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Frigorífico

Marfrig reverte prejuízo com dinheiro da venda da Keystone no bolso

A segunda maior produtora de carne bovina do mundo registrou um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão no ano passado, com uma ajudinha do dólar

Natalia Gómez
Natalia Gómez
27 de fevereiro de 2019
22:00 - atualizado às 22:07
Frigorífico Marfrig JBS BRF carne
A BRF ganhou o selo de "zero waste" na última sexta feira, o que anima o setor de frigoríficos; commodities também são destaque da bolsa - Imagem: Shutterstock

Ao receber o dinheiro da venda da Keystone no fim do ano passado, a Marfrig conseguiu colocar a casa em ordem e reverter o prejuízo que amargou ao longo do ano. Segundo maior produtor de carne bovina do mundo, a Marfrig anunciou hoje um lucro líquido de R$ 1,4 bilhão em 2018, resultado muito superior que o prejuízo de R$ 461 milhões registrado em 2017.

Segundo a companhia, o desempenho se explica pelo resultado recorde da operação na América do Norte e pelo impacto positivo da venda da Keystone. No quarto trimestre de 2018, o lucro líquido da Marfrig foi de R$ 2,2 bilhões, suficiente para reverter o prejuízo acumulado até o terceiro trimestre.

O resultado anual ficou muito acima das projeções dos analistas, que previam prejuízo de R$ 305,3 milhões em 2018, segundo a Bloomberg.

A venda da Keystone foi concretizada em 30 de novembro do ano passado, no valor total de US$ 2,4 bilhões. Tirando a dívida líquida da Keystone, a Marfrig recebeu US$ 1,4 bilhão pelo negócio. Com a entrada dos recursos, a Marfrig quitou o empréstimo ponte de US$ 900 milhões feito para comprar a National Beef.

Em 2018, a receita líquida da Marfrig (consolidada) foi de R$ 29,715 bilhões, alta anual de 193%, beneficiada pela alta do dólar e maior volume. O Ebitda ajustado (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de R$ 2,601 bilhões, alta de 229%.

Dívida caiu, conforme o esperado

Outra informação positiva do balanço foi a redução da alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda), que é sinal de saúde financeira. A empresa fechou o ano com alavancagem de 2,39 vezes, abaixo da meta de 2,5 vezes que havia sido definida pela empresa. Um ano antes, este índice era de 3,5 vezes.

No final do ano passado, a dívida bruta da empresa ficou em US$ 3,931 bilhões, uma redução de 19% em relação ao trimestre anterior devido à liquidação do empréstimo ponte. Em reais, a dívida bruta foi de R$ 15,233 bilhões. Foi justamente o impacto cambial sobre a dívida dolarizada que impactou os resultados da Marfrig ao longo do ano.

Santo dólar!

A alta do dólar ajudou a Marfrig, que tem 85,4% da sua receita dolarizada. A operação da empresa na América do Norte teve um aumento de 17,3%, para R$ 28,7 bilhões, refletindo a valorização da moeda do país de Donald Trump. Em dólares, o ganho de receita foi de 2,1% em relação ao ano anterior.

Já na América do Sul, a receita líquida avançou 26% para R$ 12,8 bilhões. Neste caso, o dólar também ajudou, contribuindo com uma fatia de R$ 847 milhões desta receita.

IPO nos EUA?

Além do balanço, outra notícia sobre a Marfrig chamou atenção nesta quarta-feira. Em entrevista à Bloomberg, o CEO da companhia, José Oliveira Miron, afirmou que a empresa pode considerar uma oferta de ações nos Estados Unidos para destravar valor e reduzir o custo do crédito.

Ele destacou que não existe ainda uma movimentação neste sentido, mas disse que a empresa está "aberta a boas soluções". Segundo Miron, as empresas brasileiras normalmente enfrentam custos mais altos de crédito e carregam mais caixa para mitigar riscos do que os rivais nos Estados Unidos.

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