 307,7 bilhões (grande parte de nossas reservas internacionais está nesses títulos). A dívida total passa de US$ 6,3 trilhões.
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Essa possibilidade de venda pelos chineses chegou a se refletir no mercado de Treasuries, com as taxas operando em alta em parte do pregão. No entanto, a busca por proteção e a avaliação do mercado de que os chineses não fariam essa venda, coloca as taxas de juros para baixo.
O papel de 10 anos tinha taxa de 2,39%, a menor desde março, depois de chegar a subir a 2,44% no começo do pregão. Quanto maior a demanda pelos papéis, menor é a taxa deles.
Conversei com meu amigo gringo sobre essa possibilidade de retaliação financeira por parte dos chineses, e ele me explicou que os chineses não pensam ou atuam como traders de mercado.
De fato, uma venda rápida dos papéis imporia novos problemas aos Estados Unidos, com uma elevação súbita das taxas de juros. Mas meu amigo explicou que os chineses levam em conta as consequências desse tipo de retaliação no médio e longo prazos.
Se eles realmente fizerem isso, podem sofrer com uma queda acentuada no fluxo de capitais e os chineses sabem que não podem abrir mão dos recursos e do financiamento internacional para sustentar e impulsionar seu crescimento econômico.
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