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Bolsa e dólar hoje

Ibovespa fecha janeiro em alta de 10,82%

Bancos dominam a lista de maiores altas da Bolsa hoje. Em primeiro, o Bradesco, que é só sorrisos depois de divulgar lucro líquido de R$ 5,830 bilhões no último trimestre

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31 de janeiro de 2019
10:19 - atualizado às 9:58
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
O dólar desvalorizou 0,99% fechou a  R$ 3,65 - o menor valor desde 26 de outubro, destoando da moeda americana no exterior, que subiu ante divisas fortes - Imagem: Seu Dinheiro

No último pregão de janeiro, a Bolsa brasileira comemora 10,82% de valorização acumulada no mês. No mesmo período de 2018, a elevação havia sido de 11,14%. Hoje, a postura mais "sou da paz" do Federal Reserve (o banco central americano) e o salto nos papéis do Bradesco (que, para variar, lucrou mais que o esperado). ajudou a Bolsa de Valores de São Paulo quebrar a barreira dos 98 mil pontos. Mas bem no finalzinho do pregão, o Ibovespa se embananou todo e perdeu o sapateado. Terminou o dia em alta de 0,41%, 97.393 com pontos.

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O dólar desvalorizou 0,99% fechou a  R$ 3,65 - o menor valor desde 26 de outubro, destoando da moeda americana no exterior, que subiu ante divisas fortes e se comportou de forma mista frente a de outros países emergentes. Em janeiro, há uma queda acumulada do dólar frente o real de mais de 5%. A queda expressiva vem sendo conduzida por ofertas de tesourarias que apostaram na baixa das cotações e ingressos de captações corporativas recentes. Também influencia muito o fato do Federal Reserve ter mantido inalterada a taxa de juros dos EUA ontem no fim do dia.

Sinais de fumaça de Mourão e dos prefeitos

No Brasil, ontem, o vice-presidente, Hamilton Mourão, garantiu que a reforma da Previdência incluirá os militares. Disse também  que uma proposta de emenda constitucional e um projeto de lei para abarcar os militares devem ser enviados ao Congresso ainda no primeiro semestre deste ano.

Ele afirmou ainda que caberá ao presidente Jair Bolsonaro decidir se o envio dos dois textos da reforma, o geral e o dos militares, será simultâneo.

O prefeito de Campinas e presidente da Frente Nacional dos Prefeitos (FNP), Jonas Donizette, afirmou também que esteve com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para discutir as mudanças na Previdência. Segundo ele, a FNP apoiará a reforma desde que o projeto também tenha aplicação imediata nas contas dos Estados e municípios.

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Segundo ele, Guedes, apresentou aos prefeitos alguns pontos da reforma, entre os quais a mudança na idade mínima, que ainda passarão por ajustes. Mas de acordo com Donizette, a idade deve ser mesmo de 57 anos para mulheres e 62 anos para homens, enquanto ainda se discute sobre o período de transição.

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"Guedes também manifestou o desejo de que a proposta valha para servidores civis e militares", disse.

R$ 5,830 bilhões

Os bancos dominaram a lista de maiores altas do Ibovespa. Somente o Santander está fora da lista, com desvalorização. Os melhores desempenhos estão com as ações do Bradesco, que hoje apresentou seus resultados do quarto trimestre de 2018 e surpreendeu positivamente os analistas. O banco reportou lucro líquido recorrente de R$ 5,830 bilhões no quarto trimestre de 2018, cifra 19,9% maior que a registrada um ano antes, de R$ 4,862 bilhões. Em relação aos três meses imediatamente anteriores, de R$ 5,471 bilhões, o aumento foi de 6,6%.

O presidente do Bradesco, Octavio de Lazari, afirmou que os guidances do banco para este ano são desafiadores, mas podem ser alcançados. Depois de superar a meta do ano passado, o banco prevê que seus empréstimos cresçam de 9% a 13% neste exercício. "No ano passado, entregamos praticamente todos os patamares, inclusive, os revisados", destacou o executivo, durante teleconferência com jornalistas, nesta manhã.

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Já o Santander, que apresentou seus números ontem, considerados dentro do esperado, mas com um sinal amarelo para a inadimplência. Em um ano, Santander acumula alta de quase 40%, ante 26% do Bradesco, por exemplo.

As ações do Bradesco subiram 6,21% (PN) e 5,13% (ON). Também avançam Banco do Brasil ON (2,41%), Itaú Unibanco PN (2,49%) e Santander Brasil Unit, com queda de 1,60%,).

Voar, voar! Subir, subir!

