Petróleo faz Ibovespa fechar no negativo; dólar sobe
O presidente americano, Donald Trump, foi para o Twitter reclamar dos preços do petróleo. Resultado: as ações encolheram

O dia não foi muito bom na Bolsa de Valores de São Paulo. Embora a segunda-feira tenha começado com notícias promissoras (a decisão dos EUA de adiar os aumentos de tarifas para mais de US$ 200 bilhões em produtos chineses), quem comandou os negócios por aqui foi o petróleo. No fim da manhã, o presidente americano, Donald Trump, afirmou que os preços do petróleo estão elevados. "Opep, por favor, relaxe e vá com calma", escreveu ele no Twitter, sobre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo. Com isso, as cotações da commodity migraram para o negativo, acelerando o ritmo de declínio na Bovespa e de alta, no dólar. A queda pesou sobre as ações da Petrobras, que divulga balanço nesta quarta-feira, dia 27. Os papéis recuaram 1,58% (PN) e 2,40% (ON). O Ibovespa teve baixa de 0,66%, com 97.239 pontos.
O dólar, que esteve em baixa o dia todo, virou no fim do dia e fechou em alta de o,05%, negociado a R$ 3,74. A mudança aconteceu depois de declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele admitiu que a instalação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara, por onde a proposta vai começar a tramitar no Congresso, que estava prevista para amanhã, deve acontecer apenas depois do Carnaval.
Petrobras
Além do "efeito Trump", as ações da Petrobras foram afetadas por uma nova norma publicada no Diário Oficial da União, na sexta. O governo publicou que irá facilitar a venda de ações da Petrobras que pertencem ao BNDES e à Caixa. O decreto dá autonomia e agilidade para que os bancos federais vendam os papéis da petroleira quando as condições de mercado forem vantajosas. Por isso, as ações ON caíram mais: para vender não precisa pedir autorização.
CSN: 22%
A CSN está novamente no posto de maior alta, continuando a trajetória iniciada no final da semana passada, após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2018, e de outras informações sobre o endividamento da siderúrgica. Hoje, a agência de rating Moody's avaliou positivamente o contrato de fornecimento de minério de ferro entre a CSN Mineração e a suíça Glencore que envolve pré-pagamento de US$ 500 milhões à brasileira. "O pré-pagamento é positivo para o crédito da CSN porque fortalecerá o caixa da empresa e reduz o risco de liquidez sem aumento das métricas de alavancagem". CSN ON subiu 5,65%, acumulando valorização de 22% em três sessões. Ainda no setor, também tiveram ganhos Usiminas PNA (2,92%) e Gerdau PN (0,59%), enquanto Metalúrgica Gerdau PN cai 0,14%.
Os erros da Via Varejo
As ações da Via Varejo tiveram alta de 5,30%, depois que o leilão de venda de ações da companhia pelo Grupo Pão de Açúcar ter movimentado mais do que o previsto. Os preços foram maiores que o estabelecido inicialmente. Segundo informações da B3, foram vendidas 43.404.600 ações ON da Via Varejo ao preço unitário de R$ 5, com movimentação financeira de R$ 217 milhões. A previsão inicial do GPA era vender 40 milhões de ações, ao preço de R$ 4,74. O objetivo do Pão é ficar com 36,27% do capital social.
A concorrente, B2W, subiu 1,64%. O Magazine Luíza teve queda de 2,36%.
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Se compararmos Via Varejo com sua rival, Magazine Luiza, os balanços consolidados ao final de 2018 demonstraram o abismo em termos de resultados e estratégia entre as duas companhias. Enquanto Magalu registrou uma expansão de impressionantes 27,3% na receita líquida no quarto trimestre na comparação anual e de 16,1% de vendas no conceito mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês), a segunda praticamente andou de lado, com alta de 1% no faturamento e zero em SSS. Na última linha do balanço, as diferenças se tornam ainda mais evidentes: Magazine Luiza teve lucro, de outubro a dezembro, de R$ 189,6 milhões e a Via Varejo, prejuízo de R$ 279 milhões.
Parte da discrepância dos resultados se explica por uma série de erros cometidos pela Via Varejo no final do ano passado, que concentra o principal período de vendas do setor varejista, com o Natal e a Black Friday. Todos os sites da empresa (Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com) registraram algum tipo de problema durante a Black Friday, chegando a ficar quase metade do tempo .
Bancos
Os bancos também fecharam em baixa hoje: Santander Unit perdeu 1,99%, Banco do Brasil caiu 1,64% e Itaú Unibanco teve baixa de 1,53%. O caldo azedou para o bloco financeiro depois das declarações do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre possível atraso na tramitação da reforma da Previdência.
Sabesp
A ação da Sabesp ficou nos destaques negativos do Ibovespa, após duas altas nos últimos pregões. Em fevereiro, o papel acumula queda de quase 9%, mas ainda registra valorização de 25% em 2019. Segundo operadores, houve uma onda de otimismo no início do ano com a possibilidade de privatização da estatal paulista. No entanto, o governo já declarou que a intenção é realizar uma capitalização, e assim os investidores começaram a se ajustar. Sabesp ON caiu 1,77%.
De volta ao negativo
Depois de cair quase 4% na sexta-feira, as ações ON de Hypera voltaram a cair, fechando com perdas de 2,41%. Os investidores continuam querendo se livrar do papel depois que a farmacêutica reportou queda de 30,4% no lucro líquido do quarto trimestre e retração de 6,5% na receita. O Ebitda, por sua vez, caiu 10%. Todos os números de Hypera vieram ruins. O envolvimento da farmacêutica na operação Lava-Jato também prejudicou os resultados. Um ex-diretor da Hypera admitiu em delação premiada ter repassado R$ 30 milhões, entre 2011 e 2015, a políticos da alta cúpula do MDB, como o ex-deputado federal Eduardo Cunha.
Natura
Natura segue ampliando os ganhos, com alta de 0,48%, respaldada principalmente pelo forte desempenho obtido no quarto trimestre de 2018. Na sexta-feira, o papel registrou forte alta de 5,93%, refletindo os números anunciados na noite anterior.
Nunca termina
As ações da Embraer recuaram 0,56% com novos obstáculos para a aprovação do acordo com a Boeing. Na sexta-feira, atendendo ação movida por sindicatos, o juiz Victorio Giuzio Neto, da 24ª Vara Cível Federal de São Paulo, concedeu liminar suspendendo a realização de Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da companhia que deve analisar a operação com a Boeing. As entidades que entraram com a ação pedem a "nulidade" do negócio por "violação às garantias previstas na golden share".
*Com Estadão Conteúdo
Conteúdo Empiricus
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