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2019-06-18T10:05:55-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Ursos por toda parte

Pessimismo entre gestores globais é o maior desde a crise de 2008

Bank of America Merrill Lynch mostra gestores globais fugindo do mercado de ações e prevendo contração da economia mundial nos próximos 12 meses

18 de junho de 2019
10:05
Urso
Urso simboliza o mercada de baixa ou bear market - Imagem: Shutterstock

A pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores globais de recursos captou o menor grau de confiança desde a crise financeira de 2008. O pessimismo é guiado pelas preocupações com a guerra comercial, recessão econômica e impotência da política monetária em lidar com esse quadro.

Não por acaso, o título da pesquisa é “Ursos por toda parte”, em referência ao termo “bear market”, mercado urso ou de baixa, que contrasta com o seu oposto, o “bull market”, mercado touro ou de alta.

Essa visão pessimista se traduz em uma redução das alocações no mercado de ações e aumento das posições em caixa.

A alocação em ações caiu 32 pontos de maio para junho, com 21% dos gestores dizendo carregar posições abaixo da média (underweight). Menor posicionamento desde março de 2009. A queda mensal foi a segunda maior já registrada pelo banco.

Enquanto isso, as posições médias em caixa subiram de 4,6% para 5,6%, maior alta desde o impasse sobre a elevação do teto de endividamento dos EUA em 2011.

A expectativas de crescimento colapsaram, recuando 46 pontos percentuais de maio para junho, queda recorde. Agora, 50% dos gestores acreditam em menor crescimento global ao longo dos próximos 12 meses. Para 87% dos entrevistados, a economia global está em “fim de ciclo”, maior leitura já captada.

Em linha com esse pessimismo as posições saíram de segmentos que se beneficiam de crescimento e maior inflação, para ativos mais defensivos como dinheiro, fundos imobiliários e títulos de renda fixa.

A preocupação com a guerra comercial subiu 19 pontos e agora 56% dos gestores colocam esse evento como maior risco a ser monitorado. Outros riscos citados são impotência da política monetária (11%), cenário político dos EUA (9%) e desaceleração da economia chinesa (9%).

A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 13 de junho, com 230 gestores responsáveis por US$ 645 bilhões. Na pesquisa global, foram 179 respondentes com US$ 528 bilhões, nas pesquisas regionais foram 119 participantes, com US$ 272 bilhões.

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