Sem BNDES e sem detalhes, governo lança nova iniciativa para mercado de capitais
Quem (como eu) esperava uma maior profundidade no diagnóstico e nas medidas necessárias saiu decepcionado. Algumas ações até foram anunciadas, mas sem aprofundamento nem estimativa de impacto econômico

De boas intenções o inferno está cheio. Eu diria o mesmo sobre o governo quando o assunto é mercado de capitais. Mas como o diabo mora nos detalhes, quem (como eu) esperava uma maior profundidade no diagnóstico e nas medidas necessárias saiu decepcionado do anúncio da nova iniciativa lançada ontem pela equipe do presidente Jair Bolsonaro.
Algumas ações até foram anunciadas para estimular o financiamento das empresas por meio da captação de recursos de investidores como eu e você. Mas sem o aprofundamento necessário nem estimativa de impacto econômico.
A única novidade do evento promovido ontem na sede do Banco Central em São Paulo, que reuniu integrantes do alto escalão da equipe econômica, foi o lançamento de um novo grupo de trabalho, chamado de "Iniciativa de Mercados de Capitais (IMK)".
BNDES fora
Mesmo assim trata-se de um prato requentado. A nova iniciativa nada mais é que uma nova versão do Grupo de Trabalho de Mercado de Capitais (GTMK), que no governo anterior estava sob a coordenação da secretária Ana Paula Vescovi.
O BC lidera o novo grupo, que também será composto por representantes do Ministério da Economia, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Superintendência de Seguros Privados (Susep).
Notou a falta de alguém? O BNDES, que esteve à frente ou participou de todas as iniciativas anteriores na área, ficou de fora da IMK e atuará apenas como convidado.
Leia Também
Por um lado, esse é um sinal positivo de que os planos do governo não incluem dinheiro para empresários a juros subsidiados. Por outro, causa estranheza porque o BNDES hoje é uma das poucas fontes de financiamento de longo prazo no país, além de contar com um corpo técnico com grande conhecimento sobre o mercado de capitais.
[captacao]
As medidas
Durante o anúncio, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, enumerou algumas medidas prioritárias. A primeira delas, herdada do grupo anterior, é a criação do chamado "sandbox regulatório". Trata-se de uma forma de estimular a atuação de novas empresas de tecnologia financeira (fintechs), mas sem submetê-las às regras mais pesadas das instituições em funcionamento.
Outras cinco iniciativas devem tomar corpo dentro de um prazo de até quatro meses:
- Aperfeiçoamento da regulação para melhor utilização de imóveis como colateral (garantia) nas operações de crédito;
- Expansão da base de dados de informações de crédito e criação de indicadores de capitalização de mercado;
- Aperfeiçoamento dos mecanismos de oferta de hedge (proteção) cambial pelo mercado financeiro;
- Permissão para a emissão de dívida local em moeda estrangeira por companhias não-financeiras;
- Regulamentação da nota comercial, título corporativo semelhante à nota promissória.
"A mensagem que eu gostaria de deixar é que, primeiro, a gente vai passar de uma agenda macro para uma agenda micro e, segundo, que os agentes de mercado e as pessoas de imprensa acompanhassem a parte micro e visse o que a gente está fazendo", afirmou o presidente do BC.
Cadê os detalhes?
Para que as "pessoas de imprensa" pudessem saber mais detalhes sobre os planos da Iniciativa Mercado de Capitais enumerados acima, técnicos do governo concederam uma entrevista coletiva logo depois da fala das autoridades. Mas eles pouco acrescentaram.
Quando questionei, por exemplo, se o governo havia medido o potencial impacto das mudanças planejadas, o diretor de organização do sistema financeiro e resolução do BC, João Manoel Pinho de Mello, disse que apenas que existe um potencial "enorme", mas sem estabelecer nenhum número.
Os técnicos também foram evasivos quando questionados sobre a necessidade de se criar uma nova regra para permitir a emissão de dívida local em moeda estrangeira, quando a lei já prevê essa possibilidade. A resposta foi que a medida vai ajudar a reduzir os "entraves" para esse tipo de emissão. Mas ninguém informou que tipo de entraves são esses.