As ações das aéreas Gol e Azul se destacam em alta, apoiadas pela queda do dólar. O analista da Necton Investimentos Álvaro Frasson explica que as empresas são altamente beneficiadas pela desvalorização da moeda americana, uma vez que "50% dos custos das companhias aéreas são cotados em dólar". No caso da Smiles, Frasson explica que o dólar baixo aumenta o número de viagens, beneficiando o papel. Gol PN avançou 2,74% e Azul PN, 3,23%.

Além disso, amanhã, sexta-feira (1º) é o último dia do prazo estabelecido na Recuperação Judicial da Avianca para que a empresa retome os pagamentos de leasing de suas aeronaves. Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, um acordo com os credores está distante. Em relatório sobre o assunto, o UBS lembra que a Avianca tem uma sobreposição com 47% das rotas com a Gol, e de 14% com a Azul.

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Má educação

Os piores desempenhos do Ibovespa hoje estão com Estácio e Kroton. Em relatório, o Itaú BBA tem projeções não muito animadoras sobre os resultados do quarto trimestre de 2018, que as empresas apresentarão em março. No caso da Estácio, os analistas Susana Salaru e Vitor Tomita destacam uma combinação de queda na base de alunos e ausência das receitas do programa de financiamento próprio. A Kroton deve mostrar números em linha com os “guidances” para o ano passado, ainda afetados pelo Fies, novos campi que iniciam operação com margens baixas, e provisões para o programa de financiamento. Estácio ON caiu 4,031% e Kroton ON andou para trás, com queda de 4,27%.

Vale: -7% no mês

Após subir mais de 1% em movimento de ajuste de fim de mês, com as recentes perdas, o papel ON da Vale passou a cair e fechou em baixa de 2,36%. Entre as notícias negativas, a Justiça trabalhista em Minas Gerais bloqueou mais R$ 800 milhões da Vale. Valores congelados da vale no âmbito trabalhista somam R$ 1,6 bilhão.

Além disso, a Moody's reafirmou que os potenciais passivos e sanções contra a Vale e seus executivos pelo rompimento da barragem da Mina do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), elevam o risco para os ratings da empresa. Em relatório sobre as implicações da tragédia para a empresa, a agência de classificação diz ter expectativa de um aumento de responsabilidade ambiental, administrativa, criminal e civil após a tragédia.

Em Brasília, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, disse hoje no encontro com o presidente da Vale, Fábio Schvartsman, que empresa que comete infração tem o dever de reparar o dano. Raquel Dodge falou com jornalistas após encontro com representantes do Movimento de Atingidos por Barragens, na sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília.

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Após a reunião, Schvartsman disse que a mineradora pretende acelerar ao máximo o pagamento de indenizações às famílias das vítimas da tragédia. Segundo o executivo, a Vale vai abdicar de qualquer ação judicial sobre o caso e vai optar por fechar acordos extrajudiciais.

Na Bolsa, a queda de hoje, seguiu limitada diante da tentativa de recuperação do papel que, somente em janeiro, acumula perda de 7%. Contribui também para uma baixa menor o avanço do preço do minério de ferro, que terminou em alta de 3,40%, cotado a US$ 85,34 a tonelada no porto de Qingdao, na China.

Siderúrgicas

As siderúrgicas vinham subindo, bem-comportadas pela manhã, animadas com as cotações do minério de ferro na China. Mas inverteram sinal depois que foi anunciado que as operações da Barragem Casa de Pedra, da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), há cerca de 300 metros de bairros residenciais de Congonhas (MG), serão encerradas. O anúncio foi feito pela prefeitura da cidade.

Em outubro de 2017, um parecer do Ministério Público de Minas apontou risco de rompimento. Foi determinado que a CSN Mineração tomasse uma série de medidas para sanar danos. Conforme o órgão, a empresa executou as determinações.

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Outro ponto que contou foi o relatório com as prévias para o setor. O Santander projeta uma queda de 25% no Ebitda para a Gerdau no quarto trimestre de 2018, na comparação com o terceiro trimestre. Para a Usiminas, o banco também espera resultados fracos, com o pior Ebitda trimestral de 2018. Já para a CSN, os números devem ficar em linha com o esperado, com crescimento anual de 21% no Ebitda.

CSN ON caiu 1,73%, Gerdau ON baixou 3,10%, Metalúrgica Gerdau teve 2,61% de recuo. Usiminas entrou no coro e teve queda de 0,91%.

Petrobras e petróleo

O petróleo fechou em queda nesta quinta-feira, após o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos Estados Unidos divulgar que a produção da commodity no país subiu a um nível recorde em novembro de 2018. O petróleo WTI para março fechou em queda de 0,81%, em US$ 53,79 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), enquanto o Brent para abril recuou 1,14%, a US$ 60,84 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O contrato do Brent para março, por sua vez, com vencimento hoje, avançou 0,39%, a US$ 61,90.

Com isso, a Petrobras PN cedeu 0,16%.

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*Com Estadão Conteúdo

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