Recorde triplo nos EUA: otimismo nas negociações com a China leva mercados de NY às máximas
Uma sinalização animadora das autoridades americanas quanto às negociações com a China deu força aos mercados globais nesta sexta-feira

Sim, eu sei. Hoje é 15 de novembro, dia da Proclamação da República, e os mercados brasileiros estiveram fechados — então, nada de Ibovespa ou dólar por aqui. Só que, se você não quer ser pego desprevenido na volta do feriadão, é melhor não descuidar do exterior: lá fora, tivemos um dia como qualquer outro.
E, veja só: o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq fecharam em alta e atingiram novos recordes de encerramento. Será que, na próxima segunda-feira (18), ainda vai dar tempo de o Ibovespa pegar carona nesse rali?
Ao fim do dia, o Dow Jones marcava 28.004,89 pontos, um ganho de 0,80% — é a primeira vez na história que o índice rompe os 28 mil pontos ao término de um pregão. O S&P 500 subiu 0,77%, aos 3.120,46 pontos, e o Nasdaq avançou 0,73%, aos 8.540,83 pontos.
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Todo esse bom humor visto lá fora teve relação com a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Não há nenhum fato concreto por enquanto, mas duas autoridades de alto escalão do governo americano deram declarações que elevaram os ânimos dos investidores.
Desta vez, os agentes financeiros repercutiram uma fala do diretor do Conselho Econômico dos Estados Unidos, Larry Kudlow, que sinalizou uma maior aproximação entre as partes.
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Num evento na noite passada, o representante do governo americano disse que EUA e China estão chegando perto de um acerto, e que o clima entre as potências está bastante agradável — uma situação que, segundo Kudlow, não é o padrão nas relações entre Washington e Pequim.
E, nesta manhã, o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, foi na mesma linha. "A China quer fazer um acordo, nós achamos que queremos um acordo, se for o acordo certo, então isso será feito com toda possibilidade", disse ele, em entrevista à Fox Business.
As declarações renovaram as esperanças dos mercados quanto ao fechamento da primeira fase do acordo comercial entre os países, colocando uma pausa na escalada de tensões entre as partes — o que, consequentemente, poderia fazer com que a trajetória de desaceleração da economia mundial também seja interrompida.
Além disso, dados econômicos ligeiramente melhores que o esperado nos EUA contribuíram para dar sustentação às bolsas do país. Em destaque, a expansão de 0,3% nas vendas no varejo em outubro ante setembro — o mercado tinha expectativas mais modestas, de alta de 0,2% nesse indicador.
Ativos brasileiros em alta
Mas, se você quer informações mais palpáveis para o seu dia a dia como investidor na bolsa brasileira, saiba que a sessão americana pode te dar dados preciosos. Afinal, algumas empresas do país possuem ativos negociados em Nova York: são os recibos de ações, ou ADRs (American Depositary Receipts).
E, acompanhando o tom de otimismo que é visto no pregão desta sexta-feira, os ADRs de empresas brasileiras também fecharam em alta — um indicativo de que, na próxima segunda-feira, as ações dessas companhias tendem a subir na B3, de modo a se ajustarem aos ativos no exterior.
Veja um resumo do desempenho dos principais ADRs de empresas brasileiras negociados em NY:
- Petrobras (PBR): + 2,12%
- Vale (VALE): + 2,32%
- Ambev (ABEV): + 1,20%
- Itaú Unibanco (ITUB): + 1,42%
- Bradesco (BBD): + 1,52%
- Gerdau (GGB): + 1,38%
- CSN (SID): + 1,47%
- Embraer (ERJ) + 1,39%
Europa e Ásia
Também de olho nas declarações mais amenas de Kudlow, as bolsas da Ásia fecharam, em sua maioria, em alta: no Japão, o índice Nikkei avançou 0,70% e, na Coreia do Sul, o Kospi subiu 1,07%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, teve um leve ganho de 0,01% — por lá, a onda de protestos que se arrasta há meses continua pressionando o desempenho do mercado acionário.
Ainda na Ásia, os índices acionários da China destoaram do restante do continente — vale lembrar que, ontem, dados mais fracos da indústria e do varejo do país em outubro trouxeram uma onda de pessimismo em relação à economia chinesa. O Shanghai Composite caiu 0,64% e o Shenzhen recuou 1,13%.
No velho continente, as principais praças acompanharam o comportamento das bolsas americanas: o DAX, da Alemanha, subiu 0,47%, enquanto o CAC 40, da França, avançou 0,65%. Já o FTSE 1000, do Reino Unido, teve um desempenho mais modesto: leve ganho de 0,14%.

E o dólar?
A sexta-feira foi de calmaria no mercado de câmbio, também em meio às esperanças renovadas quanto ao fechamento da primeira fase do acordo comercial entre americanos e chineses.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo, fechou em queda de 0,16%. Na comparação com as moedas emergentes, o dólar também teve um dia de perdas, se desvalorizando em relação ao peso mexicano, ao rublo russo, ao rand sul-africano e ao peso colombiano.
O destaque, no entanto, foi o mercado de câmbio do Chile: o dólar caiu mais de 3% em relação ao peso chileno, devolvendo boa parte dos ganhos acumulados ao longo da semana. Os protestos sociais vistos no país têm pressionado fortemente a divisa, mas o BC chileno anunciou medidas para trazer alívio ao câmbio.
Essa onda generalizada de perda de força do dólar poderá ser sentida por aqui apenas na segunda-feira. Vale lembrar que, ontem, o dólar à vista fechou em alta de 0,18%, a R$ 4,1932, uma nova máxima de encerramento para a moeda americana em 2019.
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