O grupo do governo também vai deixar de fora, pelo menos no curto prazo, outro vespeiro quando o assunto é mercado de capitais e produtos de investimento: tributação. Mas está nos planos promover uma harmonização de tratamento tributário para títulos públicos, privados e empréstimos bancários. Como isso será feito, porém, apenas o tempo dirá.
SEM FOLGA EM NOVA YORK
Nasdaq leva uma queda e puxa S&P 500 para o vermelho; confira o que movimentou os mercados lá fora
12 de outubro de 2026 - 17:10HORA DE COMPRAR?
Flávio Bolsonaro eleito? Expectativa após 1° turno derruba dólar abaixo dos R$ 5 e coloca estas 4 ações no radar dos bancões
12 de outubro de 2026 - 13:01AÇÕES
5 ações para buscar ganhos na bolsa e superar o Ibovespa nesta semana, segundo Terra Investimentos
11 de outubro de 2026 - 11:00AÇÕES SE DESTACARAM
Ibovespa bate recorde após eleições e sobe 8,82% na semana; veja quem ganhou e quem perdeu
10 de outubro de 2026 - 11:25VISÃO DO GESTOR
Fundo Verde, de Stuhlberger, vê espaço para novo rali da bolsa com o ‘trade Flávio’ — mas faz alerta para risco lá fora
9 de outubro de 2026 - 17:15OPORTUNIDADE NO RADAR
A janela dos fundos imobiliários está fechando, e o BTG Pactual revela os FIIs para surfar a onda enquanto há tempo
9 de outubro de 2026 - 16:35UM OLHO NA URNA E OUTRO NA BOLSA
Ibovespa renova máxima no dia e dólar cai abaixo de R$ 5, mas IPCA lembra: a conta dos juros ainda não fechou
9 de outubro de 2026 - 12:43RADAR DE FIIS
BTLG11 quer levantar até R$ 1,2 bilhão com nova emissão de cotas; veja quem pode participar
8 de outubro de 2026 - 10:47MERCADOS
A explosão da renda fixa nos EUA: Treasury de dez anos bate máxima em 24 anos, ações caem e Ibovespa acompanha
7 de outubro de 2026 - 17:57MUDANÇAS NA CARTEIRA
Os juros vão cair? Estes são os FIIs que os analistas indicam para aproveitar a virada da Selic
7 de outubro de 2026 - 6:03EM REFORMULAÇÃO
TRBL11 quer deixar Braskem e Correios para trás? FII abre terreno para uma nova estratégia; entenda o que está em jogo
6 de outubro de 2026 - 18:01ONDE INVESTIR APÓS O RALI
Nem todas surfaram o ‘trade Flávio’: Rede D’Or (RDOR3) e outras 5 ações são as favoritas para juros menores
6 de outubro de 2026 - 13:08TRADE ELEITORAL
Flávio Bolsonaro pode levar o Ibovespa aos 250 mil pontos? Morgan Stanley indica quais ações investir em cada cenário de 2º turno
5 de outubro de 2026 - 19:20DO NEUTRO À COMPRA
O efeito Flávio Bolsonaro na bolsa: JP Morgan vira a mão com Brasil após 1º turno das eleições — e vê alta de até 20%
5 de outubro de 2026 - 15:21ELEIÇÕES 2026
Flávio Bolsonaro à frente de Lula deve gerar alta de até 45% no Ibovespa e beneficiar estas ações, segundo BTG e Citi
5 de outubro de 2026 - 14:39MERCADOS
Ibovespa dispara 7,7% e supera 206 mil pontos na máxima histórica após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula
5 de outubro de 2026 - 10:39NOVO RECORDE
Petrobras (PETR4) supera R$ 700 bilhões em valor de mercado, o maior da história. O que impulsionou a ação?
3 de outubro de 2026 - 15:15BOM HUMOR NA BOLSA
Às vésperas das eleições, só 8 ações do Ibovespa caíram na semana. Hapvida (HAPV3) e outras 6 têm alta de dois dígitos
3 de outubro de 2026 - 11:45MAIS OTIMISMO COM O PAPEL
Bank of America vê potencial de alta de 64% para a JBS (JBSS32) e calcula a renda extra para o investidor
2 de outubro de 2026 - 19:32TOUROS E URSOS #290